A neurociência contribuindo para um ambiente corporativo sadio

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Que tipo de emoções você tem gerado nos seus colaboradores?

O conceito de sucesso do mundo moderno tem impulsionado os homens a uma busca incessante por bens materiais o que o tem, por vezes, o afastado da verdadeira felicidade que estão mais centradas na auto estima e auto realização do que na conquista de bens materiais. Segundo Abraham Maslow a necessidade de sobrevivência está na base da pirâmide e para esta sim, é fundamental os recursos materiais. No ambiente corporativo é bem comum o empresário confundir ações estratégicas para retenção das pessoas com plano de benefícios assim, quando você pergunta quais ações ele tem tomado para o incremento do desempenho das pessoas na sua empresa, ele associa ao oferecimento de salários mais altos, plano de saúde, auxilio alimentação, etc. Não que estes fatores não sejam importantes, porém, investir num ambiente saudável emocionalmente, desafiador e que promova o trabalho em equipe seja talvez o maior desafio, que não está relacionado diretamente ao investimento financeiro, mas principalmente a um perfil de liderança adequado e um ambiente onde as pessoas queiram trabalhar.

Muitos são os desafios do empresário na atualidade. Na área de prestação de serviços principalmente, um deles é construir uma equipe coesa, produtiva, com baixa rotatividade e sinérgica com os objetivos organizacionais. A cada dia se torna menor a tendência de um colaborador ficar muito tempo na mesma empresa, principalmente se os conflitos do dia a dia não forem administrados.

Quando debatemos estratégias de gestão de pessoas para pequenas e microempresas é comum a “queixa” de que os recursos são limitados para este tipo de investimento, porém, existe uma série de ações que podem contribuir com uma atitude mais positiva e favorável por parte do funcionário.

A roda viva do mundo contemporâneo, de produzir riqueza, consumir e crescer economicamente limita a visão de nossas possibilidades, no sentido do apelo ao que é material, quando boa parte da satisfação do ser humano está relacionada à auto estima e auto realização. É possível implementar e cultivar ações que desenvolvam essas competências e aumentem a felicidade do profissional no ambiente corporativo com baixo investimento.Para tal precisará mais de disciplina e perseverança do que investimento financeiro.

Outra questão muito importante neste contexto é a crença que o dono do empreendimento e as lideranças têm a respeito dos colaboradores. Já escutei coisas do tipo “funcionário é tudo igual”, “não querem nada”. Estas não são crenças que vão colaborar com um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Fico imaginando qual seria o índice de produtividade desta equipe.Se os funcionários não querem nada e é pouco provável que o dono esteja em campo na hora do jogo, a possibilidade da performance desta empresa estar comprometida é grande. O que dissemos ou pensamos tem muito mais impacto no dia a dia do que podemos imaginar.  A mente pode influenciar ou amenizar qualquer disfunção. Quais são as vozes que moram na sua cabeça em relação a sua empresa e seus funcionários? Elas te limitam ou te alavancam? Nossa comunicação com tudo que nos cerca vai além do que dissemos. Temos uma glândula no cérebro denominada glândula pineal, ela produz ondas de rádio, então, em teoria, poderíamos nos comunicar telepaticamente. A física quântica também trouxe um nova lógica que está dandouma incrível contribuição. O estudo das menores partículas do Universo trouxe uma perspectiva diferente da física tradicional onde o mundo é representado por ondas e partículas e isto representa um “salto” na transformação das coisas. Eu e você nos relacionando criamos uma dinâmica, o que pensamos e sentimos interfere mutuamente no ambiente.Pensar positivamente nos faz criar boas expectativas, propagar isto muda o estado das relações. A emoção das pessoas é como um vírus que contagia ou contamina. As nossas crenças possuem um papel fundamental. Quem é sábio se alimenta de “coisas bacanas”, por que pensamentos negativos, de impossibilidade sobre algo, não geram resultados positivos. O foco deve estar centrado na solução, e não no problema. É muito importante tratar as pessoas do jeito que gostaria que elas fossem.   A premissa que o funcionário não é comprometido, é limitado, não se esforça contamina as relações corporativas. O líder eficiente transformará o estado das coisas em uma realidade onde as mudanças tornam-se possíveis. Um ambiente saudável e produtivo é construído.As novas descobertas da neurociência (o estudo fisiológico do cérebro) e da psicologia (estudo da mente e do comportamento humano) têm trazido contribuições relevantes sobre o que acontece no cérebro durante uma interação social, por exemplo. Muitas descobertas desta área tem apontado caminhos que podem aumentar a produtividade no trabalho e tornar o ambiente corporativo mais saudável. Imagens de ressonância magnética demonstraram que quando as pessoas julgam uma situação como justa, o cérebro é ativado assim como experimentam uma boa comida ou vêem uma pessoa querida. Um estudo descobriu que a justiça foi mais importante para o cérebro do que dinheiro. Se as lideranças cultivam a justiça e criam recompensas que inspiram confiança nas pessoas pode gerar resultados muito positivos. É a mente do trabalhador e a bioquímica de seu corpo automaticamente funcionando“a favor” da empresa. É como um estímulo-resposta, penso no ambiente de trabalho e automaticamente minhas sensações corresponderão às experiências que vivencio na corporação. Há estudos que demonstram que a dor social, ser rejeitado ou criticado, ativas as mesmas regiões do cérebro que a dor física. No que diz ao cérebro, a dor social mostra-se tão danosa como o física. Se um gestor demonstra interesse pelos funcionários, dá apoio e os compensa verdadeiramente, o cérebro poderá liberar uma substância química chamada serotonina, que “abre” a mente dos funcionários para novas ideias e cria o desejo de se aproximar dos gestores. Enquanto que aquele que é crítico demais ,tem dificuldades em reconhecer as boas ações, estimula rivalidades, gera no outro emoções negativas podem fazer com que o organismo libere cortisol, que é um hormônio do estresse e afeta o sistema imunológico e cognitivo. Expressar interesse pelo outro gera resultados muito positivos.

