Morto por leptospirose, coreógrafo achou que estava com Chikungunya

Morto por leptospirose na madrugada desta quarta (17), o coreógrafo do FitDance, Cleidson Salustiano Francisco dos Santos, 37 anos, se queixava dos sintomas da doença desde março. Com suspeita de resfriado e até de Chikungunya, Barata, como era conhecido, nem chegou a descobrir a doença que tinha, já que entrou em coma um dia antes e não acordou mais.

O CORREIO conversou com um amigo de Barata, que preferiu ter seu nome preservado. Ele acompanhou o processo de internamentos do coreógrafo. 

Os primeiros sintomas apareceram no dia 31 de março. Com queixas de dor e febre, o coreógrafo procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brotas, onde recebeu atendimento médico, foi medicado e liberado. A suspeita inicial era de virose ou resfriado.

Como não apresentou melhora e a dor piorou, ele retornou à unidade médica no dia 3 de abril. Tomou uma injeção para dor e foi levantada por médicos a hipótese de Chikungunya, mas nenhum exame de sangue chegou a ser feito para comprovar o vírus. O professor de dança seguiu tomando remédios para dor.

O CORREIO teve acesso a uma mensagem enviada por Barata em um grupo de WhatsApp, no dia 6 de abril. No texto enviado para alguns alunos, ele relatou estar infectado pela doença. “Boa noite, galera. Fui diagnosticado com Chikungunya. Estou fazendo tratamento com medicamentos e, se melhorar, já na segunda eu volto direto para a aula”, contou ele, que estava usando remédios para controlar dor e febre. 

Os sintomas da leptospirose e da Chikungunya, segundo o infectologista e professor da Faculdade Bahiana de Medicina, Robson Reis, são parecidos. Segundo ele, ambas as doenças manifestam sintomas como febre alta, dor no corpo e na cabeça. 

No dia 8 de abril, segundo o amigo de Barata, o dançarino já estava sem quadro de febre, mas acordou com muita dor e começou a mancar.

“Na virada para o dia 9 ele começou a soluçar até. Foi aí que ele já precisou ser internado, inconsciente. Daí, ele já não acordou mais”.

O tratamento para a doença só começou, de fato, no dia 10 de abril, quando, ainda na UPA, Barata recebeu o diagnóstico da leptospirose. Essa doença é causada por uma bactéria chamada Leptospira, presente na urina de alguns animais. Embora geralmente associada aos ratos, a transmissão pode ocorrer por contato direto ou indireto também com a urina de outros animais, como bois, porcos, cavalos, cabras e até cães. 

Ao saber do diagnóstico, os médicos indicaram que ele fosse transferido para o Instituto Couto Maia, em Águas Claras, referência no tratamento da doença. “Ele recebeu um atendimento maravilhoso lá, mas desenvolveu insuficiência hepática aguda durante o processo e não resistiu”, conta o amigo do coreógrafo. A morte foi confirmada por volta da 1h da manhã desta quarta.

O CORREIO tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para confirmar as informações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


Barata trabalhava no FitDance há três anos e meio (Foto: Instagram/Reprodução)

Casos de mortes crescem na Bahia
De acordo com o infectologista e professor da Faculdade Bahiana de Medicina, Robson Reis, a leptospirose é transmitida quando a água contaminada pela urina de animais entra em contato com a pele ou mucosas do corpo, como a boca e os olhos. Também é possível ser infectado colocando a boca diretamente em latas de refrigerante antes de lavá-las, por exemplo, e comendo alimentos contaminados – essa forma de contágio, no entanto, é rara.

Na Bahia, com exceção de 2017, os números de contaminados com a doença têm diminuído. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab), em 2015 foram registrados 127 casos da doença no estado. Já em 2016 foram 53, enquanto 2017 apresentou 76 pessoas contaminadas. No ano passado, houve 70 registros de pacientes com a doença na Bahia.

Este ano, em levantamento feito pela Sesab até esta terça (16), a Bahia tinha 47 notificações da doença. Já Salvador, segundo a SMS teve 26 – dados até 12 de abril. A maioria dos casos, segundo Ana Galvão, chefe do setor de informações do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), são nos distritos de Subúrbio Ferroviário, Pau da Lima e Cabula/Beiru.

