Professores e alunos passam mal depois de dedetização em escola de Viana

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Professores, funcionários e alunos da Escola Fundamental I Marcílio de Noronha, localizada no bairro de mesmo nome, em Viana, passaram mal depois de uma dedetização e desratização no último dia cinco. Desde a última segunda-feira (7), foram registradas diversas reações ao veneno, desde dor de cabeça, enjoo, vômitos, coceiras, surgimentos de manchas vermelhas e inchaços. Seis professores precisaram ser medicados na unidade de Pronto-atendimento do município. Um deles, inclusive, estaria repetindo exames nesta quinta-feira (10) num hospital. Há relatos, ainda, de que as crianças do 1º ao 5º ano que passaram mal foram dispensadas sem que os pais tivessem uma explicação sobre o ocorrido na unidade de ensino.
Na quarta-feira (9), ainda sem as aulas suspensas, foi preciso chamar uma ambulância do Samu para socorrer uma docente que teve outra crise alérgica na sala de professores, com sintomas de sufocamento. Depois do episódio, a Secretaria de Educação de Viana, que já sabia da situação desde a manhã de segunda-feira (7), resolveu enviar técnicos da Vigilância Sanitária, da Secretaria de Saúde do município, para verificar a situação. Foi constatado que ainda havia vestígios de veneno e, assim, foi decidido cancelar as aulas nesta quinta-feira (10), com retorno na segunda (13).
Demora
A dedetização foi realizada no sábado. Há relatos de que, na segunda-feira (10), a escola ainda estava com forte odor de veneno e que as funcionárias tiveram que fazer a limpeza antes do início das aulas, marcado para as 7 horas.
De acordo com a diretora de organização do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), que atua na área de Viana, Dorzilia Vaz, houve demora para o cancelamento definitivo das aulas, o que permitiu que alunos, funcionários e também as crianças ficassem expostas ao veneno.

Dorzilia explicou que, quando professores e alunos começaram a chegar na segunda-feira (7), alguns já começaram a passar mal de imediato. Seis docentes tiveram que ser levados para atendimento na unidade de Pronto-Atendimento. Depois do ocorrido, a direção resolveu dispensar as crianças. No entanto, as aulas retornaram na terça e prosseguiram na quarta-feira.

Segundo informações, representantes da Secretaria de Educação de Viana logo foram alertados sobre a situação, mas deixaram para que a diretora da unidade tomasse uma decisão sobre suspensão ou não das aulas, apesar de não ser técnica no assunto para identificar perigo à comunidade escolar com a exposição aos vestígios de veneno.

“A escola deveria ter sido fechada na segunda-feira mesmo. E a Secretaria de Educação de Viana deveria ter enviado de imediato um técnico para avaliar a situação. Isso só foi acontecer na quarta. Vamos analisar com o Jurídico do Sindicato se a prefeitura pode ser responsabilizada. Algumas crianças chegaram a vomitar”, explicou Dorzilia.  Segundo a diretora do Sindiupes, nesta quinta-feira (10), a escola estava sendo lavada novamente. Funcionárias da limpeza também chegaram a passar mal, sem serem dispensadas do trabalho.
Professores preferiram não passar informações, temendo represálias. No entanto, o Sindiupes e lideranças comunitárias de Viana foram acionadas. As informações são de que a direção da escola e a própria Secretaria de Educação de Viana fizeram de tudo para “abafar o caso”. Segundo esses relatos, os pais não foram informados, de fato, sobre o que ocorreu na escola. “As crianças foram dispensadas e disseram que era porque estavam “enjoadinhas”. Teve mãe que, depois de tomar conhecimento dos fatos por outras pessoas, foi descobrir porque o filho tinha reclamado de dores de cabeça”, disse uma fonte ligada à comunidade escolar, que preferiu o anonimato.
A Secretaria de Educação de Viana se manifestou por meio de nota, informando que “todos os protocolos e providências com relação à dedetização e desratização foram realizados. Todos os profissionais que relataram algum tipo de sintoma foram encaminhadas para atendimento médico no início da semana e passam bem. Nenhum aluno apresentou sintomas. A Vigilância Sanitária orientou e acompanhou toda a higienização do espaço e estão dedicados à coleta de dados e investigação dos sinais e sintomas para, assim, concluir a análise técnica. As aulas serão retomadas normalmente na segunda-feira, sem prejuízo ao calendário escolar”.

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