Alterações climáticas e globalização deixam Europa à mercê dos insetos que transmitem doenças

Os limites geográficos de doenças transmitidas por vetores — como a dengue, leishmaniose, chikungunya ou a encefalite – está a expandir-se rapidamente, alertaram os peritos europeus presentes no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, em Amesterdão. A culpa é das alterações climáticas, mas também da globalização e do aumento das viagens e do comércio internacional. Isto significa que a Europa, incluindo latitudes mais a norte e não apenas os países em redor do Mediterrâneo, vão começar a ver um aumento do número de surtos, a não ser que ações sejam tomadas.

“As alterações climáticas não são o único, nem o principal, fator que está a levar ao aumento das doenças transmitidas por vetores na Europa, mas são um de muitos fatores junto com a globalização, o desenvolvimento socioeconómico, a urbanização e as mudanças generalizadas no uso da terra que precisam de ser abordadas para limitar a importação e a propagação”, disse o professor Jan Semenza, do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças, citado num comunicado.

Os vetores são, sobretudo, artrópodes que transmitem a infeção através de picada quando eles próprios são portadores de agentes patogénicos, como vírus e parasitas. Os mais comuns são os mosquitos (de várias espécies), mosca da areia (flebótomos) e carraças (ixodídeos). Apenas uma picada pode transmitir doenças tais como malária, dengue, chikungunya, febre do Nilo Ocidental, leishmaniose, doença de Lyme, febre-amarela, encefalite japonesa, entre outras.

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“Temos que nos preparar para lidar com estas infeções tropicais. As lições de recentes surtos da febre do Nilo Ocidental na América do Norte e de chikungunya nas Caraíbas e na Itália reforçam a importância de avaliar futuros riscos de doenças transmitidas por vetores e preparar planos de contingência para futuros surtos”, indicou o diretor do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Superior de Saúde em Roma, Giovanni Rezza.

No passado, a transmissão deste tipo de doenças estava limitado a regiões tropicais ou subtropicais, porque o frio mata as larvas dos mosquitos, mas estações quentes mais longas podem permitir que estes se espalhem pela Europa no prazo de décadas, segundo os especialistas. Nos últimos dez anos, já se registaram surtos de dengue em França ou na Croácia, malária na Grécia, febre do Nilo Ocidental no Sudeste da Europa e o vírus chikungunya já passou por Itália e França.

“A Europa Mediterrânica já é agora uma região tropical em part-time, onde vetores competentes como o mosquito conhecido como Tigre Asiático [Aedes albopictus] já estão estabelecidos”, avisou Rezza. Este mosquito espalha os vírus que causam a dengue e a chikungunya.

Os modelos climáticos indicam que em 2040-2060, poderá haver um aumento de 3,8% no habitat do Ixodes ricinus (as carraças que transmitem a doença de Lyme ou a encefalite) na Europa, com a Escandinávia a surgir como a zona que estará mais em risco (graças ao aumento da população de veados que funcionam como hospedeiros das carraças).

Semenza defendeu que as agências de saúde pública devem “melhorar a vigilância, através de sistema de alerta precoces, aumentar a consciencialização entre profissionais de saúde e público em geral para os potenciais riscos, assim como adotar estratégias de controlo inovadoras, como intervenções comunitárias”.

Surto, epidemia, pandemia… Qual o peso de cada um?

“- Menina, o hospital está lotado de pessoas com dengue!!

“- Parece que o sarampo voltou…

“- Nossa, estou numa tão forte que não vou conseguir trabalhar hoje.

E assim os diálogos se iniciam, ecoam e atropelam a rotina das pessoas que mais a noitinha, já em suas casas, ouvem no jornal da TV: “foi identificado surto de Y na região X”, ou “a Organização Mundial de Saúde estabeleceu as medidas para combater a epidemia Z nas Américas”. Mas afinal, convivemos com todos esses vírus e bactérias malvados todo o tempo e para nos protegermos realmente é importante saber a dimensão em que estão se espalhando e quais as chances de sermos o próximo alvo deles.

Então, a ideia de hoje é trazer mais vocabulário relacionado a essas doenças infecciosas que atingem muitas pessoas para interpretarmos as notícias que estão “infestando” principalmente as redes sociais. Bora aprender?