“Temos três setores prioritários, pela reprospectiva de casos nos últimos cinco anos. Temos as áreas quentes que seriam os distritos do Subúrbio Ferroviário, Pau da Lima e Cabula/Beiru, que tem o maior número de casos”, disse em entrevista à TV Bahia. 

Durante o Outono – estação atual -, os casos aumentam consideravelmente na Bahia e em Salvador em comparação aos demais períodos do ano. Entre 2008 e 2018, a Bahia registrou 1.191 casos da doença, sendo que 478 ou 40,13% foram no Outono. Na capital, o cenário é semelhante: foram 757 casos no total, sendo 297 ou 39,2% no Outono, quando cai maior volume de chuvas na cidade. Os dados são do DataSUS.

Já o número de mortes na Bahia aumentou no período de 2017 a 2018, saltando de seis para nove. Já em Salvador, no mesmo período, houve uma queda na quantidade de mortos por causa da doença, de seis para quatro. Barata é o quarto caso de morte por conta de leptospirose na Bahia em 2019, terceiro em Salvador. O outro óbito foi constatado no município de Boa Nova, no centro-sul baiano.

Ao CORREIO, o infectologista Robson Reis explicou que a doença pode demorar a se manifestar, graças à incubação da bactéria Leptospira no corpo. “A doença pode se manifestar de 1 a 28 dias após o contato com a bactéria. Leptospirose é uma doença que tem cura, tratamento específico com antibióticos e, na maioria dos casos, não causa grandes complicações. Mesmo assim é preciso ficar atento, se mantendo longe de enchentes, esgoto”, explica.

Já de acordo com o coordenador do serviço de infectologia da Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC), Antônio Bandeira, existem dois tipos de leptospirose. “No primeiro, os sintomas se assemelham à dengue. Febre, dor no corpo e na cabeça. Nesse, não há grandes riscos. O problema é quando ela evolui para o segundo estágio, com sintomas parecidos com a hepatite. O paciente apresenta olhos amarelos, insuficiência renal grave e hemorragia pulmonar. Nestes casos, a taxa de morte chega a 10%”, explica. Barata tinha o segundo caso.


Dançarino era torcedor do Bahia e tinha 37 anos (Foto: Instagram/Reprodução)

Tênis molhado
Morador do Vale das Pedrinhas, Barata estudou na Escola de Dança, instituição integrada ao Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Antes de atuar no FitDance, participou do grupo Swing Raça, que participava de eventos de verão na capital baiana. 

Em nota, a assessoria do FitDance descreveu o funcionário como “um cara muito querido, sempre alegre, muito gaiato. Tinha a identidade de comunidade que a FitDance prega, era amigo de todo mundo, muito sorridente e deixará saudade”. Acrescentou ainda que ele fazia questão de participar de todos os eventos da empresa, fossem remunerados ou não.

Barata, que tinha 16 mil seguidores no Instagram, atuava no Centro de Estudos Fitdance há três anos, no núcleo de elaboração de coreografias. Ele também dava aulas em academias particulares da cidade, nos bairros da Paralela, Barra, Costa Azul e Barra, por exemplo.

O coreógrafo, que não deixa filhos, não era casado, mas mantinha um relacionamento de cinco meses com Bruna Sena, que atua como instrutora do FitDance. O corpo do coreógrafo será enterrado nesta quinta-feira (18), às 10h, no Cemitério Campo Santo.

Amigos e familiares do dançarino acreditam que o contato com a água contaminada foi o que causou a leptospirose em Barata. Isso porque, no local onde ele morava, costumava ter casos de alagamentos.

É o que conta o digital influencer Jatel Barbosa, 27, que era aluno de Barata em uma das academias que ele dava aula de dança, na Paralela. Ele conta que seu professor era vaidoso e tinha diversos tênis. Há um mês, ele chegou ao local com um tênis velho e furado, o que chamou a atenção de Jatel.

“Ele me disse que esse era o sapato de chuva dele. Que onde morava no Vale das Pedrinhas e que lá ficava alagado às vezes. Talvez tenha sido aí que ele contraiu a doença. É o que a gente acredita”, relatou.

