OPAS premia Costa Rica, El Salvador e Suriname por esforços contra a malária

Países receberam o título de Campeões contra a Malária por terem conseguido reduzir consideravelmente as infecções e mortes pela doença. Desde 2013, Costa Rica não notifica mais nenhum caso autóctone da patologia. Em 2014, número de infecções locais em El Salvador foi de apenas seis. Suriname registra menos de 90 casos por ano nas aldeias do interior, antes as regiões com as maiores taxas de transmissão das Américas.

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Há 15 anos, a malária adoecia cerca de 2 mil pessoas na Costa Rica. Iniciativas para controlar a doença fizeram com que, a partir de 2013, mais nenhum caso autóctone da infecção fosse detectado no país.

A situação é semelhante a de El Salvador, que registrou uma diminuição de 98,9% nas ocorrências da patologia desde 2000 e não notifica mortes por malária desde 1998. Em 2014, a nação identificou apenas oito casos confirmados — dois dos quais eram fruto de contágio no exterior. O número foi o mais baixo na história do país.

Também no Suriname, a patologia foi praticamente eliminada nas aldeias do interior, que antes concentravam as taxas de transmissão mais altas das Américas, agora reduzidas para menos de 90 infecções locais por ano.

Por seus avanços na luta contra a doença, os três países foram reconhecidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que concedeu às nações o título de Campeãs contra a Malária. A premiação é promovida há oito anos pela agência regional das Nações Unidas para valorizar esforços de prevenção.

As conquistas da Costa Rica foram alcançadas com a implementação do Plano Nacional de Eliminação da Malária, que inclui tratamento supervisionado e visitas domiciliares de equipes médicas – que vão às comunidades a cavalo, a pé, de motocicleta e de barco.

A rede nacional de 126 laboratórios e a integração do monitoramento e cuidados da malária ao sistema de saúde permitiram detectar rapidamente a doença e evitar surtos.

Em El Salvador, a redução dos casos da doença é atribuída ao fortalecimento das atividades de vigilância do Ministério da Saúde, à busca por novas ocorrências, ao acompanhamento dos pacientes e ao expressivo financiamento nacional.

No Suriname, onde não foi registrado nenhum óbito em 2014 e 2015, a OPAS considera que a luta contra a malária obteve resultados positivos por ter focado em populações em risco, como os mineiros de usinas irregulares. Segundo informações da agência da ONU, o país melhorou o acesso ao diagnóstico e ao tratamento em áreas de difícil acesso, criou uma clínica de malária em sua capital e firmou parcerias público-privadas para combater a doença.

O resultado da premiação que escolheu os Campeões contra a Malária foi anunciado na última semana (3), às vésperas do Dia da Malária das Américas, celebrado em 6 de novembro. A data foi criada há dez anos para incentivar ações de controle e prevenção na região. Entre as iniciativas estabelecidas desde então, está o prêmio dado às três nações. Nos últimos oito anos, a iniciativa reconheceu 21 iniciativas de 10 países do continente.

Eliminação da malária

Ao longo da última década, a OPAS registrou uma redução de 67% dos casos de malária nas Américas — de quase 1,2 milhão em 2000 para 375 mil em 2014. A queda estaria associada ao fortalecimento de intervenções de saúde pública para combater a doença. O número de óbitos também teve diminuição expressiva — de 390 em 2000 para 89 em 2014, ou 79%.

Os progressos regionais estiveram acima de avanços globais. A nível mundial, o decrescimento das ocorrências e mortes foi calculado, respectivamente, em 37% e 60%.

Apesar das conquistas, a OPAS acredita que autoridades nacionais não devem subestimar a doença, já que surtos podem ocorrer não apenas em países onde a malária é endêmica, mas também nos que estão livres da infecção.

“A malária continua sendo um desafio na região, mais difícil de controlar e eliminar entre as populações em situações de vulnerabilidade, como povos indígenas, migrantes, mineiros e trabalhadores agrícolas”, afirmou o subdiretor do organismo regional, Francisco Becerra.

A OPAS conta com um Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2016-2020, alinhado à estratégia técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS) para erradicar a patologia até 2030. Ambas as iniciativas buscam orientar países na busca por soluções para controlar o parasita causador da infecção.

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