Os termos endemia, surto, epidemia e pandemia indicam o número de casos de uma condição (como infecções, embora condições como hipertensão, câncer, violência também possam ser descritos da mesma maneira) em um ponto no tempo e em determinada localização, comparando a como era descrita em um momento considerado “normal” ou dentro do esperado. Entenda:

ENDEMIA
Uma condição endêmica está presente a uma taxa razoavelmente estável e previsível entre um grupo de pessoas – o número observado de casos é aproximadamente o mesmo que o número esperado. O grupo de pessoas pode ser todos habitantes de uma cidade ou estado, ou áreas maiores, como países ou continentes. Exemplos incluem malária na África, dengue em regiões tropicais e subtropicais e hepatite B em todo o mundo, embora as taxas sejam maiores na Ásia e África (alta endemicidade) do que na Europa e América do Norte (baixa endemicidade).

SURTO
Um surto ocorre quando há um aumento repentino no número de pessoas com uma condição, sendo maior que o esperado. Ou há mais casos de uma condição endêmica do que o esperado ou a condição é encontrada em algum lugar que não tenha sido relatado antes, portanto, um caso único pode ser um surto. Os surtos estão limitados a áreas relativamente pequenas. Os exemplos incluem cólera após o terremoto de 2010 no Haiti, doenças transmitidas por alimentos como surtos de Escherichia coli associados a alface e carne moída, vários surtos de ebola em diferentes países africanos desde 1976 e sarampo entre crianças não vacinadas que visitaram o parque temático dos EUA em 2015.

EPIDEMIA
Uma epidemia é um surto que se espalha por uma área geográfica maior. Exemplos incluem o vírus Zika, começando no Brasil em 2014 e se espalhando para a maior parte da América Latina e Caribe; o surto de Ebola 2014-2016 na África Ocidental, que foi grande o suficiente para ser considerado uma epidemia; e a crise dos opiáceos (medicamentos como analgésicos que tem sido a causa de morte por overdose) nos EUA.

PANDEMIA
Uma epidemia que se espalha globalmente é uma pandemia. A gripe espanhola de 1918, que infectou mais de um terço da população mundial e matou aproximadamente 50 milhões de pessoas, é o exemplo mais famoso. Houve várias pandemias de gripe desde 1918 – em 1957 e 1968, assim como o H1N1 em 2009. Outros exemplos incluem a peste bubônica (a peste negra) no século 14, o vírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2003 e o HIV / AIDS.

Muitos fatores influenciam o quanto uma condição se espalha. Dois dos mais importantes são a facilidade com que a condição é transmitida de uma pessoa para a próxima e o movimento de pessoas, particularmente via avião, porque as infecções podem ser trazidas para novas partes do mundo em questão de horas.

Essas definições podem parecer simples, mas aplicá-las e compreendê-las nos ajuda a entender qual a real importância devemos dar às medidas de prevenção, como: higienização, vacinação e mesmo qual meio de transporte escolher em determinados momentos. Conhecimento gera saúde!

Fonte:
Grennan D. What Is a Pandemic? JAMA. 2019;321(9):910.

Minas tem 128 cidades assombradas por epidemia de dengue: veja a lista

A sombra da epidemia de dengue já se projeta sobre 15% das cidades mineiras – 128 municípios com incidência da doença considerada epidêmica, incluindo Belo Horizonte. Os números, da Secretaria de Estado da Saúde, explicam o cenário de unidades de atendimento lotadas, agentes nas ruas para aplicar inseticida contra o mosquito Aedes aegypti e tentativa de reforço nos mutirões de limpeza. A situação é mais preocupante nos locais com projeção superior a 300 casos prováveis da virose para cada grupo de 100 mil habitantes, índice considerado alto ou muito alto, status que caracteriza a epidemia, segundo autoridades sanitárias estaduais. Diante do quadro, o governo de Minas prepara para os próximos dias a edição de um decreto de emergência, que deve facilitar a adoção de medidas urgentes de combate. O estado já confirmou 12 mortes pela doença e investiga outros 33 óbitos. 

Com 99.599 notificações de casos prováveis da doença apenas neste ano – que engloba confirmados e suspeitos – o avanço da dengue assusta em Minas. Somente em março foram 47.752 registros, número que bateu o verificado em dois meses anteriores. Em janeiro foram 17.539 diagnósticos e, em fevereiro, 32.811. Para se ter ideia, o total desses 96 dias já supera em 80,1% a soma dos dois últimos anos. Nas últimas quatro semanas, segundo dados da Saúde estadual, 128 cidades entraram em situação epidêmica (veja mapa), das quais 80 apresentaram incidência muito alta de casos, (acima de 500 por 100 mil habitantes), e outras 48, incidência alta (300 para grupos de 100 mil). Belo Horizonte está nesse segundo grupo, com taxa de 312,82. 

