Morto por leptospirose, coreógrafo achou que estava com Chikungunya

Morto por leptospirose na madrugada desta quarta (17), o coreógrafo do FitDance, Cleidson Salustiano Francisco dos Santos, 37 anos, se queixava dos sintomas da doença desde março. Com suspeita de resfriado e até de Chikungunya, Barata, como era conhecido, nem chegou a descobrir a doença que tinha, já que entrou em coma um dia antes e não acordou mais.

O CORREIO conversou com um amigo de Barata, que preferiu ter seu nome preservado. Ele acompanhou o processo de internamentos do coreógrafo. 

Os primeiros sintomas apareceram no dia 31 de março. Com queixas de dor e febre, o coreógrafo procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brotas, onde recebeu atendimento médico, foi medicado e liberado. A suspeita inicial era de virose ou resfriado.

Como não apresentou melhora e a dor piorou, ele retornou à unidade médica no dia 3 de abril. Tomou uma injeção para dor e foi levantada por médicos a hipótese de Chikungunya, mas nenhum exame de sangue chegou a ser feito para comprovar o vírus. O professor de dança seguiu tomando remédios para dor.

O CORREIO teve acesso a uma mensagem enviada por Barata em um grupo de WhatsApp, no dia 6 de abril. No texto enviado para alguns alunos, ele relatou estar infectado pela doença. “Boa noite, galera. Fui diagnosticado com Chikungunya. Estou fazendo tratamento com medicamentos e, se melhorar, já na segunda eu volto direto para a aula”, contou ele, que estava usando remédios para controlar dor e febre. 

Os sintomas da leptospirose e da Chikungunya, segundo o infectologista e professor da Faculdade Bahiana de Medicina, Robson Reis, são parecidos. Segundo ele, ambas as doenças manifestam sintomas como febre alta, dor no corpo e na cabeça. 

No dia 8 de abril, segundo o amigo de Barata, o dançarino já estava sem quadro de febre, mas acordou com muita dor e começou a mancar.

“Na virada para o dia 9 ele começou a soluçar até. Foi aí que ele já precisou ser internado, inconsciente. Daí, ele já não acordou mais”.

O tratamento para a doença só começou, de fato, no dia 10 de abril, quando, ainda na UPA, Barata recebeu o diagnóstico da leptospirose. Essa doença é causada por uma bactéria chamada Leptospira, presente na urina de alguns animais. Embora geralmente associada aos ratos, a transmissão pode ocorrer por contato direto ou indireto também com a urina de outros animais, como bois, porcos, cavalos, cabras e até cães. 

Ao saber do diagnóstico, os médicos indicaram que ele fosse transferido para o Instituto Couto Maia, em Águas Claras, referência no tratamento da doença. “Ele recebeu um atendimento maravilhoso lá, mas desenvolveu insuficiência hepática aguda durante o processo e não resistiu”, conta o amigo do coreógrafo. A morte foi confirmada por volta da 1h da manhã desta quarta.

O CORREIO tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para confirmar as informações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


Barata trabalhava no FitDance há três anos e meio (Foto: Instagram/Reprodução)

Casos de mortes crescem na Bahia
De acordo com o infectologista e professor da Faculdade Bahiana de Medicina, Robson Reis, a leptospirose é transmitida quando a água contaminada pela urina de animais entra em contato com a pele ou mucosas do corpo, como a boca e os olhos. Também é possível ser infectado colocando a boca diretamente em latas de refrigerante antes de lavá-las, por exemplo, e comendo alimentos contaminados – essa forma de contágio, no entanto, é rara.

Na Bahia, com exceção de 2017, os números de contaminados com a doença têm diminuído. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab), em 2015 foram registrados 127 casos da doença no estado. Já em 2016 foram 53, enquanto 2017 apresentou 76 pessoas contaminadas. No ano passado, houve 70 registros de pacientes com a doença na Bahia.