Jatel conhecia Barata há mais 10 anos. Os dois iniciaram uma amizade em outra academia, no Nordeste de Amaralina. “Barata era uma pessoa incrível, muito descontraída. Para ele não tinha tempo ruim, mesmo em momentos difíceis, brincava com a gente. Ele sempre levava vídeos descontraídos para a gente dar risada na aula”, lembra Jatel.

* Com supervisão e colaboração da subeditora Fernanda Varela

Casos de dengue em Cascavel aumentam 33% em uma semana

Os casos de dengue confirmados em Cascavel, no oeste do Paraná, cresceram 33% nos últimos sete dias, conforme um boletim que foi divulgado nesta quarta-feira (17) pela Secretaria Municipal de Saúde. Na última semana, 69 novos casos foram confirmados.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Cascavel possui 273 casos confirmados de dengue. Outros 704 aguardam resultado, conforme o boletim. O bairro Alto Alegre concentra a maior parte das confirmações, com 121 casos.

Desde o último dia 11, a cidade está passando por um mutirão de limpeza. Nesta terça-feira (16), as equipes recolheram 1,2 mil pneus na região oeste da cidade. 1,7 mil toneladas de lixo também foram descartados pela população na terça, segundo a prefeitura.

Uma morte por dengue foi registrada no início do mês na cidade. Segundo o último Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa), Cascavel corre risco moderado de epidemia da doença.

Dengue no Paraná

Segundo o último Boletim da Dengue da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa), divulgado nesta terça-feira (16), 3.114 casos dengue foram confirmados no Paraná. Cinco pessoas morreram pela doença no Estado.

Londrina, no norte pioneiro, e Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, são as cidades com o maior número de casos de dengue. Londrina possui 584 casos confirmados, enquanto Foz do Iguaçu acumula 332 confirmações.

Centenas de pneus foram recolhidos durante mutirão de limpeza, em Cascavel — Foto: Prefeitura de Cascavel/Divulgação

Centenas de pneus foram recolhidos durante mutirão de limpeza, em Cascavel — Foto: Prefeitura de Cascavel/Divulgação


Bill Gates não tem medo de tubarões (mas não quer ter nada a ver com mosquitos)

Os mosquitos que transmitem malária e outras doenças matam mais pessoas num dia do que tubarões em cem anos. Pelos números, serão 1.470 por dia contra apenas 1.035 a cada cem anos.

Nos últimos anos, Bill Gates tem tentado mudar a falta de exposição pública ao lançar a sua própria Semana do Mosquito em GatesNotes, o seu blog pessoal. A necessidade nunca foi tão urgente: os mosquiteiros e os inseticidas continuam a ser distribuídos para as pessoas nas áreas mais atingidas, mas os mosquitos estão agora a começar a desenvolver resistência a alguns venenos.

“Depois de mais de 15 anos de progresso constante contra a doença, a melhoria está a diminuir”, escreveu Gates, citado pelo Fast Company. “O financiamento para a malária também foi simplificado. Se simplesmente mantivermos as mesmas ferramentas e as mesmas estratégias, o progresso irá parar e a doença poderá regressar. Precisamos fazer mais com o que temos”.

A Semana do Mosquito 2019 concentra-se no motivo pelo qual as doenças causadas por insetos são tão difíceis de deter e três soluções potenciais que podem ajudar: vacinas mais inteligentes, edição de genes de insetos e melhor mapeamento da infeção.

Num vídeo, Gates ressalta que nem todos os mosquitos causam malária, apenas uma espécie chamada anofelino. Mesmo assim, são apenas as fêmeas que mordem.

O maior problema na criação de uma vacina contra a malária é que o vírus em si é o que Gates chama de “metamorfo” – reorganiza a estrutura das suas proteínas de uma maneira que dificulta a criação de uma imunidade. O truque é criar uma imunização que atinja os parasitas iniciais entregues pela primeira mordida antes que gastem tempo suficiente no corpo para começar a evolução de mudança de forma.

Outra resposta poderia ser usar a edição genética para impedir que as espécies nocivas procriem por completo. Os cientistas estão a usar CRISPR para trabalhar em dois conceitos promissores: Há o “X-shredder” (que faz com que todas as crias se tornem masculinas e, portanto, resulta em extinção eventual) e “doublesex gene” (que dá anatomia de fêmeas recém-nascidas que não permite que se reproduzam ou mordam).