A cidade com a maior incidência no período é Tabuleiro, na Zona da Mata, com uma taxa que chegou a 2.649,51 – lembrando que o índice corresponde a uma proporção do total de casos projetado para uma população de 100 mil pessoas, mesmo que a cidade tenha um número absoluto de habitantes menor. “Temos intensificado o nosso trabalho. O estado já disponibilizou o fumacê (aspersão de inseticida) e já fizemos três ciclos. Os agentes seguem orientando a população e realizando mutirões de limpeza”, explicou Lucimar Freitas Vieira, secretária Municipal de Saúde. Segundo ela, a administração municipal está recorrendo a multas para conscientizar moradores. “Quando os agentes detectam o foco, jogam o remédio. Se no mês seguinte a situação continua, passamos a acionar o fiscal, que notifica o proprietário, e se persistir o quadro, aplica a multa”, completou.

Outro município que vive situação semelhante é Felixlândia, na Região Central de Minas. A prefeitura informou que promove, desde a última semana, o bloqueio do Aedes aegypti. “Temos muitos casos notificados. Já fizemos a aplicação de inseticida UBV (ultrabaixo volume), e estamos fazendo um arrastão de fiscalização, para tentar eliminar os focos. Aqui, o que predomina são recipientes usados pela população para armazenar água, como tambores”, explicou Milton Geraldo da Silva, secretário de Saúde da cidade. 

Segundo ele, outra característica de Felixlândia é a população flutuante, que não fica sempre na cidade. “Temos muitos moradores que trabalham em Belo Horizonte, por exemplo. Então, ficam aproximadamente 15 dias sem voltar para as casas, e acabam deixando o imóvel em risco”, disse. “A questão central é a cultura da população, que não tem o hábito de eliminar os focos. Temos a necessidade de colaboração do cidadão, porque sem isso não conseguimos combater esse bichinho tão pequeno que vem derrubando a gente”, afirmou. 

CAPITAL Belo Horizonte também enfrenta aumento de casos em relação aos dois últimos anos. Até a última sexta-feira foram 9.536 registros prováveis. Desses, 2.398 foram confirmados e outros 7.138 seguem sendo investigados. Foram descartados 3.008 casos. A Região do Barreiro é a que tem o maior número de confirmações: 543 moradores contraíram a doença neste ano. 

Para tentar impedir o avanço da virose, medidas de combate estão sendo reforçadas na cidade, segundo a prefeitura. “As ações de controle acontecem dentro de uma rotina e não só em momentos de ocorrências de casos. Sempre atuamos com visitas às casas, fazendo buscas de criatórios, no mínimo cinco vezes ao ano. Ou seja, cada residência é visitada cinco vezes dentro da rotina”, disse Eduardo Viana,  gerente de Zoonoses da Prefeitura de Belo Horizonte. 

Além da intensificação do combate, a administração municipal conta com parcerias para ajudar na eliminação do Aedes. “Contamos com parceria com a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) para fazer mutirões de limpeza para a retirada de materiais de dentro e fora das moradias. Tem também iniciativas com a Defesa Civil, no intuito de encontrar os moradores em horário noturno, quando a equipe de agentes não consegue ter acesso ao imóvel durante o dia. Além da parceria com a Secretaria Municipal de Educação, no Programa Saúde na Escola, para sensibilizar professores e pedagogos no sentido de levar o tema de combate ao mosquito para as aulas. O intuito é envolver as crianças e, principalmente, os pais, no sentido de mudar hábitos”, completou o gerente da PBH. A capital não tem mortes confirmadas por dengue neste ano.Continua depois da publicidade

Mapa da epidemia

Municípios com incidência de casos prováveis de dengue acima de 300 casos por 100 mil habitantes, taxa considerada epidêmicaContinua depois da publicidade


