Período crítico de escorpiões, que vai de dezembro a março, causa medo

O aparecimento de escorpiões em diversas regiões da cidade está assustando moradores de Belo Horizonte

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O aparecimento de escorpiões em diversas regiões da cidade está assustando moradores de Belo Horizonte. Há dois meses, a jornalista Simone Guedes encontrou três bichos em seu apartamento, no bairro Castelo, na região Noroeste. “Eu acordo olhando para o chão, de tanto medo”, disse. Ao lado do prédio onde ela mora, há um lote vago, de onde ela supõe que saiam os escorpiões. “Por isso, nem abro as janelas mais”, afirmou.

Do outro lado da cidade, no bairro Buritis, na região Oeste, a administradora Débora Dolabella também encontrou escorpiões na garagem e na escada do prédio onde é síndica. “Ficamos muito assustados”, contou.

Nos dois casos, não houve vítimas. Porém, o número de pessoas picadas por escorpião tem se multiplicado não apenas na capital, mas em todo o Estado, que é o campeão nacional de acidentes com picada do animal, como mostra levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Entre 2007 e 2014 – último ano com estatísticas fechadas –, o número de registros de acidentes com picadas de escorpião em Minas Gerais mais do que dobrou, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), do Ministério da Saúde. Foram 8.393 casos em 2007 e 19.441 em 2014, alta de 131%. Em 2015, há dados apenas até 2 de outubro, com 12.117 registros.

A médica Patrícia Drumond Ciruffo, do Centro de Intoxicações do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, referência de atendimento nesses casos, alerta que o período de maior risco está começando agora. “Belo Horizonte tem escorpião o ano inteiro. Só que, na época de chuva e de calor, o número aumenta. Nesta época, o que já é intenso piora”, disse.

O gerente de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Eduardo Viana, afirmou que ainda não houve aumento no registro de casos, mas alertou que o período mais crítico é entre dezembro e março. “Os escorpiões são desalojados pelas chuvas e procuram novos abrigos”, contou. Segundo ele, a prefeitura mantém ações regulares de orientação à população e limpeza de córregos e ruas.

Prevenção. A coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fiocruz, Rosany Bochner, diz que a melhor forma de prevenção é eliminar o alimento (baratas e outros insetos), o abrigo (locais com acúmulo de entulho e lixo) e o aceso do escorpião, vedando portas e ralos.

É importante também inspecionar roupas e calçados antes de usar. “São muito comuns casos de picadas de animais que estavam nos sapatos, nos bolsos, na roupa de cama ou na toalha”, afirmou.

Tamanho

Veneno. Ao contrário do que o senso comum indica, os escorpiões mais perigosos e com o veneno mais potente são os de menor tamanho. Quanto maior o animal, menos peçonhento ele será.

ALERTA

Metade das vítimas tem menos de 9 anos

As crianças são o principal grupo de risco para picadas de escorpião. Entre 2007 e 2015, Minas Gerais teve 206 mortes registradas por este motivo. Entre as vítimas, 112, ou 54%, eram menores de 9 anos. A médica Patrícia Drumond Ciruffo, do hospital João XXIII, explica que o peso corporal menor faz o veneno circular mais rápido e facilita sua ação.

Em caso de picada, ela recomenda que todas as pessoas – principalmente as crianças – sejam levadas à unidade de saúde mais próxima. “Qualquer picada é séria, não importa a parte do corpo, já que o veneno cai na corrente sanguínea. Por isso, a velocidade no tratamento é fundamental”, disse.

Apenas o João XXIII tem o soro antiescorpiônico na capital, mas ele não é necessário em todos os casos. O essencial é ser avaliado rapidamente, em posto ou em Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Se necessário, o paciente será encaminhado, de ambulância, ao hospital. (APP)

Dedetização de imóveis não resolve problema

Dedetizar a casa ou o prédio é uma das primeiras providências que passam pela cabeça de quem encontra um escorpião. Mas a medida não é eficaz, de acordo com especialistas. “O Ministério da Saúde não recomenda”, diz o gerente de Zoonoses da capital, Eduardo Viana.

A coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fiocruz, Rosany Bochner, também diz que não há venenos que, comprovadamente, eliminem o escorpião. “Os produtos desalojam, mas não matam”, diz. Ambos apontam a limpeza de imóveis e lotes como a medida mais eficaz de combate. (APP)

TELEFONES ÚTEIS

Prefeitura. A Zoonoses recomenda que ocorrências relacionadas a escorpiões sejam relatadas pelo número 156.

Vistoria. O órgão diz que, em dez dias úteis, vai até o local avaliar o risco e propor mudanças estruturais.

Orientações. O hospital João XXIII também fornece orientações a leigos e profissionais de saúde sobre o escorpião.

Números. O atendimento é feito pelos telefones (31) 3224-4000, 3239-9308 e 3239-9380, além do 0800-722 6000.

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