OPAS/OMS debatem ações contra vírus transmitidos por mosquitos, entre eles zika e dengue

Autoridades de saúde concordaram sobre uma série de série ações conjuntas para monitorar, diagnosticar e tratar os arbovírus, um grupo de vírus transmitidos por mosquitos – como zika, dengue e chikungunya – durante uma reunião em Havana, convocada pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e pelo Ministério de Saúde Pública de Cuba.

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“Dengue, chikungunya, febre amarela e zika (com suas lamentáveis complicações como microcefalia e seus impactos sociais e econômicos) afetam principalmente as populações mais vulneráveis de nossa região”, afirmou Carissa F. Etienne, Diretora da OPAS/OMS, ao abrir a reunião que segue até esta sexta-feira (21).

“A incidência desses arbovírus sobrecarrega os sistemas de saúde da região e constitui um desafio que devemos abordar de forma integrada, juntando recursos e compartilhando as experiências e boas práticas que cada país tem desenvolvido para enfrentar essas doenças”, acrescentou. Etienne instou os delegados a alcançarem um consenso sobre o roteiro que a região seguirá nos próximos meses para prevenir e controlar de maneira integrada as doenças causadas pelos vírus transmitidos por mosquitos.

Essas ações implementarão a estratégia para abordar os arbovírus nas Américas, aprovada por ministros da Saúde da região no 55º Conselho Diretivo da OPAS, realizado em outubro deste ano. Atualmente, existem poucas vacinas disponíveis para prevenir doenças transmitidas por mosquitos. A nova estratégia recomenda a adoção de esforços de prevenção e controle, a fim de reduzir as populações de mosquitos, garantir diagnósticos clínicos corretos e oportunos, além de fortalecer a vigilância epidemiológica integrada e a rede de laboratórios. Para um melhor controle, as comunidades devem se envolver ativamente na tarefa de eliminar os criadouros de mosquitos.

Arbovírus nas Américas
“Temos mais de 500 milhões de pessoas vivendo em áreas das Américas onde há risco de infecção por zika, dengue ou chikungunya pela presença do mosquito Aedes aegypti, que transmite essas doenças”, explicou Sylvain Aldighieri, diretor adjunto interino do Departamento de Emergências de Saúde da OPAS/OMS.

Entre os desafios, Aldighieri destacou a possibilidade de que “velhos inimigos conhecidos”, como a febre amarela, sejam reintroduzidos em zonas urbanas devido à presença do mosquito transmissor. O diretor adjunto também enfatizou que a dengue continua a infectar quase 2 milhões de pessoas a cada ano na região e também o risco de morte para o paciente quando a doença não é detectada a tempo. Ainda existem muitas questões pendentes sobre o chikungunya e suas consequências em longo prazo para os infectados, assim como seu potencial de levar um número reduzido de pacientes à morte.

No caso do vírus zika, Aldighieri explicou que todas as sub-regiões das Américas têm relatado casos de microcefalia e outras malformações associadas à síndrome congênita de zika. No entanto, ainda há muito a ser aprendido sobre as consequências dessa síndrome, em que proporção os bebês de mulheres infectadas são afetados e qual sua relação com outros arbovírus que circulam na mesma área. Com base em experiências sobre zika, Aldighieri afirmou que os países da região precisam permanecer em alerta quanto aos outros arbovírus em circulação, incluindo o mayaro e oropouche, que podem apresentar novos desafios.

Ministros compartilham experiências
O ministro de Saúde Pública de Cuba, Roberto Morales Ojeda, destacou que a reunião de autoridades regionais “demonstra a preocupação para enfrentar” os arbovírus de forma conjunta, permitindo “estreitar laços de fraternidade no campo da saúde em um contexto em que há cada vez mais diferenças entre países ricos e pobres, (…) onde os arbovírus se transformaram em uma ameaça”. Ojeda relatou a experiência de seu país no combate à dengue desde a década de 1980, por meio de uma estratégia que integrou o controle vetorial e a organização de cuidados médicos, servindo também para abordar outros vírus que vieram posteriormente, como o zika.

A secretária de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Sylvia Mathews Burwell, disse que “não há prioridade maior” que controlar o zika e outros arbovírus. Adicionou ainda que a “inação não é uma opção” e descreveu ações adotadas pelos Estados Unidos no combate ao vírus zika, que vão desde a comunicação de riscos para a população e promoção de pesquisas focadas em uma nova vacina até o fornecimento de recursos para os estados afetados, especialmente a Flórida – e Porto Rico. Trata-se da primeira visita de Burwell a Cuba desde que o governo norte-americano renovou as relações diplomáticas com a ilha.

A ministra da Saúde de Honduras, Yolani Batres, defendeu a “formulação de um plano que integre todos” no combate aos arbovírus, mas que ao mesmo tempo permita aos países respeitar sua individualidade. O ministro da Saúde de Barbados, John Boyce, descreveu como seu país acompanhou os casos de zika e intensificou o controle vetorial em áreas onde os pacientes infectados foram identificados. O ministro da Saúde da Guiana, George Norton, discutiu os desafios do país no combate ao vírus zika. Representantes do Brasil, Colômbia, El Salvador e outros países também compartilharam suas experiências.

Os delegados de mais de 30 países que participam do encontro buscaram consenso sobre ações para melhorar a vigilância epidemiológica do zika e outros arbovírus, assim como o manejo clínico dos distintos vírus transmitidos por mosquitos. Os delegados também estão fazendo um intercâmbio de experiências e propostas para abordar o controle e a eliminação dos mosquitos e buscarão fortalecer as redes de laboratórios para vigilância, detecção e diagnóstico dos arbovírus.

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