Mais de um ano após início do surto, incerteza paira sobre a microcefalia

A epidemia de microcefalia em Pernambuco ainda reserva muitos desafios a todos os envolvidos: famílias, poder público e classe médica. Dezenas de médicas e médicos mergulharam de cabeça em pesquisas sobre o que hoje se chama Síndrome Congênita do Zika vírus. Desde os primeiros casos, em outubro de 2015, quando se constatou uma evolução do padrão de microcefalia no estado, cada notificação gerou mais perguntas sobre como a infecção pelo vírus interfere na formação do cérebro dos bebês. Um ano depois, os estudos ainda carecem de certezas.

“É tudo muito novo sobre o Zika, em comparação com outras causas de doenças congênitas. É um fenômeno que não aparece escrito em nenhum momento na literatura científica nacional e internacional”, destaca a médica infectologista Regina Coeli, do ambulatório de Doenças Infectocontagiosas e Parasitárias (DIP) Infantil do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), localizado no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.

Coeli é uma das médicas que está escrevendo este novo capítulo da história da epidemiologia no Brasil e no mundo. No ambulatório onde atua, coordenado por Ângela Rocha, também infectologista pediátrica, cerca de cem crianças com microcefalia são atendidas e acompanhadas regularmente, além de outras tantas que são casos suspeitos. O fato é que todas elas estão em investigação constante, incluindo as que têm diagnóstico de microcefalia tanto confirmado quanto descartado.

Ambulatório de Infectologia Infantil do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) (Foto: Katherine Coutinho/G1)Ambulatório de Infectologia Infantil, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), atende cerca de cem crianças com microcefalia (Foto: Katherine Coutinho/G1)

“A criança que nasceu com outras alterações pode vir a apresentar alguma alteração no cérebro no decorrer da evolução. Não tem como dizer que não vai aparecer mais nada”, reflete Regina Coeli. Apesar de tantas questões a serem respondidas, a colega Ângela Rocha percebe que os caminhos para a compreender o fenômeno e seus desdobramentos estão se abrindo.

“A gente entende hoje que a microcefalia é o ponto mais grave da infecção por Zika intraútero. Por isso, a gente chama de síndrome congênita do Zika. O bebê pode ter apenas alterações visuais, auditivas. Às vezes, o tamanho da cabeça é até normal, mas quando vamos ver o exame de imagem, tem uma alteração, um comprometimento no cérebro”, complementa Rocha.

Força-tarefa
Enquanto as dúvidas vão se esclarecendo e outras vão surgindo, o Ministério da Saúde disponibilizou, em janeiro deste ano, para médicos e gestores públicos de todo o país, as Diretrizes de Estimulação Precoce para crianças de até três anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia.

A iniciativa é uma tentativa de resposta ao cenário de urgência que decorre do aumento dos casos de microcefalia em todo o país: de acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE), entre outubro do ano passado e 8 de outubro deste ano, 2.149 casos suspeitos de microcefalia foram notificados, tendo 389 sido confirmados. Em 2014, o estado registrou apenas 12.

Com isso, 26 unidades estaduais de saúde passaram a tratar crianças com microcefalia e oferecer atendimento psicossocial a elas e suas famílias, quando antes apenas duas tinham o serviço, o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Os quadros também foram reforçados com a contratação, via concurso, de 2.891 profissionais, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos e técnicos de enfermagem, o que acarretou num aumento de R$ 6 milhões por mês na folha de pagamentos do Estado.

A estimulação precoce visa maximizar o potencial de cada bebê inserido no programa estabelecendo o tipo, o ritmo e a velocidade dos estímulos e designando, na medida do possível, um perfil de reação, desde o período neonatal. Tudo num ambiente favorável para o desempenho de atividades que são necessárias para o desenvolvimento da criança.

No Hospital Oswaldo Cruz (HUOC), hoje uma das unidades de saúde que mais recebe crianças com a síndrome, teve início um atendimento multiprofissional, com a inserção de fisioterapia e fonoaudiologia. O hospital também trabalha de forma integrada com outras unidades, como a Fundação Altino Ventura, centro de referência em oftalmologia, para onde são encaminhadas as crianças que apresentam comprometimento na visão em decorrência da síndrome.