Este ano, em levantamento feito pela Sesab até esta terça (16), a Bahia tinha 47 notificações da doença. Já Salvador, segundo a SMS teve 26 – dados até 12 de abril. A maioria dos casos, segundo Ana Galvão, chefe do setor de informações do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), são nos distritos de Subúrbio Ferroviário, Pau da Lima e Cabula/Beiru.

“Temos três setores prioritários, pela reprospectiva de casos nos últimos cinco anos. Temos as áreas quentes que seriam os distritos do Subúrbio Ferroviário, Pau da Lima e Cabula/Beiru, que tem o maior número de casos”, disse em entrevista à TV Bahia. 

Durante o Outono – estação atual -, os casos aumentam consideravelmente na Bahia e em Salvador em comparação aos demais períodos do ano. Entre 2008 e 2018, a Bahia registrou 1.191 casos da doença, sendo que 478 ou 40,13% foram no Outono. Na capital, o cenário é semelhante: foram 757 casos no total, sendo 297 ou 39,2% no Outono, quando cai maior volume de chuvas na cidade. Os dados são do DataSUS.

Já o número de mortes na Bahia aumentou no período de 2017 a 2018, saltando de seis para nove. Já em Salvador, no mesmo período, houve uma queda na quantidade de mortos por causa da doença, de seis para quatro. Barata é o quarto caso de morte por conta de leptospirose na Bahia em 2019, terceiro em Salvador. O outro óbito foi constatado no município de Boa Nova, no centro-sul baiano.

Ao CORREIO, o infectologista Robson Reis explicou que a doença pode demorar a se manifestar, graças à incubação da bactéria Leptospira no corpo. “A doença pode se manifestar de 1 a 28 dias após o contato com a bactéria. Leptospirose é uma doença que tem cura, tratamento específico com antibióticos e, na maioria dos casos, não causa grandes complicações. Mesmo assim é preciso ficar atento, se mantendo longe de enchentes, esgoto”, explica.

Já de acordo com o coordenador do serviço de infectologia da Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC), Antônio Bandeira, existem dois tipos de leptospirose. “No primeiro, os sintomas se assemelham à dengue. Febre, dor no corpo e na cabeça. Nesse, não há grandes riscos. O problema é quando ela evolui para o segundo estágio, com sintomas parecidos com a hepatite. O paciente apresenta olhos amarelos, insuficiência renal grave e hemorragia pulmonar. Nestes casos, a taxa de morte chega a 10%”, explica. Barata tinha o segundo caso.


Dançarino era torcedor do Bahia e tinha 37 anos (Foto: Instagram/Reprodução)

Tênis molhado
Morador do Vale das Pedrinhas, Barata estudou na Escola de Dança, instituição integrada ao Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Antes de atuar no FitDance, participou do grupo Swing Raça, que participava de eventos de verão na capital baiana. 

Em nota, a assessoria do FitDance descreveu o funcionário como “um cara muito querido, sempre alegre, muito gaiato. Tinha a identidade de comunidade que a FitDance prega, era amigo de todo mundo, muito sorridente e deixará saudade”. Acrescentou ainda que ele fazia questão de participar de todos os eventos da empresa, fossem remunerados ou não.

Barata, que tinha 16 mil seguidores no Instagram, atuava no Centro de Estudos Fitdance há três anos, no núcleo de elaboração de coreografias. Ele também dava aulas em academias particulares da cidade, nos bairros da Paralela, Barra, Costa Azul e Barra, por exemplo.

O coreógrafo, que não deixa filhos, não era casado, mas mantinha um relacionamento de cinco meses com Bruna Sena, que atua como instrutora do FitDance. O corpo do coreógrafo será enterrado nesta quinta-feira (18), às 10h, no Cemitério Campo Santo.

Amigos e familiares do dançarino acreditam que o contato com a água contaminada foi o que causou a leptospirose em Barata. Isso porque, no local onde ele morava, costumava ter casos de alagamentos.

