Esclarecimentos sobre os Siarídeos

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Cidades da Amazônia como Manaus e Porto Velho estão sendo infestadas por insetos popularmente chamados de mosquitos pretos. Mas na verdade esses insetos não são mosquitos propriamente ditos, pois não picam com uma probóscida como um mosquito verdadeiro.
Eles são conhecidos na Entomologia (ciência que estuda os insetos) como siarídeos. Pertencem a Ordem Diptera e a Família Sciaridae. Trata-se de uma família de distribuição cosmopolita, cujo registro fóssil em âmbar data do período Cretáceo.
Os siarídeos não têm importância médica e veterinária nenhuma. Pois não picam e não transmitem nenhum organismo causador de doença aos humanos e aos animais domésticos e silvestres.
Algumas poucas espécies são de importância agrícola, pois são consideradas pragas em madeiras estocadas de Pinus sp. e outras em fazendas de cogumelos comestíveis, nos quais as larvas causam perfurações.

A grande maioria das 1.700 espécies até agora descritas pela ciência têm relevante importância ecológica, já que as larvas participam da ciclagem de nutrientes no solo. As larvas se alimentam de restos de vegetais e animais e liberam pequenas pelotas fecais que ficam disponíveis para a ação dos microorganismos decompositores. Outro papel importante é de também servirem como alimento para outros pequenos animais, compondo assim a cadeia alimentar.
Já os adultos se alimentam de água e fluidos vegetais e jamais picam pessoas ou animais. Portanto, não são hematófagos.

O principal habitat das larvas são os ambientes úmidos e sombrios no folhiço do solo da floresta, em cavernas e entre espaços de rochas. Os adultos são aéreos, voam bem e muitas vezes são atraídos pelas luzes das residências.
As larvas se desenvolvem em torno de uma semana. Os adultos duram em torno de 5 dias. Nessa fase (adulta) apenas se reproduzem e morrem.
Os siarídeos se orientam a noite pela luz da lua assim como outros insetos no ambiente natural. Quando se aproximam das residências são atraídos pelas luzes e ficam confusos tentando se orientar.
Podem ocorrem em revoadas (booms populacionais). Essas revoadas incomodam muitas pessoas, pois os insetos podem pousar sobre elas ou sujar bastante as casas com seus cadáveres.
As revoadas são importantes para que fêmeas encontrem machos para se reproduzir já que nascem  mais fêmeas que machos dessa família na natureza. A proporção na natureza é de 4 fêmeas para 1 macho.
Esses aumentos populacionais (boons) em certas épocas do ano são comuns especialmente quando há bastante humidade, temperaturas altas, poucos predadores e outros inimigos naturais, bem como fartura de alimento para as larvas.
Em 2016 entre os meses de junho e junho ocorreram infestações em Manaus – AM, causando bastantes discussões e postagens com informações desencontradas nas redes sociais. Atualmente, situação semelhante está ocorrendo em Porto Velho – RO.
Diversas publicações infundadas têm sido disseminadas nas redes sociais atribuindo que os siarídeos são insetos geneticamente modificados criados em laboratórios pelas usinas hidrelétricas do rio Madeira para comer o mosquito da malária, mas que perderam o controle e estão desequilibrados. Noutras, apontam que o líquido amarelo que sai do abdome possui um vírus Machupo altamente letal. Todas são informações fantasiosas e inverídicas que se propagam e somente atrapalham a vida das comunidades confundindo as cabeça das pessoas e também o trabalho dos entomólogos em campo.
É importante ressaltar que na região Norte, incluindo o Estado de Rondônia, não existe nenhum tipo de estudo, experimento ou ação que envolva organismos geneticamente modificados, neste caso, os mosquitos ou siarídeos.
Alguns cuidados podem contribuir para evitar o incômodo com esses insetos, tais como: 
1) Instalar telas em portas e janelas;
2) Evitar deixar luzes acesas nas áreas externas das casas, ou se preferir apagar as luzes de casa e deixar apenas acesas as da parte externa para atrair os insetos apenas na parte de fora;
3) Instalar armadilha luminosa com eletrochoques que vai atrair os insetos e bloqueá-los.
O uso de inseticidas não é recomendado nestes casos já que não existem riscos de transmissão de doenças nem danos em instalações de imóveis.
Prof. Fábio Medeiros da Costa – Biólogo/ Entomólogo.

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