Ao introduzir cuidadosamente estes avanços numa população selvagem, os enxames infetados morreriam ao longo das estações de incubação. “A promessa da edição genética é que, em vez de matar um monte de mosquitos indiscriminadamente, poderíamos eliminar apenas os perigosos numa área específica”, refere Gates. “Isso daria tempo para curar todas as pessoas da malária. Poderíamos deixar a população de mosquitos voltar sem o parasita ”.

Mas há muitos exemplos a serem considerados. Os mosquitos podem ser mortais para os seres humanos, mas ainda fazem parte de um ecossistema maior – e embora o objetivo seja apenas editar os genes dos insetos em áreas propensas a doenças, eles voam.

Gates está a apoiar mais um avanço importante para a administração de vacinas e edições genéticas: mapeamento detalhado de áreas propensas a doenças, algo pioneiro com o sucesso inicial do Projeto Atlas da Malária. “Usando as informações que tinham, juntamente com dados sobre as condições locais que afetam a disseminação da malária, o MAP começou a construir modelos de computador que dão uma visão mais clara do que está a acontecer”.

“O que se está a tentar fazer é afunilar a doença e ter um ponto no tempo em que não há nada nos mosquitos e não há nada em humanos”, acrescentou. Mas primeiro, os funcionários do governo, trabalhadores humanitários e investigadores devem estar atentos à necessidade de apoiar estes avanços.

Reunião discute estratégias para utilização de mosquitos geneticamente modificados

Representantes do Ministério da Saúde, técnicos e pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e das secretarias municipais e estadual de Saúde estiveram reunidos nesta terça-feira (16) para discutir estratégias para implementação do projeto que utiliza mosquitos geneticamente modificado para fazer o controle da dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.  Campo Grande é a primeira cidade a integrar a nova fase da pesquisa utilizando mosquito infectado com a bactéria “Wolbachia” capaz de inibir a transmissão das doenças.  Os municípios de Belo Horizonte (BH) e Petrolina (PE) também devem fazer parte do estudo .

Segundo o pesquisador da Fiocruz, Luciano Moreira, o primeiro passo é iniciar um planejamento estratégico que envolve desde a definição territorial e de logística à orientação e consulta popular, seguindo os protocolos éticos pré-definidos.

“Inicialmente é necessário que a população conheça  e entenda qual a finalidade do projeto.  Por isso é necessário que haja uma ampla divulgação em todos os setores, em especial entre as lideranças comunitárias e nas escolas. É preciso ainda difundir sobretudo a ideia de que essa é uma ferramenta a mais no enfrentamento às arboviroses que por sua vez não substituí as demais ações e que não traz riscos de contaminação por outros vírus, questionamento bastante comum”, diz.

O pesquisador explica que simultaneamente a fase de mobilização deve ser iniciada a fase de criação dos mosquitos que devem ser posteriormente soltos na natureza em forma adulta ou de ovos, em pontos considerados estratégicos. A proposta é capturar mosquitos “nativos” que serão encaminhados para um laboratório em Belo Horizonte onde serão infectados com a bactéria e multiplicados para posteriormente serem reintroduzidos.

“Esse mapeamento também deve ser feito nessa fase inicial do projeto. Precisamos saber a áreas mais críticas e com melhor potencialidade para que haja maior eficácia na introdução do mosquito infectado. A Wolbachia é passada naturalmente das fêmeas para os filhotes, o que garante uma autossustentabilidade não sendo necessário a introdução permanente de novos insetos.”, esclarece.

O secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, acredita que é posteriormente é possível se pensar em se criar uma estrutura própria em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, o que tornaria Mato Grosso do Sul referência para os estados e países vizinhos para uma futura difusão desta tecnologia.

“A partir deste estudo, Mato Grosso do Sul pode se tornar referência e quem sabe o caminho seria investirmos em uma biofábrica para que possamos avançar ainda mais”, disse.

A partir da reunião realizada nesta terça-feira está sendo deliberada a criação de um comitê gestor que vai reunir integrantes do Ministério da Saúde, Fiocruz, secretarias municipal e estadual de saúde e será responsável por conduzir os trabalhos.