Cidade // Taxa de incidência*

Tabuleiro 2.649,51
Sarzedo 2.645,23
Felixlândia 2.560,07
Guarda-Mor 2.553,44
Grupiara 2.397,74
São João Nepomuceno 2.309,90
Mário Campos 2.121,70
Miravânia 1.965,20
Buritis 1.830,77
Bom Jesus do Amparo 1.694,92
Juatuba 1.685,09
São Gonçalo do Pará 1.627,03
Igarapé 1.616,94
São Tomás de Aquino 1.606,20
Pimenta 1.605,50
Romaria 1.564,22
Veríssimo 1.406,29
Jequitaí 1.368,82
São Joaquim de Bicas 1.206,90
Luislândia 1.184,13
Maravilhas 1.091,92
Vazante 1.082,56
Ubaí 1.053,39
Fortaleza de Minas 1.021,10
Martinho Campos 1.019,65
Cônego Marinho 970,62
Arcos 967,07
São Francisco de Sales 964,01
Marilac 963,80
Pequi 955,63
Campo Azul 931,92
Nepomuceno 909,33
Papagaios 876,51
Santa Fé de Minas 853,20
Piraúba 848,38
Ipiaçu 840,14
Planura 839,27
Prata 831,05
Pintópolis 830,59
Sabará 827,40
Japonvar 817,69
Guimarânia 791,86
Douradoquara 777,20
Jequitibá 770,82
Gameleiras 762,49
Riachinho 759,95
Juramento 734,28
Luz 728,26
Florestal 721,78
Itatiaiuçu 701,34
Arapuá 693,72
Carmelo 675,68
Betim 675,65
Lontra 663,42
Frutal 656,80
Santo Hipólito 652,58
Curvelo 630,96
Dom Bosco 628,60
São Gonçalo do Abaeté 623,37
Padre Carvalho 615,34
Ibirité 611,35
Lagoa Santa 597,55
Corinto 594,65
Candeias 594,18
Mateus Leme 586,74
Monte Azul 578,43
Canápolis 577,70
Conceição do Mato Dentro 551,69
Iguatama 550,66
Mirabela 546,41
Bocaiuva 542,18
Materlândia 541,24
Contagem 533,88
Várzea da Palma 531,59
Guarani 530,56
Mato Verde 521,44
Jeceaba 518,33
Brasília de Minas 513,26
Jaboticatubas 506,52
Presidente Olegário 500,03
São José do Goiabal 497,07
Presidente Juscelino 496,47
Passos 496,25
Patos de Minas 490,41
Pirapora 490,25
Pedrinópolis 490,20
Cascalho Rico 488,44

Água Comprida 485,91
Chapada Gaúcha 485,70
Três Pontas 485,14
João Pinheiro 484,09
Pains 476,70
Morada Nova de Minas 474,04
Joaquim Felício 471,19
Varzelândia 466,46
Paracatu 462,19
Guaraciama 459,91
Conquista 459,77
Pirajuba 449,05
Esmeraldas 446,31
Januária 444,71
Funilândia 444,24
Augusto de Lima 437,99
Arceburgo 415,96
Delta 403,88
Francisco Dumont 402,68
Estrela do Sul 400,95
Três Marias 394,48
Santa Vitória 391,94
Rio Novo 385,29
Lagoa da Prata 382,78
Itaguara 382,62
São Sebastião do Paraíso 371,46
Claro dos Poções 370,89
Patrocínio do Muriaé 369,72
Fruta de Leite 367,84
Uberlândia 356,19
Uberaba 354,89
Bonfim 327,64
Itueta 326,80
Perdões 317,11
Belo Horizonte 312,82
Coromandel 312,19
Engenheiro Navarro 311,78
Rio Manso 311,74
Catuti 310,62
São Romão 302,72
Japaraíba 301,76

*A taxa de incidência considera a proporção do total de casos projetado para uma população de 100 mil habitantes, mesmo que a cidade tenha um número absoluto de habitantes menor que os 100 mil.

Mortes por dengue

Betim (Grande BH) 6
Uberlândia (Triângulo Mineiro) 2
Unaí (Região Noroeste) 2
Arcos (Centro-Oeste de Minas) 1
Paracatu (Região Noroeste) 1

Em investigação
33 óbitos em Minas

Fonte: Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) 

Carrapato transmissor da febre maculosa volta a ser encontrado no Parque da Ilha em Divinópolis

O carrapato transmissor da febre maculosa voltou a ser encontrado no Parque da Ilha, em Divinópolis, nesta quinta-feira (11). O local recebeu hoje a primeira vistoria, após ter sido reaberto para uso da população, no fim de janeiro.