É o que conta o digital influencer Jatel Barbosa, 27, que era aluno de Barata em uma das academias que ele dava aula de dança, na Paralela. Ele conta que seu professor era vaidoso e tinha diversos tênis. Há um mês, ele chegou ao local com um tênis velho e furado, o que chamou a atenção de Jatel.

“Ele me disse que esse era o sapato de chuva dele. Que onde morava no Vale das Pedrinhas e que lá ficava alagado às vezes. Talvez tenha sido aí que ele contraiu a doença. É o que a gente acredita”, relatou.

Jatel conhecia Barata há mais 10 anos. Os dois iniciaram uma amizade em outra academia, no Nordeste de Amaralina. “Barata era uma pessoa incrível, muito descontraída. Para ele não tinha tempo ruim, mesmo em momentos difíceis, brincava com a gente. Ele sempre levava vídeos descontraídos para a gente dar risada na aula”, lembra Jatel.

* Com supervisão e colaboração da subeditora Fernanda Varela

Enfermeira é picada por escorpião dentro de hospital público do DF

Uma enfermeira do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, foi picada por um escorpião dentro da sala de repouso da unidade de saúde na segunda-feira (15).

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a funcionária ferida passa bem e que o hospital passa por dedetização periodicamente.

Servidores da unidade de Santa Maria disseram que encontraram cinco escorpiões nos últimos dois meses na maternidade, que fica no quarto andar do prédio. Na semana passada, um paciente encontrou um escorpião em uma lixeira.

Funcionários encontram escorpiões no Hospital Regional de Santa Maria

Funcionários encontram escorpiões no Hospital Regional de Santa Maria

O que fazer?

Em caso de picada, a orientação de especialistas é de que a pessoa procure o serviço médico mais próximo para que a dor seja controlada.

No DF, a espécie mais comum é a amarela, seguido pelo de patas rajadas e o preto. O indicado para quem encontra o animal é acionar a Secretaria de Saúde. O contato deve ser feito por meio do telefone 160.

Os escorpiões são carnívoros. Alimentam-se de insetos, como cupins, grilos e baratas (especialmente), mas podem sobreviver longos períodos sem comida e sem água.

Rato causa gritaria e corre-corre dentro de hospital em Macaé, RJ (+ vídeo)

Um rato entrou no Hospital Público de Macaé (HPM), no Norte Fluminense, e causou gritaria e corre-corre dentro da unidade neste domingo (14). A cena foi registrada pelo celular por um paciente.

O rato apareceu embaixo das cadeiras e, logo depois, correu pelos corredores da unidade. As imagens mostram também a tentativa de captura do animal, que acaba sendo morto por guarda.

Pessoas que estavam no hospital contaram ao G1 sobre o momento do susto com o caso, mas todas preferiram não se identificar. Veja os relatos:

“As mulheres começaram a gritar e fui ver o que era por curiosidade, e o animal veio correndo na minha direção. Eu fui chutar e ele pulou”, disse um homem que acompanhava um paciente.

Ele contou ainda que o animal tentou subir na maca:

“As pessoas ficaram com nojo, medo. O rato foi subindo na maca que estava no corredor e uma pessoa foi e matou”.

Um guarda revelou que outros animais também já foram vistos dentro da unidade.

“Muitas baratas, ratos, lacraia. A cozinha sem dedetização. Não tem garantia que não há animais circulando por lá. Há muito tempo que o local não passa por dedetização”, revelou.

Outra funcionária também afirma que esta não é a primeira vez que um animal é encontrado no hospital.

“Vejo muitos absurdos no hospital, é muita infecção. Há dois meses apareceu um rato em uma sala onde trabalho. De vez em quando aparece rato, barata, lagartixa. Quando aparece, a gente mata. Nunca vi dedetização”, disse a funcionária, acrescentando ainda que há muita sujeira na unidade.

“No centro cirúrgico é muita sujeira. Ficamos com medo de pegar uma doença. Tá difícil aqui, muita infiltração…É uma coisa muito feia”, concluiu.