A expectativa é de que o projeto comece efetivamente na prática ainda no segundo semestre deste ano, dado o cumprimento das fases pré-estabelecidas.

Wolbachia

Wolbachia é uma bactéria amplamente presente entre os invertebrados e pode ocorrer naturalmente em até 60% de todos os insetos do mundo, incluindo borboletas e diversos mosquitos, como o Culex, o comum ‘pernilongo”.

O estudos da introdução da bactéria no Aedes aegypti tiveram início em 2005 na Austrália, onde foi constatado a potencialidade na inibição das arboviroses.

A tecnologia foi introduzida nas pesquisas desenvolvidas pela Fiocruz no Brasil e em 2014 testes foram realizados em Niteroi, no Rio de Janeiro, sendo comprovada a sua eficácia.

Bauru registra mais de 12 mil casos de dengue e lidera ranking nacional, aponta Ministério da Saúde

A Secretaria de Saúde divulgou na tarde desta terça-feira (16) que Bauru já registra 12.361 casos de dengue e lidera o ranking nacional. A cidade já possui o maior número de casos confirmados da doença no país, segundo o Ministério da Saúde.

Nesta semana, foram confirmados mais 2.154 casos. Assim, Bauru contabiliza 12.348 casos contraídos no município e 13 casos importados, totalizando 12.361 casos de dengue.

O número de mortes confirmadas até o momento são 12, mas há outras oitos mortes suspeitas aguardando resultado de exames.

O número de morte em 2019 já é o dobro do que foi registrado na epidemia de 2015 e preocupa os agentes de saúde e os moradores.

De acordo com o Ministério da Saúde, o número de casos prováveis em Bauru é ainda superior, sendo 15.064 casos, pois além dos exames, levam em consideração as notificações médicas.

O órgão também explica que, já em relação ao número de incidência em municípios de 100 mil até 499 mil habitantes, Bauru ocupa o sexto lugar no ranking nacional. No caso, a cidade registra incidência de uma pessoa com dengue para cada 4.024 habitantes.

Em janeiro deste ano, Bauru publicou um decreto com estado de emergência do município em relação a doença.

Outras epidemias

Na última epidemia em 2015 foram em todo o ano registrados 8.482 casos de dengue, com seis mortes, ou seja, metade do número de mortes já registrados em 2019.

Antes disso, as piores situações tinham sido registradas em 2013, sendo 7.434 casos, com duas mortes. Em 2011 foram 4.384 e seis mortes, e em 2007 2.064 casos.

Aplicativo

A prefeitura de Bauru criou um aplicativo para ajudar nas denúncias dos terrenos sujos. No primeiro dia da liberação do aplicativo para celulares, foram registradas cerca de 700 denúncias. Até o momento, já foram recebidas denúncias de 3.034 denúncias, sendo 20% repetidas.

O sistema criado para denunciar áreas de risco para dengue é considerado pela administração uma das principais ferramentas para ajudar no cumprimento do decreto assinado no fim de 2018, que permite multar proprietários que mantêm terrenos sujos.

O acesso ao aplicativo está disponível no site da prefeitura, logo na página inicial. Para denunciar, o usuário deve baixar o app e depois colocar o endereço e uma foto do local relatando o problema.

Casos de dengue no Brasil crescem 303% em 2019

Os casos de dengue no Brasil tiveram aumento de 303% em 2019, informou o Ministério da Saúde. Até o dia 30 de março foram registrados 322.199 casos da doença no país, um aumento de 242.259 casos em comparação com o mesmo período de 2018.

A região Sudeste apresenta o maior número de casos prováveis (66,3%) e a segunda região de maior incidência, que leva em consideração a proporção do número de casos com o número de habitantes. São 243,5 casos a cada 100 mil habitantes.

A região Centro-oeste é a segunda com o maior número de casos prováveis e a primeira com a maior taxa de incidência: 349 casos a cada 100 mil habitantes.

O número de mortes por causa da doença também aumentou em 2019. Foram 86 contra 51 mortes no mesmo período de 2018.

Também houve um pequeno aumento no número de casos registrados de zika. Até o dia 23 de março, foram notificados 2.819 casos no país. Em 2018, foram registrado no mesmo período 2.797 casos de zika.

