Chegada do verão aumenta a incidência de pragas em casa

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São Paulo, SP, Brasil, 30-11-2017: Daniela Ribeiro, 36, produtora cultural. (Foto: Alberto Rocha/Folhapress) ** SOBRE TUDO **

Chegou a época de inseticidas, chineladas na parede e armadilhas caseiras. Com as temperaturas mais altas, há um aumento no número de pragas urbanas, especialmente dos insetos. Mas cuidado: resolver o problema com as próprias mãos nem sempre é a melhor solução.

As pragas são todos os organismos que podem causar danos à saúde do homem e de animais domésticos ou prejuízos econômicos a uma família, diz Patrícia Thyssen, professora do departamento de biologia da Unicamp.

Mosquitos, escorpiões, pombos, roedores, abelhas e vespas foram os principais “animais sinantrópicos nocivos” –aqueles que vivem em um ambiente modificado pelo homem– encontrados em São Paulo nos últimos anos, de acordo com o Centro de Controle de Zoonoses, ligado à Secretaria Municipal de Saúde da capital.

Em comparação com o ano passado, não houve um aumento significativo na incidência dessas espécies, segundo o órgão. “Não tivemos temperaturas tão elevadas quanto em anos anteriores, como 2015, ou chuvas muito intensas”, diz Thyssen.

Os insetos não têm controle sobre suas temperaturas corporais, que variam de acordo com o ambiente. Climas quentes aceleram o metabolismo desses animais, que crescem e se reproduzem de forma mais rápida.
Pombos, ratos e outras pragas são frequentes durante todo o ano, como lembra o biólogo Sérgio Bocalini, vice-presidente da Aprag (associação de controladores de pragas urbanas).

PREJUÍZO

As pragas são nocivas de diferentes formas. No quesito prejuízo financeiro, o maior vilão é o cupim, que pode destruir construções, móveis e até livros. Os tipos de madeira seca e subterrâneo são os mais comuns nas casas.
As revoadas de reprodução do inseto, quando vemos aleluias voando ao redor de lâmpadas, acontecem perto do verão. Depois, eles perdem as asas e constroem colônias em objetos de madeira.

“É uma praga silenciosa”, explica Bocalini. “Como não se expõe a ambientes abertos, senão morre, o processo de infestação não é percebido.” O segredo é monitorar se há túneis nas paredes, grânulos (fezes do cupim) perto dos móveis e checar se a madeira está fina ou oca.

São Paulo, SP, Brasil, 30-11-2017: Gilberto Vessoni, 49, advogado. (Foto: Alberto Rocha/Folhapress) ** SOBRE TUDO **

O advogado Gilberto Vessoni, 49, só descobriu que a edícula atrás de sua casa, na Vila Madalena (zona oeste de São Paulo) estava infestada de cupins quando foi reformar o imóvel, que pertence à família há mais de 40 anos.

“Quando olhava de baixo, o forro de madeira parecia inteiro”, conta. “Mas, quando o tiramos, vimos que estava fino como uma folha de papel.” As estruturas de madeira que sustentavam as telhas também estavam finas e infestadas de cupim.

O material foi substituído por lajes de concreto e novas estruturas de sustentação. Agora, ele descupiniza o lugar a cada dois anos.

RISCO À SAÚDE

Baratas, mosquitos, ratos e pombos, por sua vez, são perigosos pelo potencial de transmissão de diversas doenças ao homem.

A produtora cultural Daniela Ribeiro, 36, sofreu com uma infestação de francesinhas (baratas pequenas) logo depois de reformar seu apartamento de 43 metros quadrados, nos Campos Elíseos (região central).

Chamou empresas de desinsetização, com as quais gastou mais de R$ 1.500, uma bióloga e um químico, mas a praga continuava a importuná-la. “Não comia mais em casa e até colocava veneno em volta do sofá para conseguir dormir em paz”, conta. “Tinha crises de pânico, não queria voltar para casa.”

Após dois anos de estresse, decidiu chamar um pedreiro e descobrir de uma vez por todas a origem da infestação. O ninho de baratas foi encontrado entre o exaustor e o armário da cozinha. “Joguei toda a comida guardada fora e algumas louças”, diz. “Agora, dedetizo tudo a cada seis meses, até me acostumei ao cheiro do veneno.”

Dos animais nocivos à saúde, o escorpião, cuja picada é venenosa, é um dos que têm sido cada vez mais encontrados nas cidades, observa Bocalini. Ele aponta a expansão de áreas urbanas e o aumento da temperatura global como fatores que favoreceram o crescimento.

LIMPEZA AJUDA, MAS NA MAIOR PARTE DOS CASOS SÓ DESINSETIZAÇÃO RESOLVE

Alguns cuidados ajudam a evitar pragas dentro de casa. Manter a higiene dos ambientes em dia, tampar lixeiras, aplicar telas nas janelas, vedar frestas de paredes e instalar ralos que abrem e fecham são alguns deles, lista o biólogo Randy Baldresca.

