Jovem é diagnosticado com leishmaniose em São João del Rei

Último registro da doença na cidade histórica foi há 20 anos. Testes foram feitos no cachorro da vítima pra avaliar possível contaminação.

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Um jovem de 19 anos foi diagnosticado em janeiro com leishmaniose visceral em São João del Rei. Há 20 anos não era registrado um caso da doença, conhecida como “Calazar”, na cidade histórica. O cachorro da vítima foi examinado e os testes foram encaminhados a Juiz de Fora, para confirmar se ele também foi contaminado.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que, para o diagnóstico da doença em caninos, são utilizados dois testes – o “rápido”, que é disponibilizado aos municípios e o “Elisa”, que vai para os laboratórios macrorregionais. O órgão esclareceu que a redistribuição aos municípios dos testes rápidos ocorre normalmente em todo o estado. Já em relação aos testes Elisa, houve um pequeno desabastecimento na primeira semana de fevereiro, mas os novos lotes já chegaram do Ministério da Saúde (MS) e estão sendo distribuídos.

O jovem é filho da secretária Luciana Carvalho. Ela explicou que o rapaz teve dores pelo corpo, febre e perdeu 10 Kg em duas semanas. Ele chegou a ficar internado por 16 dias em um hospital da cidade e precisou fazer transfusão de sangue.

“A suspeita era de dengue e mais nada. Febre muito alta, dor no corpo, emagrecimento, diarreia, dor atrás dos olhos, coisas assim. A gente começou a suspeitar de outras coisas porque o quadro clinico só piorava, a febre não diminuía e ele teve que ser internado para fazer uma verificação maior, uma investigação mais profunda”, contou.

Leishmaniose humana, transmissão, Porto Alegre (Foto: Reprodução/RBS TV)Ciclo de transmissão de laishmaniose em cães e
humanos (Foto: Reprodução/RBS TV)

O diagnóstico para leishimaniose  só veio após o sexto exame. A doença é transmitida pela picada do “mosquito palha”, um inseto muito pequeno, que tem de um a três milímetros de comprimento. O mosquito pode picar o ser humano e alguns animais, principalmente cachorros.

Para Carvalho, a hipótese mais provável é a de que o filho tenha sido picado durante uma pescaria. “Ele gosta muito de pescar e a gente tem muita mata aqui, muito lago. Tem muito pé de manga, de goiaba e pouco consumo. Essas frutas que caem entram em putrefação e é um dos lugares que gosta de ficar. O cachorro era o companheiro dele, até mesmo por segurança”, disse.

O animal é da raça Burriler e há alguns meses apresentou machucados nas orelhas, queda de pelo e apetite menor que o habitual. Por isso, os agentes de zoonoses da cidade fizeram um teste rápido nele e em outros cachorros do bairro em que a família mora. Foi retirada uma gota de sangue da orelha do animal e a ela foi misturado um reagente.

De acordo com o coordenador da zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde da cidade, Valdisnei Lopes, o material vai ser encaminhado para análise posterior em Juiz de Fora. “Vamos separar o soro e encaminhar para a confirmação deste exame feito no campo. Confirmando, o proprietário (do cão) tem duas opções – o tratamento ou a eutanásia do animal”, explicou.

Lopes ressaltou que a higiene é a melhor forma de prevenção da doença. “Manter animais limpos, especialmente quando a pessoa tem árvores frutíferas, porque a fruta cai e vai apodrecer. Este mosquito dá em materiais em decomposição. É o mesmo sistema usado para a dengue – manter os locais limpos”, explicou.

Casos em MG
Nos últimos quatro anos, os registros de leishimaniose aumentaram em todo o estado. Em 2013, a SES-MG confirmou 318 casos. No ano seguinte foram 363. Em 2015, 448 registros e, em 2016, 497. O número de mortes também passou de 34 em 2013 para 48 em 2016.

Em caso de suspeita de que animais estejam contaminados, os proprietários devem procurar os centros de zoonoses de cada município. Em São João del Rei o órgão fica na Praça Bom Jesus do Matozinhos, n° 11, no Bairro Matozinhos. O telefone para contato é o (32) 3373-0295.

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