De acordo com a coordenadora do DIP Infantil/HUOC, Ângela Rocha, a estimulação precoce tem tido boa resposta. “Não há como padronizar [o resultado]. De uma criança que teve uma lesão importante, não se vai esperar que fique como uma criança completamente formada. No entanto, com a estimulação, há correção de algumas coisas. Dentro da lesão que ela sofreu, a gente tentar fazer com que ela consiga o melhor ganho, o melhor rendimento. As mães mesmo relatam como elas [as crianças] estão melhores”, esclarece.

Bebê com microcefalia é atendido no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife (Foto: Katherine Coutinho/G1)Hospital Universitário Oswaldo Cruz foi um dos primeiros a receber os bebês com microcefalia no estado (Foto: Katherine Coutinho/G1)

Devido à grande demanda, há crianças em lista de espera para a estimulação. E não se sabe se essa lista pode crescer ainda mais. O verão está voltando e, com ele, o mosquito transmissor do Zika vírus, o Aedes aegypti, que se reproduz em épocas quentes e chuvosas. Ângela Rocha complementa que o enfrentamento ao mosquito transmissor não é apenas responsabilidade da população.

“No combate ao vetor, a gente sempre teve muita dificuldade. Há quanto tempo vemos campanha contra o mosquito da dengue, não é? Mas é complicado se falar em conscientização da população, principalmente se não tem saneamento básico. É uma população que tem a dificuldade de coleta de lixo e de água encanada”, conclui a infectologista.

Balanço financeiro
O surto de arbovirores (dengue, zika e chyncungunya) e microcefalia gerou no estado a necessidade de promover uma movimentação milionária de recursos para a saúde pública. O governo alega ter investido, com a reestruturação da rede de saúde estadual e os investimentos em pesquisas sobre a doença, mais de R$ 65 milhões, tudo do orçamento do próprio estado.

Segundo dados da Secretaria de Saúde, o único repasse da União enviado para Pernambuco foi de R$ 3,2 milhões, referente à portaria interministerial nº 405, que definiu os valores para os estados da Federação levando em conta o número de casos confirmados e em investigação contidos no informe epidemiológico nº 16, de 5 março de 2016. À época, Pernambuco tinha um total de 1.455 casos confirmados e em investigação.

O valor foi recebido em duas parcelas, liberadas em março e maio deste ano, e foi voltado, exclusivamente, para o fechamento dos diagnósticos dos bebês e não para acompanhamento e tratamento desses pacientes. Esse repasse ainda foi dividido com os municípios, tendo R$ 1 milhão sido destinado para as prefeituras.

Instituto Biológico desenvolverá projeto inédito para estudo do zika vírus em animais

O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, teve projeto de pesquisa inédito aprovado para estudar o vírus da zika. O projeto busca estudar o vírus em animais e sua interface com os humanos. O montante destinado à pesquisa será de R$ 956.500,00, oriundo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).  O projeto foi aprovado na chamada MCTIC-CNPq/ MEC-CAPES/ MS-DECIT / FNDCT Nº 14/2016 – Prevenção e combate ao vírus zika.

A pesquisa foi considerada de relevância social, principalmente, por possibilitar mais conhecimento sobre potenciais reservatórios animais do vírus, fundamental para a saúde pública. Por enquanto, o projeto será desenvolvido em parceria com o Instituto Evandro Chagas, Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Zooprofilattico Sperimentale dell’ Abruzzo e del Molise “G.Caporale”.

De acordo com a pesquisadora do IB Liria Hiromi Okuda, há grande esforço para desvendar a atuação do vírus da zika em humanos, mas ainda não há pesquisas e informações se no Brasil o vírus também afeta animais e se há alguma relação entre a saúde humana e animal, neste caso. O foco do projeto é estudar se o zika vírus também acomete bovinos, ovinos, macacos, bubalinos, cães e gatos, e se os animais atuam como reservatório da doença.

“Sabemos que o Aedes aegypti é o transmissor do zika e que ele também pica animais, contudo, outros insetos estão envolvidos na transmissão desses agentes, dentre eles os mosquitos dos gêneros Culex e Culicoides. Será que eles transmitem as mesmas doenças para os animais e humanos? Esta é uma informação que ainda não temos”, explica Liria. Os pesquisadores pretendem relacionar os resultados em humanos para avaliar se há reação cruzada com os arbovírus (zika, chikungunya, dengue) detectados em humanos.