Por meio de nota, a Prefeitura de Macaé informou que o HPM possui contrato com empresa para dedetização e desratização do hospital. Os procedimentos na unidade são realizados a cada dois meses. O último foi no início de março.

A Prefeitura destacou que não se trata de infestação, mas sim de uma ocorrência pontual que já está sendo tratada com a notificação da empresa responsável sobre a ocorrência para adoção das providências necessárias.

O município afirmou ainda que Centro de Controle de Zoonoses fará um trabalho de controle no entorno do hospital, como na praça e arredores.

O G1 também questionou sobre os outros problemas apontados por moradores na reportagem e aguarda um retorno.

Servidores reagem a decretos de Bolsonaro: “Desmonte do Estado”

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) editar um decreto que extingue mais de 13 mil vagas no funcionalismo público federal, servidores reagiram ao que chamaram de “desmonte do Estado”.

No balanço de 100 dias de gestão, Bolsonaro anunciou uma redução no quadro de servidores. A maior parcela dos cortes ocorre no Ministério da Saúde.

Serão extintas vagas de guardas, agentes públicos e visitadores sanitários, algumas das funções que o governo considerou obsoletas.

“O governo deu mais uma demonstração do seu desinteresse pelo papel do Estado e importância dos serviços públicos na vida dos brasileiros”, critica, em nota, a Confederação dos Servidores Públicos Federais (Condsef).

A entidade sindical calculou que dos 11,4 mil cargos extintos no Ministério da Saúde, cerca de 6 mil são de servidores cedidos a estados e municípios que ajudam no combate de doenças como a dengue.

“Isso significa que, quando esses servidores na ativa se aposentarem, a função deixa de existir. Além disso, os próprios servidores ativos deixam de ter importância para o Estado e passam a figurar numa espécie de ‘limbo’ do setor público”, destaca o texto.

Surto de doenças

A decisão de reduzir esses cargos acontece no mesmo ano em que é registrado mais de 500 cidades em alerta para o surto de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e chicungunha.

“O insuficiente número de servidores na linha de frente desse combate é inclusive um problema que deveria ser sanado não com a extinção, mas com a realização de concursos para suprir a demanda e dar conta das dimensões continentais brasileiras. Prova de que as coisas têm piorado está no retorno de endemias que já haviam sido erradicadas. O sarampo é um exemplo”, conclui a nota.

A Condsef promete uma reação. “Vamos buscar mais uma reunião com representantes do governo. O objetivo da entidade é levar contribuições do papel dos servidores e como reformas administrativas devem ser feitas ouvindo servidores, muitos que atuam há mais de 30 anos no setor público”, defende a instituição.

A Confederação defende que a experiência desses profissionais capacitados deve sempre ser considerada antes da tomada de decisões por parte do governo.

Entenda o caso 

Bolsonaro publicou nesta sexta-feira (12/4) decreto que extingue 13.231 cargos efetivos vagos dos quadros de pessoal da administração pública federal. O documento traz ainda uma lista de postos que serão extintos.

A meta do governo é ter uma estrutura de cargos mais enxuta. Isso significa também que não estão previstos novos concursos para este ano. As seleções para a contratação de pessoal ocorrerão somente em casos excepcionais.

A medida faz parte do pacote de 18 atos do governo, anunciado nessa quinta (11) por Bolsonaro. Na prática, grande parte dos cargos extintos não vai gerar demissão de trabalhadores. Isso porque do total de cargos que serão suprimidos, 12.315 já estão desocupados. A maioria está vinculada ao Ministério da Saúde.

Os outros 916 servidores que ocupam funções consideradas obsoletas, como jardineiro, atendente bilíngue, auxiliar de enfermagem e guarda de endemias, terão as atividades extintas à medida que os funcionários se aposentarem.
Metrópoles

Carrapato transmissor da febre maculosa volta a ser encontrado no Parque da Ilha em Divinópolis

O carrapato transmissor da febre maculosa voltou a ser encontrado no Parque da Ilha, em Divinópolis, nesta quinta-feira (11). O local recebeu hoje a primeira vistoria, após ter sido reaberto para uso da população, no fim de janeiro.