Já os casos de chikungunya tiveram uma redução de 40% em 2019. Até o dia 30 de março, foram registrados 17.775 casos contra 29.997 registrados em 2018 no mesmo período.

Explosão: Minas tem mais 22 mil casos de dengue em apenas uma semana

A epidemia de dengue em Minas cresceu, em um intervalo de apenas sete dias, 22%. Até ontem, 121.699 casos prováveis da enfermidade foram registrados em todo o Estado. Na última segunda, eram pouco mais de 99 mil. Os números foram divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que confirmou também 12 mortes de janeiro a abril deste ano. Os casos prováveis são a soma dos resultados positivos ao vírus e dos pacientes que aguardam a confirmação de exames. 

Segundo o boletim da SES, os números de 2019 são menores do que os dos outros anos em que foram anotadas epidemias, como 2010, 2013 e 2016. Contudo, em 99 cidades mineiras, a incidência da dengue está muito alta, o que significa que a cada 100 mil pessoas que moram nessas localidades, 500 estão doentes.

A explosão de casos da doença, que neste ano é causada pelo sorotipo dengue 2, já forçou o governo de Minas a elaborar um decreto de emergência, sem data para ser publicado. O documento prevê, conforme a SES, que os municípios mais afetados possam adquirir “insumos, medicamentos e contratar profissionais com mais facilidade e celeridade”. 

Enquanto o decreto não sai, prefeituras têm adotado medidas de urgência para atender pacientes. Em Belo Horizonte, três centros de saúde foram abertos à população no último sábado e realizaram 257 atendimentos. A capital contabiliza 3.217 confirmações de dengue e mais de 10 mil pacientes aguardam resultados laboratoriais. 

Com a procura alta por atendimento, a PBH estuda ampliar a medida nos próximos fins de semana. Além disso, a administração municipal garante que os 152 centros de saúde estão aptos a atender pessoas com suspeita de dengue. A orientação é que a população procure as unidades em caso de suspeita para desafogar a demanda nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). 

“A UPA é uma porta aberta, mas que tem foco principal nos casos de emergência e há um critério de gravidade para atendimento. Às vezes, o paciente com dengue acaba esperando um longo tempo na UPA, sendo que poderia ser atendido antes no centro de saúde”, diz Fabiano Gonçalves, gerente de Atenção Primária à Saúde da capital. 

Betim e Contagem, cidades que registraram mais de mil casos de dengue este ano, também ampliaram o atendimento médico. Professora do Instituto de Ciências Biológicas e Saúde da PUC Minas, Alzira Batista acredita que a medida é válida. “Mas o foco principal precisa ser no controle do vetor pelo poder público e pela população, eliminando os criadouros da doença nas casas e em lotes vagos”, opina.

Dificuldade

Epidemiologista e professor no curso de medicina da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), José Geraldo Ribeiro acredita que a circulação de sorotipos de vírus da dengue diferentes é empecilho ao combate.  “Nós temos a circulação de vários tipos de vírus. Em 2015 e 2016, o dengue 1 circulou muito. Quem contraiu naquela época, tem uma chance maior de ter um quadro mais grave agora”, adverte. 

Moradora do bairro Santa Terezinha, região da Pampulha, a funcionária pública Nilza Regina Campos, de 38 anos, foi uma das vítimas do Aedes neste ano. Foi a quarta vez que ela contraiu a doença. “Desta vez foi a pior. Eu não senti tanta dor no corpo como na primeira, mas meus exames ficaram bem ruins. As plaquetas baixaram muito, tive princípio de hemorragia subcutânea e alterações nas enzimas do fígado”, conta Nilza, que ficou internada por quatro dias na Santa Casa.

Juiz de Fora lidera o ranking de casos prováveis de chikungunya em MG; veja outras cidades

Juiz de Fora lidera o ranking de casos prováveis de chikungunya em Minas Gerais neste ano. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (15) no Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). De acordo com os dados, de janeiro até a terceira semana de abril, o município notificou 223 registros.

Minas Gerais registrou 1.228 casos prováveis de chikungunya em 2019. Até o momento, não houve registro de óbitos suspeitos da doença. Quanto à zika, foram contabilizados 465 notificações neste ano no Estado.

