Rotavírus

Os rotavírus são uma doença diarreica aguda causada por um vírus – RNA, vírus da família dos Reoviridae, do gênero Rotavírus. É uma das mais importantes causas de diarreia grave em crianças menores de cinco anos no mundo, particularmente nos países em desenvolvimento.

Sintomas

A forma clássica do rotavírus, principalmente na faixa de seis meses a dois anos, é caracterizada por uma forma abrupta de vômito. Na maioria das vezes, há diarreia com caráter aquoso, aspecto gorduroso e explosivo, além de febre alta. Podem ocorrer formas leves e subclínicas nos adultos e formas assintomáticas na fase neonatal e durante os quatro primeiros meses de vida.

Diagnóstico

Varias técnicas laboratoriais possibilitam o diagnóstico dos rotavírus.

Transmissão

Os rotavírus são transmitidos pela via fecal-oral, por contato pessoa a pessoa, por meio de água e alimentos contaminados, objetos contaminados e provavelmente por propagação aérea, via aerossóis. Há presença de alta concentração do vírus causador da doença nas fezes de crianças infectadas.

O período de incubação é de, em média, dois dias. Já o período de transmissibilidade, a máxima excreção viral se dá no 3.º e 4.º dias a partir dos primeiros sintomas. No entanto, podem ser detectados nas fezes de pacientes mesmo após a completa resolução da diarreia.

Prevenção

Para prevenção, é preciso:

  • Administrar a vacina contra rotavírus em crianças menores de seis meses;
  • Lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular/preparar os alimentos, amamentar, tocar em animais;
  • Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos;
  • Proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados);
  • Guardar a água tratada em vasilhas limpas e de boca estreita para evitar a recontaminação;
  • Não utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados;
  • Ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada. Quando não houver coleta de lixo, este deve ser enterrado;
  • Usar sempre a privada, mas se isso não for possível, enterrar as fezes sempre longe dos cursos de água;
  • Manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias, por isso evitar o desmame precoce.

Tratamento

O paciente deve ser tratado por meio de reposição hidroeletrolítica e manejo dietético adequado. Não é recomendado o uso de antimicrobianos e antidiarreicos.

O tratamento da doença diarreica aguda consiste em quatro medidas:

  • Correção da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico (Planos A, B ou C);
  • Combate à desnutrição;
  • Uso adequado de medicamentos;
  • Prevenção das complicações.

Orientações

Notificação de casos

A notificação de casos e surtos de doença diarreica aguda causada por rotavirus deverá ser realizada de acordo com as normas estabelecidas nas atividades da vigilância epidemiológica ampliada das doenças diarreicas agudas causadas por rotavírus que foram implantadas no País como segue:

Definição de caso

Suspeito

Demanda passiva: Criança menor de cinco anos, com diagnóstico de Doença Diarreica Aguda , que tenha recebido soro de reidratação por meio endovenoso (Plano C de tratamento), que resida no Estado de atendimento, independente do estado vacinal contra rotavírus.

Em caso de surto: Criança menor de cinco anos, com suspeita diagnóstica de Doença Diarreica Aguda, que resida no Estado de atendimento, independente do Plano de tratamento utilizado e do estado vacinal contra o rotavírus.

Confirmado

Caso suspeito que teve confirmação diagnóstica por meio do teste ELISA (realizado nos LACEN) ou que, em caso de surto, foi encerrado pelo critério clínico-epidemiológico.

Descartado

Caso suspeito que teve diagnóstico laboratorial negativo, por meio do teste ELISA ou que, em caso de surto, foi descartado pelo critério clínico-epidemiológico.

Critérios de Inclusão do Caso

Crianças que atendam a definição de caso suspeito de rotavírus em situações epidêmicas ou não.

Critérios de Exclusão do Caso

  • crianças maiores de cinco anos e um dia;
  • em situações de demanda espontânea: Casos de diarreia sem desidratação (planos A e B), persistentes (mais de 14 dias de duração) e crônicos (acima de 30 dias);
  • em situações de surto: Casos de diarreia persistente (maiores que 14 dias de duração);
  • residentes em outros estados, diferente de onde foi realizada a internação hospitalar.

Em situações de surto, independe o plano de tratamento. A notificação deve ocorrer na ficha de notificação/investigação de caso, cuja cópia deve acompanhar a amostra fecal ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

Tratamento

O tratamento da doença diarreica aguda consiste em quatro medidas:

  • Correção da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico (Planos A, B ou C)
  • Combate à desnutrição
  • Uso adequado de medicamentos
  • Prevenção das complicações

A avaliação do estado de hidratação do paciente com diarreia aguda independente da idade deverá seguir o cartaz “Manejo do Paciente com Diarreia” (disponível no item apresentação de DDA), do Ministério da Saúde, que orienta a escolha do tratamento de acordo com o grau de desidratação apresentado.

Manejo do paciente com Diarreia

Medicamentos contraindicados na diarreia aguda:

ANTIEMÉTICOS

(Metoclopramida, Clorpromazina, etc.).

Podem provocar manifestações extrapiramidais, depressão do sistema nervoso central e distensão abdominal. Podem dificultar ou impedir a ingestão do soro oral.

ANTIESPASMÓDICOS

(Elixir paregórico, Atropínicos, Loperamida, Difenoxilato, etc.).

Inibem o peristaltismo intestinal, facilitando a proliferação de germes e, por conseguinte, o prolongamento do quadro diarreico. Podem levar à falsa impressão de melhora.

ADSTRINGENTES

(Caolin-pectina, Carvão ativado, etc.)