De acordo com o Secretário Municipal de Saúde, Amarildo de Sousa, o carrapato-estrela coletado será enviado para um laboratório, que vai analisar se ele está contaminado.

Em agosto de 2018, o parque foi interditado após o município registrar três mortes pela doença e mais de cinco casos suspeitos, todos envolvendo pessoas que frequentaram o parque.

Segundo Amarildo, a Secretaria de Saúde tem feito um monitoramento constante da doença na cidade, e tem reforçado a ação de prevenção.

“A incidência do carrapato aumenta de abril a agosto. Por isso nos antecipamos as ações de prevenção e fizemos a primeira vistoria no parque. Fizemos a coleta do carrapato e vamos analisar. Na semana que vem vamos instalar por todo o parque placas educativas e também vamos continuar com as ações de panfletagem nas áreas ribeirinhas”, destacou o secretário.

Ainda segundo Amarildo, as vistorias também serão realizadas nos campos de futebol que foram também interditados no ano passado.

Interdição

A reabertura do parque da ilha foi recomendada pelo setor de Vigilância em Saúde, após realizada uma vistoria que constatou baixa incidência do carrapato no local. Depois de a recomendação ser acatada por uma comissão, composta por várias secretarias, a Prefeitura deu início à revitalização do espaço.

Alguns frequentadores aproveitaram a reabertura para voltar ao parque e praticar esportes na pista de skate. Conforme informado pelo Secretário de Saúde, Amarildo Santos, apesar da liberação do espaço a preocupação com a febre maculosa continua. “Os hospedeiros continuam aqui e Minas Gerais é uma área endêmica. Então, o sinal de alerta é constante”, disse o secretário.

As trilhas que existem no local continuam interditadas e serão extintas devido à proximidade com o Rio Itapecerica, onde estão as capivaras, um dos hospedeiros do carrapato-estrela. Uma equipe de agentes de endemias orientou a população sobre as mudanças e o que fazer caso encontre um carrapato ou apresente sintomas da doença.

Carrapato transmissor da febre maculosa é encontrado no Parque da Ilha em Divinópolis

Carrapato transmissor da febre maculosa é encontrado no Parque da Ilha em Divinópolis

Além disso, a diretora de Vigilância em Saúde, Janice Soaresa, afirmou que o Município pretende cercar o parque para evitar o acesso das capivaras.

“A comissão avalia o cercamento respeitando o fluxo gênico das capivaras, já que elas precisam ter um espaço para transitar na beira do rio. Nossa intenção é que elas não tragam os carrapatos para o parque, assim fica mais fácil controlar a incidência sem interferir no ecossistema da capivara”, afirmou.

A escola estadual Professor Darcy Ribeiro, ao lado do Parque da Ilha, que também havia sido interditada, não voltará a receber os alunos. De acordo com a secretária de educação, Vera Prado, as aulas estão mantidas em uma escola estadual, até que uma nova sede da escola Darcy Ribeiro seja construída.

O órgão explicou que o Parque da Ilha permaneceria interditado porque a vistoria feita no final de outubro ainda detectou a presença de muitos carrapatos. A situação ainda é considerada de alerta no município.

Parque da Ilha foi interditado após carrapatos serem encontrados no local  — Foto: Prefeitura de Divinópolis/ Divulgação

Parque da Ilha foi interditado após carrapatos serem encontrados no local — Foto: Prefeitura de Divinópolis/ Divulgação

Prevenção

Desde que surgiram as primeiras confirmações de febre maculosa em Divinópolis, a Prefeitura iniciou uma série de medidas de combate e prevenção à doença.