Ainda segundo o Boletim Epidemiológico, constam novos casos de dengue na última semana nos municípios de Dores do Campo, Eugenópolis, Juiz de Fora, Leopoldina, Lima Duarte, Patrocínio de Muriaé, Rio Pomba, São João del Rei, São João Nepomuceno, Tabuleiro, Ubá, Viçosa e Visconde do Rio Branco.

Chikungunya

A SES-MG considera como casos prováveis a soma entre suspeitos e confirmados. O maior número de casos prováveis de chikungunya entre janeiro e a terceira semana de abril foi no município de Juiz de Fora com 223 novos casos da doença. A cidade lidera o ranking em Minas Gerais.

Na região da Zona da Mata e Campo das Vertentes, em Santana do Deserto foram registrados 45 casos neste ano e em Pirapetinga 41.

Já em Além Paraíba e Ubá, a SES-MG contabilizou seis registros; em Visconde do Rio Branco, cinco; Cataguases, Leopoldina e São João del Rei, quatro; Rio Pomba e São João Nepomuceno, dois; e sete municípios tiveram um registro: Barbacena, Dores do Campo, Lima Duarte, Patrocínio de Muriaé, Rio Novo, Tabuleiro, Viçosa e Volta Grande.

Dengue

O maior número de casos prováveis de dengue na região na última semana foi no município de São João del Rei com 16 novos casos da doença.

Na cidade de Visconde do Rio Branco, foram registrados 13 casos e 11 em São João Nepomuceno. Em Tabuleiro, a SES-MG contabilizou nove registros; em Dores do Campo, oito; Rio Pomba, sete; Lima Duarte, cinco; Leopoldina e Ubá, três; Juiz de Fora e Patrocínio de Muriaé, dois; e dois municípios tiveram um registro: Eugenópolis e Viçosa.

Incidência

Em relação à incidência, São João Nepomuceno ocupa o primeiro lugar na região com índice de 3.924,33. No levantamento anterior divulgado pelo G1 a cidade registrou 3.591,08.

Em seguida, aparecem Tabuleiro (3.820,01), Rio Pomba (1.696,72), Patrocínio de Muriaé (1.486,20) Lima Duarte (335,91), Visconde do Rio Branco (366,66), Dores do Campo (238,07), Juiz de Fora (144,07) e São João del Rei (142,77).

As outras cidades citadas na reportagem, Ubá (76,14), Eugenópolis (62,40), Viçosa (40,88) e Leopoldina (24,75) apresentaram número de incidência baixo de acordo com a SES-MG.

A estratificação dos valores utilizada pela SES-MG contribui para avaliação, planejamento e orientação das medidas de controle vetorial e ações de vigilância em saúde.

  • Incidência baixa: menos de 100 casos prováveis por 100.000 habitantes;
  • Incidência média: 100 a 299 casos prováveis por 100.000 habitantes;
  • Incidência alta: de 300 a 499 casos prováveis por 100.000 habitantes;
  • Incidência muito alta: mais de 500 casos prováveis por 100.000 habitantes.

De acordo com o boletim do Estado, a taxa de incidência estima risco de ocorrência da dengue numa determinada população em intervalo de tempo também determinado e a população exposta ao risco de adquirir a doença.

Ministério da Saúde anuncia que mosquitos com bactéria serão usados para combater aedes aegypti em MS

Campo Grande está entre as três cidades brasileiras que irão realizar a etapa final do método “Wolbachia” para o combate ao mosquito Aedes aegypti. O anúncio da etapa final de avaliação, nos três municípios, foi feito pelo Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, nesta segunda-feira, (15) na capital.

O projeto World Mosquito Program Brasil (WMPBrasil) da Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde será testado nos municípios de Campo Grande (MS), Belo Horizonte (BH) e Petrolina (PE). O método, consiste na liberação do Aedes com o microrganismo Wolbachia na natureza, reduzindo sua capacidade de transmissão de doenças. Esta iniciativa não usa qualquer tipo de modificação genética.

A metodologia é inovadora, autossustentável e complementar às demais ações de prevenção ao mosquito. O evento teve como objetivo capacitar médicos, enfermeiros, coordenadores e supervisores de Controle de Vetores dos 79 municípios do estado de Mato Grosso do Sul em relação à técnica de manejo, controle do mosquito e operação de campo.