De acordo com o Secretário Municipal de Saúde, Amarildo de Sousa, o carrapato-estrela coletado será enviado para um laboratório, que vai analisar se ele está contaminado.

Em agosto de 2018, o parque foi interditado após o município registrar três mortes pela doença e mais de cinco casos suspeitos, todos envolvendo pessoas que frequentaram o parque.

Segundo Amarildo, a Secretaria de Saúde tem feito um monitoramento constante da doença na cidade, e tem reforçado a ação de prevenção.

“A incidência do carrapato aumenta de abril a agosto. Por isso nos antecipamos as ações de prevenção e fizemos a primeira vistoria no parque. Fizemos a coleta do carrapato e vamos analisar. Na semana que vem vamos instalar por todo o parque placas educativas e também vamos continuar com as ações de panfletagem nas áreas ribeirinhas”, destacou o secretário.

Ainda segundo Amarildo, as vistorias também serão realizadas nos campos de futebol que foram também interditados no ano passado.

Interdição

A reabertura do parque da ilha foi recomendada pelo setor de Vigilância em Saúde, após realizada uma vistoria que constatou baixa incidência do carrapato no local. Depois de a recomendação ser acatada por uma comissão, composta por várias secretarias, a Prefeitura deu início à revitalização do espaço.

Alguns frequentadores aproveitaram a reabertura para voltar ao parque e praticar esportes na pista de skate. Conforme informado pelo Secretário de Saúde, Amarildo Santos, apesar da liberação do espaço a preocupação com a febre maculosa continua. “Os hospedeiros continuam aqui e Minas Gerais é uma área endêmica. Então, o sinal de alerta é constante”, disse o secretário.

As trilhas que existem no local continuam interditadas e serão extintas devido à proximidade com o Rio Itapecerica, onde estão as capivaras, um dos hospedeiros do carrapato-estrela. Uma equipe de agentes de endemias orientou a população sobre as mudanças e o que fazer caso encontre um carrapato ou apresente sintomas da doença.

Carrapato transmissor da febre maculosa é encontrado no Parque da Ilha em Divinópolis

Carrapato transmissor da febre maculosa é encontrado no Parque da Ilha em Divinópolis

Além disso, a diretora de Vigilância em Saúde, Janice Soaresa, afirmou que o Município pretende cercar o parque para evitar o acesso das capivaras.

“A comissão avalia o cercamento respeitando o fluxo gênico das capivaras, já que elas precisam ter um espaço para transitar na beira do rio. Nossa intenção é que elas não tragam os carrapatos para o parque, assim fica mais fácil controlar a incidência sem interferir no ecossistema da capivara”, afirmou.

A escola estadual Professor Darcy Ribeiro, ao lado do Parque da Ilha, que também havia sido interditada, não voltará a receber os alunos. De acordo com a secretária de educação, Vera Prado, as aulas estão mantidas em uma escola estadual, até que uma nova sede da escola Darcy Ribeiro seja construída.

O órgão explicou que o Parque da Ilha permaneceria interditado porque a vistoria feita no final de outubro ainda detectou a presença de muitos carrapatos. A situação ainda é considerada de alerta no município.

Parque da Ilha foi interditado após carrapatos serem encontrados no local  — Foto: Prefeitura de Divinópolis/ Divulgação

Parque da Ilha foi interditado após carrapatos serem encontrados no local — Foto: Prefeitura de Divinópolis/ Divulgação

Prevenção

Desde que surgiram as primeiras confirmações de febre maculosa em Divinópolis, a Prefeitura iniciou uma série de medidas de combate e prevenção à doença.

Desde agosto, áreas propícias à proliferação do carrapato, como campos de futebol e o próprio Parque da Ilha, foram interditados. Além disso, equipes de dedetização foram enviadas para diversos pontos do município e foi desenvolvido um trabalho de esclarecimento sobre a doença.

Uma comissão para definir as ações contra a proliferação do carrapato-estrela também foi criada. Com isso, desde outubro, as desentediações começaram a ser feitas e o surgimento de novas notificações reduziu. O último caso confirmado da doença é do dia 12 de novembro, conforme a Semusa.

Dengue já registra casos em 94% dos municípios paulistas este ano

SOROCABA – Em pelo menos 94% dos municípios paulistas já foram notificados casos de dengue este ano. Do total de 645 cidades, em 606 ao menos uma pessoa apresentou os sintomas da doença de janeiro a março, conforme dados do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado. No mesmo período do ano passado, 545 cidades (84,5%) haviam tido dengue. 

