Aviso aos países ricos: “É um risco subestimar o Zika”

Vírus eclodiu há um ano no Brasil. País conta com 1,5 milhão de infetados e mais de dois mil bebés com microcefalia

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Há precisamente um ano, a 10 de novembro de 2015, a médica obstetra, Adriana Melo, de um hospital de Campinas, no Brasil, mandou uma amostra de líquido amniótico para análise ao Zika e abriu uma caixa de Pandora. A desconfiança levou-a a ser a primeira a relacionar o nascimento de crianças com microcefalia e a infeção com Zika nas mães.

Em fevereiro deste ano, a Organização Mundial de Saúde reconhecia oficialmente a ligação entre o Zika e a microcefalia e o perigo que isso representava.

O Brasil é o país mais afetado até hoje com o vírus, com mais de 1,5 milhões de infetados e mais de 2.000 bebés nascidos com microcefalia.

Mas, num mundo globalizado, não existem fronteiras para nada. Nem para a doença, pelo que saber-se que a transmissão do vírus se faz pela picada de um mosquito que existe em climas tropicais, não é suficiente para o resto do mundo achar que é um problema só de alguns. E, prova disso, é que já foram descobertos casos na Europa como nos Estados Unidos.

A AFP foi falar com Adriana Melo, para saber que balanço faz deste ano. A médica lamenta o desinteresse de muitos países e a forma como têm negligenciado o Zika, e deixa um aviso aos países ricos.

“É uma doença que não interessa muito aos países ricos, porque pensam que não os afetam. Mas, é um risco subestimar este vírus”, disse Adriana Melo.

O Zika transmite-se, afinal, não só pela picada do mosquito, mas também por via sexual e é possível que também o seja através de outros fluidos corporais. Dúvidas que, segundo Adriana Melo, devem merecer toda a atenção neste momento de “calma” do vírus, após a explosão de 2015.

“Ainda sabemos muito pouco” sobre o Zika. “Não sabemos se ele pode sofrer mutações, como o dengue, que agora já tem quatro subtipos de febre”, acrescentou.

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