A previsão é que o processo inicie no segundo semestre de 2019 e tenha duração de cerca de três anos. Segundo o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que esteve no evento, o método não descarta a responsabilidade geral de combate ao mosquito.

“Essa é uma estratégia complementar. Governo e população precisam continuar fazendo sua parte. No âmbito da pesquisa, hoje estamos dando um importante passo”.

Segundo o Ministério da Saúde, o método é seguro para as pessoas e para o ambiente, pois a Wolbachia vive apenas dentro das células dos insetos. A medida é complementar e ajuda a proteger a região das doenças propagadas pelos mosquitos.

Os mosquitos em contato com a bactéria são capazes de reduzir a transmissão da dengue, zika, chikungunya. Ao serem soltos na natureza, estes se reproduzem com os mosquitos de campo e geram mosquitos com as mesmas características, tornando o método autossustentável.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), de janeiro de 2019, até o dia 12 de abril, foram notificados 20.986 casos de dengue na capital, sendo 4.531 confirmados e seis óbitos.

Servidores reagem a decretos de Bolsonaro: “Desmonte do Estado”

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) editar um decreto que extingue mais de 13 mil vagas no funcionalismo público federal, servidores reagiram ao que chamaram de “desmonte do Estado”.

No balanço de 100 dias de gestão, Bolsonaro anunciou uma redução no quadro de servidores. A maior parcela dos cortes ocorre no Ministério da Saúde.

Serão extintas vagas de guardas, agentes públicos e visitadores sanitários, algumas das funções que o governo considerou obsoletas.

“O governo deu mais uma demonstração do seu desinteresse pelo papel do Estado e importância dos serviços públicos na vida dos brasileiros”, critica, em nota, a Confederação dos Servidores Públicos Federais (Condsef).

A entidade sindical calculou que dos 11,4 mil cargos extintos no Ministério da Saúde, cerca de 6 mil são de servidores cedidos a estados e municípios que ajudam no combate de doenças como a dengue.

“Isso significa que, quando esses servidores na ativa se aposentarem, a função deixa de existir. Além disso, os próprios servidores ativos deixam de ter importância para o Estado e passam a figurar numa espécie de ‘limbo’ do setor público”, destaca o texto.

Surto de doenças

A decisão de reduzir esses cargos acontece no mesmo ano em que é registrado mais de 500 cidades em alerta para o surto de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e chicungunha.

“O insuficiente número de servidores na linha de frente desse combate é inclusive um problema que deveria ser sanado não com a extinção, mas com a realização de concursos para suprir a demanda e dar conta das dimensões continentais brasileiras. Prova de que as coisas têm piorado está no retorno de endemias que já haviam sido erradicadas. O sarampo é um exemplo”, conclui a nota.

A Condsef promete uma reação. “Vamos buscar mais uma reunião com representantes do governo. O objetivo da entidade é levar contribuições do papel dos servidores e como reformas administrativas devem ser feitas ouvindo servidores, muitos que atuam há mais de 30 anos no setor público”, defende a instituição.

A Confederação defende que a experiência desses profissionais capacitados deve sempre ser considerada antes da tomada de decisões por parte do governo.

Entenda o caso 

Bolsonaro publicou nesta sexta-feira (12/4) decreto que extingue 13.231 cargos efetivos vagos dos quadros de pessoal da administração pública federal. O documento traz ainda uma lista de postos que serão extintos.

A meta do governo é ter uma estrutura de cargos mais enxuta. Isso significa também que não estão previstos novos concursos para este ano. As seleções para a contratação de pessoal ocorrerão somente em casos excepcionais.

A medida faz parte do pacote de 18 atos do governo, anunciado nessa quinta (11) por Bolsonaro. Na prática, grande parte dos cargos extintos não vai gerar demissão de trabalhadores. Isso porque do total de cargos que serão suprimidos, 12.315 já estão desocupados. A maioria está vinculada ao Ministério da Saúde.

Os outros 916 servidores que ocupam funções consideradas obsoletas, como jardineiro, atendente bilíngue, auxiliar de enfermagem e guarda de endemias, terão as atividades extintas à medida que os funcionários se aposentarem.
Metrópoles