Rondônia registra três casos de raiva em 2017 e Idaron alerta para riscos do ataque de morcegos

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A Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) alerta pecuaristas sobre o ataque de morcegos hematófagos (Desmodus rotundus) ao gado bovino nas propriedades rurais do estado, que podem transmitir raiva aos animais. No ano passado, o órgão confirmou três casos positivos da doença em Porto Velho, Novo Horizonte do Oeste e Ariquemes. Em todo o país, foram registrados 807 casos de raiva.

De acordo com a Idaron, o material é coletado regularmente para exames em casos de suspeita de raiva. Em 31 visitas no ano passado, as equipes fiscalizadoras capturaram com redes 101 morcegos hematófagos.

“Nosso pessoal está em campo nas 84 unidades no estado, fazendo o cadastramento de abrigos e capturando morcegos que se alimentam de sangue”, informa o médico veterinário Dalmo Bastos Sant’Anna, coordenador do Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros.

Morcegos hematófagos são encontrados desde o norte do México até o norte argentino, algumas ilhas do Caribe e em regiões com altitude média abaixo de 2 mil metros. No mundo, apenas três espécies de morcegos possuem hábito alimentar hematófago (Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus youngi), todos encontrados também no Brasil.

Esses morcegos transmitem a doença ao morderem bovinos, cães, gatos, búfalos, burros, cabritos, mulas, ovelhas, porcos, entre outros animais silvestres raivosos, aos quais contaminam com o vírus presente em sua saliva.

O ser humano contrai a raiva pela saliva de num animal doente. A mordedura é a forma mais comum de contaminação, mas a doença também chega por arranhões e lambidas em ferimentos na pele ou nas mucosas da boca, nariz e olhos.

Há mais de 160 morcegos conhecidos no Brasil e aproximadamente 900 espécies no mundo.

Controle
O Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros, voltado especificamente para capturar e estudar esse mamífero com asas, principal transmissor da raiva a esses animais, faz a coleta do material do animal atacado e constada o real motivo da morte.

Em 2017, as mais de 300 lojas de produtos veterinários em Rondônia venderam 4,54 milhões de doses de vacina antirrábica. A dose (2 ml) custa apenas R$ 1, a vacinação é opcional, mas a notificação da raiva é compulsória.

“Vacinar todo o rebanho garante a sanidade. Um animal morto em consequência da raiva, digamos, é R$ 2 mil a menos no ganho do criador”, comenta o médico veterinário Dalmo Bastos Sant’Anna coordenador do programa.

Depois da primeira vacinação, aplica-se a segunda dose um mês depois e essa prática depois pode se tornar anual. Dalmo Sant’Anna recomenda aos pecuaristas que apliquem a vacina antirrábica na mesma ocasião em que cumprirem a vacinação contra a febre aftosa.

Controlando-se o transmissor, diminuem os ataques, alerta o médico. Mas ele explica que nem todo morcego está contaminado e pequena proporção tem o vírus.

Sintomas da doença
Quando bovinos ou equídeos (burro, cavalo, égua, jumento e mula) estão doentes, estes são os principais sintomas:
● Isolamento do restante do rebanho
● O animal parecer sonolento
● O animal parecer engasgado
● Quando apresentar salivação e agressividade
● Dificuldade em urinar e defecar
● Andar cambaleante
● Apresentar paralisia dos membros posteriores
● Cair e ter dificuldade para levantar

Na maioria das vezes, a morte ocorre entre o terceiro e o sexto dia após o início dos sintomas. Pode haver restos de sangue no pelo do animal, ou até um pequeno ferimento indicando o local onde o morcego mordeu.

Captura
Cada morcego solto, após receber a aplicação da pasta vampiricida, contamina 10 a 20 outros morcegos da mesma espécie, no intervalo de quatro a dez dias, informa o médico.

O método seletivo pode ser direto ou indireto, ensina o manual técnico do Ministério da Agricultura adotado pela Idaron: no direto, há necessidade da captura e aplicação tópica do vampiricida no dorso no morcego.

Ao ser ingerido pelo morcego que entrar em contato, o princípio ativo provocará hemorragias internas, matando-o. Para execução desse método o hematófago deverá ser capturado preferencialmente perto de sua fonte de alimentação (geralmente currais).

Os morcegos Desmodus rotundus poderão ser capturados diretamente no seu abrigo, quando for artificial, e nas proximidades dos abrigos naturais (cavernas e furnas). Excepcionalmente e mediante autorização do Ibama, a captura pode ocorrer no interior de abrigos naturais.

No método indireto não há necessidade da captura. Basta que se aplique a pasta vampiricida ao redor das mordeduras recentes de hematófagos. Outros produtos vampiricidas também poderão ser empregados, e são de especial utilidade na bovinocultura de corte.

Nesses sistemas de controle, são eliminados apenas os morcegos hematófagos agressores. É que, para se alimentar, eles tendem a retornar em dias consecutivos ao mesmo ferimento.

O uso tópico da pasta na agressão deve ser repetido, enquanto o animal estiver sendo espoliado. Essa prática deverá ser realizada pelo proprietário do animal espoliado, sob orientação de médico veterinário. Preferencialmente, no final da tarde, permanecendo o animal no mesmo local onde se encontrava na noite anterior.

Comunicação
Se o sitiante ou fazendeiro notou a existência de morcegos em sua propriedade, certifique à Agência Idaron mais próxima. E vacine uma vez por ano seus animais acima de três meses.
Fale com:
0800 643 4337
0800 704 9944

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