A maioria das cidades com dengue zero fica no sudoeste paulista e têm menos de 10 mil habitantes. A maior concentração de casos está na região noroeste do Estado. Até 15 de março, tinham sido confirmadas 29 mortes em São Paulo, mas o número já é maior.

A doença assusta populações de cidades de pequeno a médio porte, onde já são registradas mortes pela doença. Em Mirandópolis, de 29,2 mil habitantes, a primeira morte aconteceu nesta quarta-feira, 10, após a paciente, uma mulher de 42 anos, ser diagnosticada com dengue hemorrágica. Ela estava internada no Hospital Estadual da cidade. A causa da morte foi confirmada pelos exames feitos no Instituto Adolfo Lutz. O município enfrenta epidemia com 805 casos de dengue este ano. 

Em Tupã, de 75,9 mil habitantes, o primeiro óbito foi confirmado nesta quinta, 11. Um idoso de 68 anos, morador do bairro Tabajaras, morreu após ser internado no Hospital São Francisco de Assis. A cidade tem 550 casos positivos e outros 670 em investigação. 

No município de Américo Brasiliense, de 38 mil habitantes, na região norte do Estado, o primeiro óbito foi registrado no último dia 4. A vítima, um homem de 47 anos, morava no Jardim São José e também teve diagnóstico de dengue hemorrágica.

Alerta: Cidade registrou 42 casos de Leishmaniose em 2018; em 2019 já são 2

O município de Rondonópolis registrou um total de 42 casos de Leishmaniose durante o ano de 2018 e, até o final do mês de março desse ano, já haviam sido registrados pelo menos 2 casos, além de um caso ocorrido já no mês de abril, que ainda não consta nos índices oficiais. A doença infecciosa causada por protozoários é transmitida pela picada de insetos, como mosquito palha, e exige cuidados, como manter os quintais limpos, para evitar que o mosquito se reproduza e que a doença se espalhe.

De acordo com dados do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Município, em 2018 foram registrados 42 casos de leishmaniose tegumentar, sendo 6 deles no primeiro trimestre de 2018. A leishmaniose tegumentar é caracterizada pela formação de feridas na pele, principalmente nas partes descobertas do corpo. Com o tempo, essas feridas podem surgir nas mucosas do nariz, da boca e da garganta. Essa forma de leishmaniose é popularmente conhecida como “ferida brava”.

Ainda em 2018 foram registrados 7 casos de leishmaniose visceral, sendo dois deles no primeiro trimestre do ano, mas não foi registrado nenhuma vítima fatal. Essa variação da doença é sistêmica, acometendo órgãos internos, como o fígado, o baço e a medula óssea. Esse tipo de leishmaniose acomete principalmente crianças de até dez anos. Após essa idade se torna menos frequente.

Já no primeiro trimestre de 2019 foram registrados 2 casos do tipo tegumentar, mas ainda não há registro de nenhum caso de leishmaniose visceral, ao menos até o final do mês de março, quando o relatório foi fechado. No entanto, informações que chegaram até a redação do A TRIBUNA dão conta da ocorrência de pelo menos um caso de leishmaniose visceral, ocorrido em um bairro localizado na região da Vila Operária e que teria acometido em uma criança.

Precauções

Segundo informações da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ), o bloqueio químico para o combate do mosquito palha, transmissor da doença, é feito somente quando há algum caso de leishmaniose visceral confirmado em humano. Esse bloqueio químico consiste na aplicação de um tipo específico de veneno nos 9 quarteirões em torno da residência da pessoa que teve o caso confirmado. Quando isso é feito, a população residente é orientada em guardar pertences pessoais em locais fechados, mesmo porque, o bloqueio é feito também dentro das casas.

A orientação do órgão para evitar que a doença se espalhe é o combate ao mosquito palha, que se reproduz em material orgânico e em decomposição, como folhas de árvores. Por isso, a UVZ alerta para a necessidade de manter os quintais limpos.

Os cães também devem ser cuidados pelos proprietários e, em caso de suspeita de leishmaniose, é necessário a realização de exames. Com a confirmação, a doença pode ser tratada com medicamentos, apesar de a doença não ter cura nos animais.