Mesmo assim, a desinsetização deve ser feita pelo menos uma vez ao ano, segundo ele. De preferência, antes do verão. É preciso escolher empresas com licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária.
Nos condomínios, o síndico é responsável pelo combate às pragas. A cada seis meses, ele deve solicitar a desinsetização de áreas comuns.

A recomendação é que, cerca de 15 dias antes de o serviço ser realizado, os moradores sejam informados sobre a intervenção, já que o procedimento envolve produtos tóxicos, lembra Rosely Schwartz, professora de administração de condomínios da Escola Paulista de Direito.

Os pombos são pragas comuns em áreas de lazer do prédio. Para evitá-los, a dica é não alimentá-los e recolher sobras de comida do chão. Nada de envenenamento: o animal não pode ser morto sem a autorização de órgãos ambientais. A solução é contratar uma empresa para remanejar os bichos, retirando fontes de alimento e abrigos.

Dentro de casa, o combate é de responsabilidade de cada morador. Caso o imóvel seja alugado, os gastos com desinsetização podem ser negociados com o proprietário.

“É responsabilidade do locador, especialmente se for um vício anterior ao contrato. Se o problema surgiu durante o período de aluguel, o inquilino pode ser responsabilizado”, diz Armando Rovai, professor de direito empresarial da Mackenzie.

Ele recomenda que, antes de alugar ou comprar um imóvel, o espaço seja vistoriado por um engenheiro civil ou técnico em edificações.

Além das empresas de desinsetização, o Instituto Biológico do Estado de São Paulo e a Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde) do município podem ser acionados em caso de infestação.

O primeiro realiza visitas técnicas, emite laudos e recomenda formas de controlar a infestação. O serviço deve ser agendado, e a visita é cobrada (o valor depende do tamanho do imóvel). Já a Covisa pode ser acionada, por exemplo, para remover colmeias e controlar infestações de roedores, mosquitos e morcegos em áreas públicas.

OS INVASORES
Principais pragas domésticas

NA COZINHA
A barata de esgoto, tipo mais comum em áreas urbanas, adora lixeira aberta e restos de comida. O inseto tem hábitos noturnos, então se for visto durante o dia é sinal de que pode ter uma infestação no lugar. Como circula em ambientes sujos, pode causar danos à saúde dos moradores, como intoxicação alimentar. Para matá-las, é preciso usar tipos diferentes de veneno a cada dedetização, porque a barata pode “aprender” que se trata de veneno e evitar o lugar.

NA SALA
O cupim de madeira seca e o subterrâneo aparecem com mais frequência nas residências. O primeiro alimenta-se de madeira, e o segundo ataca também todos os materiais com celulose, como papelão, forros e livros. Os insetos não causam prejuízos à saúde, apenas danos econômicos, já que podem destruir construções. Como é uma praga silenciosa, é preciso inspecionar se há túneis nas paredes e grânulos próximos a móveis de madeira e bater na mobília para checar se está fina ou oca.

NO QUARTO
Os pernilongos (Culex) e o mosquito Aedes aegypti são os mais comuns. Apenas o segundo transmite doenças, como dengue e febre amarela. O primeiro tem hábitos noturnos, e o segundo, diurnos. Tampar ou limpar recipientes que acumulam água são os principais cuidados para evitar infestações.

NO BANHEIRO
O escorpião tem sido cada vez mais encontrado em áreas urbanas e dentro de casa. A picada do artrópode é venenosa e dolorida. Para evitá-lo, a dica é fechar ou tampar ralos internos ao entardecer, colocar telas em ralos na área externa, vedar frestas em paredes e pisos e não acumular entulho.

NO QUINTAL
Os ratos aparecem o ano inteiro, mas em épocas chuvosas podem fugir dos bueiros e entrar nos quintais. É um animal de hábitos noturnos, então se for encontrado circulando durante o dia não é um bom sinal –pode haver uma infestação no local. Transmite doenças como leptospirose, dermatite e tifo. Deixar ambientes organizados e limpos, para que não haja esconderijos, e selar portões e janelas são recomendações para mantê-los longe de casa.

EM TODO LUGAR
A formiga-carpinteira ou fantasminha (corpo marrom claro) e a de açúcar (2 mm) são as mais comuns nas residências. Elas podem carregar algumas bactérias e fungos. A carpinteira pode se alojar em aparelhos eletrônicos e danificá-los. Encontrar o ninho da praga e aplicar inseticida é a melhor forma de combatê-la.

Fontes: Patrícia Thyssen, professora da Unicamp, Sérgio Bocalini, vice-presidente da Aprag (associação de controladores de pragas) e Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde). (Folha de São Paulo)

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