A questão da comunicação é outro quesito importante. Fracassos na comunicação provocam fracassos nos relacionamentos. Todos os recursos que puder criar para fazer a informação fluir de maneira clara e objetiva contribuem para melhorar os relacionamentos, o que pode aumentar o grau de confiança e reduzir fofocas.

Um bom sistema de reconhecimento e recompensa é uma alavanca para estimular os colaboradores para o alcance dos objetivos corporativos, porém temos inúmeras possibilidades de ações que podem tornar o ambiente mais harmônico, saudável e produtivo e exigirão mais disciplina e compromisso do que recurso financeiro:

– Formar times de trabalho que foquem na solução de problemas e melhoria dos indicadores de desempenho;

– Promover palestras entre os próprios colaboradores. Faça uma pesquisa e verifique quais conteúdos seus colaboradores dominam e podem ser partilhados com o grupo e agregar valor.

– Capacitar a equipe em comunicação não-violenta; é possível treinar um colaborador para ser o multiplicador da empresa e compartilhar com os demais os conteúdos aprendidos e sua aplicação;

– Desenvolver a cultura de feedback como um “valor” da empresa. Reconhecer à tempo as boas ações e inibir àquelas que prejudicam os resultados são preciosidades para a construção de uma equipe madura e para a promoção de uma “mente aberta” que possa estar sempre refletindo sobre as coisas e examinando-as de todos os pontos de vista.

– Estimular à equipe para definir pequenas metas diárias de trabalho. Existem ferramentas de coaching fáceis de serem aplicadas e que podem ser lideradas pelos próprios colaboradores.

– Estimular à formação de times de rápida decisão para a solução de problemas pontuais podem aumentar a auto confiança e a co-responsabilidade pelos resultados;

– Capacitar as lideranças para o desenvolvimento de competências que foque nas pessoas e nos resultados. Desenvolver comportamentos focados em perguntar mais, interagir mais, desenvolvendo empatia e o interesse pelo ser humano são muito importantes. Nos sentirmos “amados” e “respeitados”é motivador. Se a auto estima do funcionário estiver em alta com a empresa os resultados são alavancados.

– Construir e difundir missão, visão e valores. Se já possui Gestão pela Qualidade certifique-se de que promove ações para que estes aspectos estejam disseminados na equipe e façam parte da sua conduta diária. Se ainda não os possui, defina-os. Não terum programa de gestão pela qualidade formal não o impede de usar suas ferramentas e estratégias.

Utilize sua criatividade e poderá construir um time vencedor com seus colaboradores! Todos sairão ganhando.

 

denise-pereiraDenise Pestana
Psicóloga (UERJ), Consultora de RH, Especialista em Gestão de Pessoas, Instrutora-Senac Rio, Psicoterapeuta, Coach e ThetaHealer®.

 

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denise.rppereira@gmail.com

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