Em três meses, casos de dengue aumentam 37,9% no Maranhão

De janeiro a 16 de março de 2019, os casos de dengue no Maranhão aumentaram 37,9% em comparação com o mesmo período de 2018. Os dados são do Ministério da Saúde. Nesse intervalo de tempo foram notificados 749 casos da doença no estado, quando no mesmo período de 2018 foram registrados 543 casos.

São Luís

Na contramão dos dados estaduais, nos primeiros meses de 2019 houve uma queda de 64% no número de casos na capital São Luís. No entanto, a situação pode piorar diante da greve dos agentes de endemias e de saúde, que já dura seis dias.

Ronila Carvalho já teve chikungunya e teme uma epidemia por conta da greve dos agentes de endemias em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

Ronila Carvalho já teve chikungunya e teme uma epidemia por conta da greve dos agentes de endemias em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

Ronilza Carvalho trabalha como doméstica e já sofreu com dores nas articulações por conta da chikungunya. Ela vive perto de uma galeria onde escorre água de chuva e se diz preocupada com a greve dos agentes de endemias.

“Eles [agentes] vão ajudando a gente a combater a dengue”, contou Ronilza.

Ronilza vive perto de uma galeria com água parada e está preocupada com a greve dos agentes de endemias — Foto: Reprodução/TV Mirante

Sobre a greve dos agentes, a Secretaria Municipal de Saúde informou que está viabilizando a aprovação de uma lei para atender as demandas da categoria.

Sobe para oito número de mortes por dengue no DF em 2019

Oito pessoas morreram em decorrência de quadros de dengue no Distrito Federal de 1º de janeiro a 30 de março. Os dados são do Informativo Epidemiológico nº 12 da Secretaria de Saúde (SES-DF), publicado nesta terça-feira (9/4). O número de registros subiu 9,5% em relação à semana anterior e o índice de casos prováveis atingiu 6.650 em 2019 — 876,5% a mais que no mesmo período do ano passado. 

Em 2019, a SES-DF contabilizou 7.575 casos notificados de dengue, sendo que 96,4% foram comunicados por brasilienses. As regiões administrativas do Itapoã e de São Sebastião continuam em destaque pela alta incidência. O Itapoã é a cidade com a maior quantidade de ocorrências acumuladas em todo o DF até agora. Em março, a região também ficou em primeiro lugar, registrando 679,59 casos prováveis para cada 100 mil habitantes.

Embora as taxas tenham caído, São Sebastião teve um pico nas taxas em fevereiro, com 487,6 registros para cada 100 mil habitantes. No último dia 23, uma força-tarefa de 400 militares do Corpo de Bombeiros atuou na cidade durante um trabalho de combate contra o mosquito Aedes aegypti. Para a Secretaria de Saúde, a desaceleração em São Sebastião está “se consumando”. Enquanto isso, na Cidade Estrutural, em Planaltina e em Brazlândia, a desaceleração “ainda é duvidosa”.Continua depois da publicidade

Novos índices

O boletim divulgado também conta com informações a respeito de ocorrências de febre chicungunha e febre amarela, também transmitidas pelo Aedes aegypti. Segundo informações da pasta, até a última semana de março, houve 69 casos prováveis de febre chicungunha, sendo que quatro pessoas foram contaminadas no DF. Em relação à febre amarela, foram 40 casos suspeitos no mesmo período. Nenhum foi confirmado ainda. Trinta e cinco foram descartados e cinco seguem sob investigação.

O combate ao mosquito terá reforço do Exército Brasileiro a partir desta terça-feira (9/4). Durante as próximas três semanas, 100 militares estarão no Itapoã, em São Sebastião e em Planaltina para eliminar focos com água parada e conscientizar a população sobre como evitar a proliferação do inseto. No Itapoã, as ações começaram com três militares acompanhando agentes da Vigilância Ambiental da SES-DF nas visitas aos domicílios. 
Em cada uma das três regiões administrativas programadas, está prevista a atuação de 32 soldados, além dos que ficarão no apoio logístico. Como contrapartida, a Secretaria de Saúde fornece aos militares combustível, protetor solar, água e repelente.
Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal

Justiça determina medidas para melhorar combate ao Aedes aegypti em 2 municípios do Oeste de SC

A Vara Única de São Carlos, no Oeste catarinense, determinou medidas para os municípios de São Carlos e Águas de Chapecó intensificarem o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a dengue, vírus da zika, febre de chikungunya e febre amarela. As prefeituras terão que contratar mais agentes e disponibilizar um veículo exclusivo para essas atividades.

