No Amazonas, leptospirose mata 88 pessoas em 17 anos

No período de 2000 a 2017, foram registrados no Estado 897 casos da doença. Na capital, bairros da zona norte e leste têm maior incidência da doença. No interior, a incidência são nas cidades vizinhas

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Manaus – Entre 2000 e 2017, o Amazonas registrou 897 casos de leptospirose e 88 mortes pela doença. Os dados são da Secretaria de Vigilância à Saúde (SVS), do Ministério da Saúde (MS), e levam em consideração registros até 7 de fevereiro deste ano. No Amazonas, a maioria dos pacientes com a doença infecciosa é registrada em Manaus e está associada, principalmente, a áreas que apresentam constantes alagações e enchentes.

Conforme o MS, no Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos chuvosos, principalmente, nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes associadas à aglomeração populacional de baixa renda, às condições inadequadas de saneamento e à alta infestação de roedores infectados.

Ainda conforme o MS, a maior parte dos casos ainda ocorre entre pessoas que habitam ou trabalham em locais com infraestrutura sanitária inadequada e expostas à urina de roedores. De acordo com o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, em Manaus, a maior incidência de leptospirose ocorre nas áreas de periferia urbana, em locais que sofrem enxurradas e grandes chuvas.

Vigilância

O gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Jair Pinheiro, disse que áreas das zonas norte e leste da capital apresentam maior incidência da doença. Na zona norte, Pinheiro, citou os bairros Cidade de Deus, Comunidade Grande Vitória e Gilberto Mestrinho. Na zona leste, o gerente, citou o bairro Colônia Antônio Aleixo.

Segundo Jair, o setor de vigilância da Semsa trabalha com base nas áreas de risco e enchentes delimitadas pela Defesa Civil municipal. Jair afirmou também que bairros da zona oeste da cidade, como Compensa, podem ter alagamentos com o transbordamento de igarapés e ser área de risco para a ocorrência da doença.

O gerente afirmou, ainda, que, periodicamente, os agentes da Vigilância Epidemiológica da Semsa visitam moradores de área de risco de alagamentos e orientam sobre os cuidados para evitar contrair a doença infecciosa, além de incentivar o tratamento de água com hipoclorito de sódio.

Doença

Em Manaus, a Semsa informou que, entre 2011 e 2016, a Gerência de Vigilância Epidemiológica da secretaria notificou, em média, 137 casos suspeitos de leptospirose por ano. O levantamento da Semsa aponta que o maior número de casos suspeitos foi registrado em 2014, 175 casos. Desde 2015, conforme a Semsa, está sendo registrada redução anual dos casos suspeitos da doença. A Semsa informou que, este ano, foram notificados 101 casos, representando uma redução de 29,4% em relação a 2015, quando foram notificados 143 casos de leptospirose.

De acordo com Jair, são coletadas amostras de sangue para exame laboratorial em mais de 95% dos casos notificados, sendo que a média de confirmação anual de casos é de 38%.  Os dados da Semsa apontam, também, que são 77 casos da doença confirmados, por ano, e a média anual de mortes por leptospirose é de até quatro casos por ano, considerando o período entre 2011 e 2016. Conforme o levantamento da secretaria, em 2016, foram quatro mortes e, em 2015, cinco mortes pela doença.

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O diretor da FVS, Bernardino Albuquerque, afirmou que, além de Manaus, municípios da Região Metropolitana de Manaus registram o maior número de casos de leptospirose no Estado. Entre os municípios estão Parintins, Itacoatiara e Manacapuru, segundo dados da FVS. Na capital, segundo Bernardino, a comprovação da bactéria é realizada com a análise de amostra de sangue do paciente em laboratório. Nos municípios do interior, a análise é feita na própria cidade ou, em casos de emergência, o paciente é encaminhado à capital.

Segundo o diretor-presidente da FVS, em cidades mais afastadas geograficamente de Manaus, o acesso a laboratórios é mais difícil e o diagnóstico é realizado pela análise clínica epidemiológica do médico. Citando a realidade de cidades como: Lábrea, Japurá e Tabatinga, que estão distantes, respectivamente, 702, 744 e 1.108 quilômetros a oeste de Manaus.

Característica da doença

Conforme a Semsa, a leptospirose é uma doença infecciosa febril de início súbito. É causada por uma bactéria do gênero Leptospira, do qual se conhecem 14 espécies patogênicas, sendo a mais importante a L. interrogans, e tem, como os principais reservatórios roedores das espécies, Rattus norvegicus (ratazana ou rato de esgoto), Rattus rattus (rato de telhado ou rato preto) e Mus musculus (camundongo ou catita).

Ainda conforme a Semsa, esses animais não desenvolvem a doença quando infectados e albergam a Leptospira nos rins, eliminando-a viva no meio ambiente e contaminando água, solo e alimentos. A infecção humana resulta da exposição direta ou indireta à urina de ratos infectados. A penetração do microrganismo ocorre através da pele com presença de lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou através de mucosas.

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