Têm apenas efeitos cosméticos sobre as fezes, aumentando a consistência do bolo fecal, além de expoliar sódio e potássio.

ANTIPIRÉTICOS

(Dipirona, etc.).

Podem produzir sedação, prejudicando a tomada do soro oral.

LACTOBACILOS, etc.

Não há evidência de sua eficácia, apenas onera o tratamento.

Informações Técnicas

Aspectos clínicos

Sinais e sintomas:

A forma clássica da doença, principalmente na faixa de seis meses a dois anos, é caracterizada por uma forma abrupta de vômito, diarreia (caráter aquoso, aspecto gorduroso e explosivo) e febre alta. Podem ocorrer formas leves e subclínicas nos adultos e formas assintomáticas na fase neonatal e durante os quatro primeiros meses de vida. Eventualmente, o quadro clínico envolve outros sintomas como náuseas, inapetência e dor abdominal, comprometimento respiratório caracterizado por otite média e broncopneumonia.

Período de incubação: Em média dois dias.

Período de transmissibilidade: A máxima excreção viral se dá no 3º e 4º dias a partir dos primeiros sintomas, no entanto, podem ser detectados nas fezes de pacientes mesmo após a completa resolução da diarreia.

Modo de transmissão: São eliminados em grande quantidade (cerca de um trilhão de partículas por mililitro de espécime fecal, durante a fase aguda do quadro diarreico) nas fezes de crianças infectadas, sendo necessários apenas 10 vírus para iniciar o quadro infeccioso. Estes vírus apresentam grande estabilidade físico-química e podem sobreviver em superfícies, em água contaminada e nas mãos. A disseminação através de mãos contaminadas é, provavelmente, o meio mais importante da transmissão deste agente, pois favorecem a transmissão fecal-oral principalmente em locais onde existem contatos inter-humanos frequentes, como creches e enfermarias pediátricas.

Outras formas de transmissão podem ocorrer por água e alimentos contaminados, objetos contaminados e provavelmente também por excreções respiratórias.

Diagnóstico diferencial: Com outros vírus como astrovírus, calicivírus, adenovírus, norovírus, e outros.

Aspectos laboratoriais

Varias técnicas possibilitam o diagnóstico laboratorial dos rotavírus do grupo A, dentre outras: ensaio imunoenzimático ou ELISA (Enzyme Linked Imumunosorbent Assay) e a eletroforese de RNA em gel de policriamida (PAGE) para a detecção dos diferentes grupos de rotavírus e reação em cadeia da polimerase precedida de transcrição reversa (RT-PCR) para genotipagem (VP4 – tipos P; VP7 – tipos G; VP6 – grupos).

Aspectos ambientais

  • Garantir saneamento (domiciliar e peridomiciliar);
  • Manter hábitos saudáveis para a superação dos fatores de risco, como o destino adequado dos dejetos e resíduos sólidos e tratamento da água a ser consumida;
  • Proteger os mananciais de água para consumo humano.

Medidas de controle

As medidas de controle consistem em: Vacinar as crianças nos primeiros seis meses de idade, melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar. A educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência de diarreia, é fundamental, orientando as medidas de higiene e de manipulação de água e alimentos. Locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas. Considerando a importância das causas alimentares nas diarreias das crianças pequenas, é fundamental o incentivo a prorrogação do tempo de aleitamento materno, comprovadamente uma prática que confere elevada proteção a esse grupo populacional.

Ao viajar, redobrar os cuidados.

Perguntas e Respostas

O que é?

É uma doença diarréica aguda causada por um vírus, RNA vírus da família dos Reoviridae, do gênero Rotavírus. Trata-se de uma das mais importantes causas de diarreia grave em crianças menores de 5 anos no mundo, particularmente nos países em desenvolvimento.

Quais os sinais e sintomas?

A forma clássica da doença, principalmente na faixa de seis meses a dois anos é caracterizada por uma forma abrupta de vômito, na maioria das vezes há diarreia (caráter aquoso, aspecto gorduroso e explosivo), e a presença de febre alta. Podem ocorrer formas leves e subclínicas nos adultos e formas assintomáticas na fase neonatal e durante os quatro primeiros meses de vida.

Como se transmite?

São transmitidos pela via fecal-oral, por contato pessoa a pessoa, através de água e alimentos contaminados, por objetos contaminados e provavelmente por propagação aérea, via aerossóis. Há presença de alta concentração do vírus causador da doença nas fezes de crianças infectadas.

Como tratar?

O paciente deve ser tratado através de reposição hidroeletrolítica e manejo dietético adequado. Não é recomendado o uso de antimicrobianos e antidiarreicos.

Como se prevenir?

  • Administrar a vacina contra rotavirus (VORH) em crianças menores de seis meses;
  • Lavar sempre as mãos antes e depois de: utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular/preparar os alimentos, amamentar, tocar em animais.
  • Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos; proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados);
  • Guardar a água tratada em vasilhas limpas e de boca estreita para evitar a recontaminação;
  • Não utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados.
  • Ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada, quando não houver coleta de lixo, este deve ser enterrado
  • Usar sempre a privada, mas se isso não for possível, enterrar as fezes sempre longe dos cursos de água;
  • Manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias; evitar o desmame precoce.
  • Evitar o desmame precoce.

Vacinação

Não existe vacina atualmente disponível para a prevenção das diarreias para a população em geral. A vacina contra rotavírus está disponibilizada para a população até seis meses de idade. Portanto as medidas básicas de prevenção deverão ser seguidas.