Desde agosto, áreas propícias à proliferação do carrapato, como campos de futebol e o próprio Parque da Ilha, foram interditados. Além disso, equipes de dedetização foram enviadas para diversos pontos do município e foi desenvolvido um trabalho de esclarecimento sobre a doença.

Uma comissão para definir as ações contra a proliferação do carrapato-estrela também foi criada. Com isso, desde outubro, as desentediações começaram a ser feitas e o surgimento de novas notificações reduziu. O último caso confirmado da doença é do dia 12 de novembro, conforme a Semusa.

Infestação de escorpiões assusta moradores em Santa Rita do Passa Quatro: ‘risco muito grande’

Moradores de Santa Rita do Passa Quatro (SP) estão assustados com o excesso de escorpiões que invadem as casas no Jardim São Vicente na região do cemitério.

Segundo o Departamento Municipal de Saúde, o período de calor e de chuva favorecem a proliferação desses animais.

A prefeitura informou que os moradores estão recebendo orientações e que irá dedetizar toda a região do cemitério até a próxima semana.

Rotina

Moradores estão assustados em Santa Rita do Passa Quatro — Foto: Wilson Aiello/EPTV

Moradores estão assustados em Santa Rita do Passa Quatro — Foto: Wilson Aiello/EPTV

Virou rotina no dia a dia dos pintores Márcio Luiz Duarte e Fernando Henrique da Silva encontrar escorpiões durante o período de trabalho. Eles contaram que já capturaram mais de 100 e alguns deles estão vivos dentro de um pote.

Com o aparecimento de tantos escorpiões na casa onde trabalham, eles investigaram o foco e perceberam que os bichos saem do muro que faz fundo com o cemitério.

“Não dá para trabalhar, tem que ficar toda hora atento. Não dá para colocar a mão na madeira porque não sabe onde [o escorpião] está. O risco é muito grande”, disse Duarte.

Os moradores estão revoltados e colecionam potes com grandes quantidades de escorpiões encontrados na casa deles.

“Foi na cozinha, na área de serviço, até na minha clínica que fica no fundo foram capturados alguns”, disse a podóloga Valdejaíra Boarato Cabral.

Moradores colecionam escorpiões mortos em potes — Foto: Wilson Aiello/EPTV

Moradores colecionam escorpiões mortos em potes — Foto: Wilson Aiello/EPTV

A dona de casa Simone Andreghetto precisou tirar cortinas, cobertores e tapetes para evitar que os animais peçonhentos se escondam. Ela espera que alguma providência seja tomada.

“Até agora ninguém apareceu, falam que está tudo em ordem, mas até agora nada [resolvido]”, disse a dona de casa.

Moradores do Jardim São Vicente temem infestação de escorpiões — Foto: Wilson Aiello/EPTV

Moradores do Jardim São Vicente temem infestação de escorpiões — Foto: Wilson Aiello/EPTV

Estudante encontra barata em comida no Restaurante Universitário da UFG

O estudante Alexandre Dias encontrou uma barata em um prato de comida no Restaurante Universitário (RU) do Campus I da Universidade Federal de Goiás, localizado no Setor Leste Universitário, em Goiânia. Alexandre, que cursa engenharia mecânica, disse que percebeu o inseto no meio da comida ao mexer no macarrão. Segundo ele, o alimento estava “grudento”.

“Sentei para comer e percebi que o macarrão estava grudento. Quando mexi, vi o que parecia ser uma barata. Mostrei para meus colegas e eles falaram que realmente era uma barata. Todos nós empurramos nossos pratos para longe. Senti muito nojo”, disse.

Um colega de Alexandre decidiu tirar uma foto do prato com a barata e postar nas redes sociais, o que fez com que dezenas de alunos solicitassem um posicionamento da universidade.

A secretaria de comunicação da UFG informou, no dia 3 de abril, por meio de nota, que “a comissão de fiscalização do Restaurante Universitário já está ciente e irá apresentar denúncia ao gestor do contrato, que irá notificar a empresa [responsável pelo restaurante]” (veja nota na íntegra ao final da reportagem).

