Mosquito contra dengue é solto no Rio e em Niterói

O vilão vira ‘mocinho’: Aedes Agypti portador da bactéria Wolbachia impede a transmissão de doenças. Experiência foi testada e deu certo na Ilha do Governador

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Rio – O vilão Aedes aegypti é uma das apostas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para combater a dengue, zika e chikungunya. Mosquitos resistentes ao vírus serão liberados em larga escala no Rio e em Niterói ao longo de três anos a partir de 2017, em uma área habitada por 2,5 milhões de pessoas. Os pernilongos carregam a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão das doenças e é inofensiva para seres humanos. O plano vai custar US$ 18 milhões para aplicação no Brasil e na Colômbia.

A Fiocruz tem capacidade de produzir 10 milhões de ovos de Aedes com bactéria por semana. A iniciativa já foi testada com resultados positivos em Tubiacanga, Ilha do Governador, e em Jururuba, Niterói, entre agosto de 2015 e janeiro desse ano. Em Medellin, na Colômbia, o método também foi utilizado. Nos projetos pilotos, 80% dos Aedes passaram a carregar a bactéria.

Segundo o pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, líder do projeto no Brasil, nos locais onde a Wolbachia atingiu mais de 70% dos mosquitos, não foram observados surtos localizados de dengue. “Esperamos que com o projeto consigamos mostrar que houve redução significativa do número de casos de dengue e Zika.”

A Wolbachia é naturalmente encontrada em 60% dos insetos, mas não nos mosquitos. Os infectados pela bactéria a passam adiante ao cruzarem uns com os outros. A fêmea transmite o microorganismo para os filhotes. E se um pernilongo fêmea que não tiver o germe for infectado, fica estéril e os ovos não geram filhotes.

O projeto ‘Eliminar a Dengue: Nosso Desafio’ é uma colaboração internacional de pesquisa da Universidade de Monash, na Austrália. O financiamento é das fundações Bill e Melinda Gates e Welcome, além dos governos britânico e americano. No Brasil, dividem a conta a Fiocruz, o Ministério da Saúde, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o CNPq. Na terça, o Ministério da Saúde anunciou o investimento de R$ 119 milhões na compra de 3,5 milhões de testes rápidos que identificam em 20 minutos o Zika Vírus. Dois milhões de kits devem ser distribuídos este ano.

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