As decisões foram divulgadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), autor das duas ações, nesta terça-feira (9). O G1 não conseguiu contato com as prefeituras. As determinações são liminares (temporárias). A referente a São Carlos é de quarta (3) e a relativa a Águas de Chapecó, de 27 de março.

Os dois municípios são considerados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) infestados pelo mosquito, como critério relacionado ao número de focos do inseto encontrados. São Carlos e Águas de Chapecó também estão na lista das 32 cidades com alto riscode transmissão das doenças relacionadas à espécie.

No estado, segundo o último boletim da Dive-SC, há 121 casos confirmados de dengue, um de febre de chikungunya e um de febre amarela. Não há pacientes com vírus da zika. O homem que contraiu febre amarela morreu.

Processos

O MPSC afirmou que fez inquérito civil para apurar as falhas nos dois municípios no combate ao mosquito. Nos processos, o órgão declarou que eles não fizeram integralmente as medidas previstas no Programa Nacional de Controle da Dengue.

De acordo com a Promotora de Justiça Silvana do Prado Brouwers, nas duas cidades há falta de agentes e materiais para realizar as ações. Além disso, nenhum dos dois municípios tem veículo exclusivo para o combate ao mosquito. Segundo o MPSC, isso impede e atrasa as ações, permitindo que a infestação avance.

Decisão

Em relação a São Carlos, a juíza Cristine Schutz da Silva Mattos determina que o município contrate mais dois agente de combate a endemias em 30 dias, disponibilize em 20 dias material para este tipo de atividade, disponibilize em 48 horas um veículo exclusivo e realize em 30 dias as medidas descritas no Programa Nacional de Controle da Dengue.

Para Águas de Chapecó, a mesma magistrada determinou a contratação de mais um agente em 20 dias, a disponibilização de material em 20 dias e de um veículo exclusivo em 48 horas e a realização em 30 dias das medidas descritas no Programa Nacional de Controle da Dengue.

A multa para ambos os municípios caso haja descumprimento da decisão é de R$ 5 mil por dia por cada item não realizado.

Dos 16 casos de leishmaniose visceral no Estado, oito são de Campo Grande

Divulgado nesta segunda-feira (8), o boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde) mostrou que em 2019, Mato Grosso do Sul registrou 16 casos de leishmaniose visceral, metade deles em Campo Grande e um óbito em Três Lagoas.

Segundo o boletim, até o dia 4 de abril oito cidades registraram os casos e liderando o ranking está a Capital com 8, metade do total. Em seguida vem Coxim com 2 notificações confirmadas. Já  Aparecida do Taboado, Alcinópolis, Aquidauana, Bataguassu e Corumbá tiveram apenas 1 registro de leishmaniose.

Em Três Lagoas, houve uma notificação com morte pela doença. No mês de março, um bebê de cerca de um ano de idade foi a primeira vítima por leishmaniose visceral no município, a cerca de 330 km de Campo Grande.

No começo de abril, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) afirmou que médicos da cidade, receberiam uma capacitação para detecção da doença na Atenção Básica, promovida pela Gerência Técnica das Zoonoses, ligada a Superintendência Geral de Vigilância em Saúde da pasta. O objetivo é possibilitar o diagnóstico da doença em estado inicial.

De 2011 ao dia 4 de abril de 2019, Mato Grosso do Sul registrou 1.583 casos de leishmaniose visceral  com 106 óbitos.

Leishmaniose Visceral

A Leishmaniose Visceral é uma doença ainda sem cura e transmitida pela picada de insetos vetores, os flebotomíneos, popularmente chamados de “mosquito palha” ou “cangalhinha”. Eles são pequenos, de cor clara e pousam de asas abertas.

O mosquito se contamina com o sangue de pessoas e de animais doentes, principalmente cães, e transmite o parasita à pessoas e animais sadios. Existem dois tipos de leishmaniose, a visceral e a tegumentar.

Entre os principais sintomas da leishmaniose visceral, considerada mais grave, estão alteração do estado geral, febre, palidez, fraqueza e aumento das vísceras – principalmente do baço, do fígado e da medula óssea. Nos cães também pode haver descamação de pele e crescimento progressivo das unhas.

Para combater os focos do mosquito, é fundamental manter terrenos limpos de resíduos orgânicos, como folhas, frutas e lixo comum – diferentemente do mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue, zika e chikuyngunia, o mosquito-palha não precisa de água parada para se reproduzir.