G1 enviou e-mail à UFG nesta terça-feira (9) para saber se a empresa foi notificada e aguarda retorno.

Mudanças

No dia em que encontrou a barata na comida, Alexandre decidiu levar o prato até a nutricionista do RU. Segundo ele, a profissional perguntou o que poderia ser feito para amenizar a situação e disse que iria marcar uma reunião com os funcionários do restaurante para falar sobre cuidados com higiene e limpeza.

O estudante disse que, desde então, parou de comer no RU. “Depois disso, já ouvi relatos de outros alunos que acharam larvas nas verduras, no arroz. Agora estou trazendo comida de casa”.

Nota da UFG

“A Universidade Federal de Goiás informa que já entrou em contato com a empresa Nutrir, responsável pelo restaurante, e que está cobrando respostas sobre o fato. A empresa informou que em todo início de mês é feito dedetização do ambiente. Além disso, informou que os ralos são protegidos e não houve detecção de insetos em observações. A comissão de fiscalização do Restaurante Universitário já está ciente e irá apresentar denúncia ao gestor do contrato, que irá notificar a empresa”.

Saúde orienta como evitar a proliferação de escorpiões

A melhor forma de afastar a possibilidade de acidentes com escorpiões é evitar que se proliferem nas residências e áreas urbanas. A Secretaria de Estado da Saúde orienta a população sobre os cuidados que devem ser tomados para coibir que a população desses animais cresça. As principais medidas são organizar o quintal e mantê-lo limpo, remover entulhos e sobras de construção, e fechar frestas, colocando telas nos ralos e nas janelas.

Outras recomendações são usar sacos de areia nos vãos das portas e não deixar expostos resíduos orgânicos, já que atraem baratas, um dos alimentos para os escorpiões.

O coordenador do Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos e Venenosos, Emanuel Marques da Silva, explica que, mesmo de forma involuntária, o homem auxilia na dispersão de uma espécie. “Houve uma situação em que recebemos de uma moradora de Curitiba um escorpião nativo do Peru que ela capturou dentro de seu apartamento. Como ela estava de férias naquele país, provavelmente o animal encontrou sua mochila aberta, se alojou por lá e foi trazido para o Curitiba sem que ela percebesse”, disse.

Silva destaca que para evitar escorpiões, aranhas-marrons e outros animais é preciso eliminar os chamados 4As: abrigo, acesso a este abrigo, alimento e água. “Se nós mudarmos qualquer um destes As, nós teremos um impacto importante sobre a população destes animais. Se o homem é capaz de produzir um ambiente favorável para o escorpião dentro de seu ambiente domiciliar, ele também é capaz de alterar esse ambiente, não deixando-o mais favorável”.

Este é um trabalho que, acrescenta, a Secretaria de Saúde tem feito ao longo dos anos, capacitando os técnicos dos municípios para que orientem a população no controle da proliferação do escorpião amarelo, de forte veneno, e responsável pela maior parte dos acidentes no Estado. Esta espécie não é nativa. Foi introduzida no Paraná antes dos anos 90 por meio do transporte passivo destes animais, que se escondem em vãos de lenhas, tábuas e outros materiais, e assim são levados para outros municípios, estados ou até países.

CONTROLE – A Secretaria de Estado da Saúde tem acompanhado a dispersão de escorpiões nos municípios dentro do Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos e Venenosos. Em 2018, foram registrados 3144 acidentes – a maior parte no Norte, Oeste e Noroeste do Estado. Das 22 Regionais de Saúde, os maiores números de ocorrências foram registrados nas regionais de Paranavaí (518 casos) e de Maringá (762 casos, 223 deles somente no município de Colorado). Na regional de Curitiba, houve ocorrências na Capital e em Pinhais. Desde o início deste ano até dia 5 de março, foram registrados 456 casos em todo o Estado.

Segundo o coordenador do Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos e Venenosos, o controle químico não funciona com os escorpiões. “Se funcionasse, não teríamos no Brasil mais de 120 mil acidentes com escorpiões em um ano, número registrado em 2018”, disse.

De acordo com ele, não existe sazonalidade na maior parte dos estados. “O Paraná tem uma sazonalidade maior pois temos um período frio em que o animal diminui seu metabolismo e fica escondido. Ele sai do esconderijo quando há calor. Por isso, no verão aumenta o número de acidentes”.

Quanto ao controle, há uma crença de que criar galinhas no quintal pode eliminar escorpiões, que são alimento destas aves. Silva esclarece que essa informação não é verdadeira, pois as galinhas se recolhem para dormir no entardecer, enquanto o escorpião é um animal de hábitos noturnos, que sai de seu esconderijo após escurecer.

“Ele até é encontrado durante o dia em caso de infestações grandes e nisso a galinha pode comer um ou outro, mas não vai controlar a quantidade enquanto o ser humano não alterar o ambiente favorável para o escorpião”, explica.

INFESTAÇÃO – No caso desta espécie, há dois fatores que contribuem para uma infestação. Trata-se de um animal com grande capacidade de adaptação aos ambientes alterados pelo homem, em especial o ambiente urbano. Isso favorece para que ele se reproduza de forma mas eficaz.

Além disso, o escorpião amarelo não precisa de um casal de animais para se reproduzir, bastando uma fêmea para gerar filhotes (reprodução por partenogênese). “Cada filhote que nasce, quando instalado em um ambiente favorável, vai crescer e gerar novos filhotes quando tiver em torno dos nove meses de vida. Com isso, temos um processo de infestação de forma rápida, pois esse escorpião é capaz de gerar de duas a quatro crias por ano, com 20 filhotes em média, podendo ter mais de 80 filhotes em um ano, de uma única fêmea”, alerta o biólogo.

CAPTURA – Caso seja encontrado um escorpião em uma residência, ele deve ser capturado ou abatido. É preciso tomar muito cuidado ao capturar um escorpião vivo, pois ele pode se movimentar rapidamente durante uma fuga e se esconder. O ideal é empurrá-lo para dentro de um pote, que será fechado com tampa. Em seguida, este escorpião deve ser levado à Secretaria Estadual de Saúde para identificação. Assim será possível avaliar o risco que aquele animal representa para a saúde e tomar as providências para reduzir sua ocorrência.

PICADA – Em caso de uma picada, deve-se procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima o mais rápido possível, principalmente em caso de crianças, para que os danos causados pelo envenenamento sejam minimizados pelo tratamento. O soro antipeçonhento é disponibilizado apenas na Rede SUS.

A picada de um escorpião causa dor imediata, podendo irradiar para o membro e ser acompanhada de adormecimento, vermelhidão e suor. Podem surgir suor excessivo, agitação, tremores, náuseas, vômitos, salivação excessiva, dentre outros sintomas mais graves. “Como se sente a dor logo após a picada, normalmente você vai ver o animal que picou e saber que foi um escorpião. O perigo que temos com as crianças pequenas é que se elas forem picadas, vão sentir a dor, chorar e não vão saber que bicho picou, por isso é importante monitorar a presença deste animal na sua propriedade”, alerta Emanuel.

Menino morre ao ser picado por escorpião em Votuporanga

Um menino de 8 anos morreu na madrugada deste domingo (10) ao ser picado por um escorpião na casa onde morava, em Votuporanga (SP). A informação foi confirmada pela Santa Casa, que fez o atendimento.

De acordo com o hospital, a criança deu entrada no pronto-socorro no sábado (9), por volta das 21h15. O garoto passou por atendimento, mas não resistiu ao veneno da picada e morreu às 3h deste domingo.

Simon Davi otellado Gomes foi levado por vizinhos e familiares até a Santa Casa da cidade. O corpo dele foi velado e enterrado neste domingo, no cemitério municipal de Votuporanga.