“Como o projeto prevê a captura de insetos, vamos estudar uma gama maior de vírus. A ideia é avaliar as populações de insetos em vários locais para ver que tipo de vírus eles podem transmitir e detectá-los nesses insetos”, explica a pesquisadora. Serão pesquisados ainda o vírus da diarreia viral bovina e língua azul, comuns em animais, sendo este último transmitido por Culicoides.

O projeto, com duração de quatro anos, terá aporte financeiro do CNPq, no valor de R$ 630.168,00, e da Capes, de R$ 196.800,00, com uma bolsa de pós-doutorado, e R$ 129.532,00 de custeio. O financiamento compõe uma linha aberta pelo CNPq especifica para trabalhos com o vírus da zika. Em novembro, será realizada uma reunião em Brasília com todas as instituições envolvidas no projeto, em que serão abordadas as ações conjuntas para obter efetivo resultado no controle dessas doenças.

Com a verba, está prevista a aquisição de um Sequenciador de Nova Geração (NGS), que contribuirá nos estudos de metagenômica e filogenia molecular. “Com esse equipamento, poderemos sequenciar o genoma completo dos vírus estudados. Com o sequenciador que temos hoje, é possível sequenciar apenas partes dos genomas”, explica Edvirges Maristela Pituco, pesquisadora do IB.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, o projeto mostra a importância da pesquisa agropecuária e da parceria entre as instituições. “Muitas vezes achamos que saúde humana é totalmente diferente da saúde animal, mas as duas são interligadas, principalmente por conta das zoonoses. O Instituto Biológico tem muito a contribuir com os estudos relacionados ao zika vírus no Brasil”, afirma. Segundo ele, o governador Geraldo Alckmin tem incentivado a parceria entre os institutos e outras instituições de ciência e tecnologia, além da iniciativa privada.

Antecipar demandas

A expectativa é também desenvolver kits de diagnósticos que possam detectar diversos vírus e até mesmo antecipar problemas, para que os pesquisadores busquem soluções. Este é o caso da infecção pelo vírus da língua azul, transmitida por Culicoides, cujo reservatório são os bovinos. A infecção acomete cervídeos geralmente de forma fatal. Edvirges explica que existem na literatura mundial 29 sorotipos da língua azul, sendo que no Brasil estima-se a ocorrência de 15 deles, aproximadamente. “Quase não há estudos nesta área. Precisamos avaliar a distribuição dos vírus, quais são os sorotipos encontrados no Brasil para podermos fazer um banco viral e desenvolver vacinas, juntamente com empresas privadas”, diz.

A pesquisadora do Instituto Biológico explica ainda que a língua azul ainda não causa prejuízos econômicos para o rebanho bovino brasileiro, porém, a doença passou a ser considerada um problema quando foi identificada como causadora de mortes de bovinos e ovinos na Europa. A partir daí, a língua azul passou a ser considerada uma barreira sanitária. Antes, os vírus transmissores da língua azul eram identificados apenas em países tropicais, sem causar manifestações clínicas nos animais de produção.

“Em 2006, foram identificados os primeiros casos na Europa, com problemas clínicos sérios. No Brasil, até o momento, não foram identificados sorotipos que prejudiquem o rebanho, mas os vírus são mutantes e a qualquer momento podem produzir manifestação clínica e causar prejuízo a pecuária. Estamos nos antecipando”, afirma a pesquisadora.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

VACINA CONTRA DENGUE PODE AUMENTAR MUITO OS CASOS DE ZIKA VÍRUS

Uma pesquisa feita pela Universidade de York, Reino Unido, e a Universidade Xi’an Jiaotong, na China, descobriu uma terrível consequência da vacina contra dengue. Esta consequência prejudica toda a população, especialmente as gestantes. De acordo com os pesquisadores, vacinar a população contra a dengue pode aumentar os casos de Zika vírus.

Segundo os pesquisadores, vacinar as pessoas contra dengue aumenta os casos de Zika vírus e quanto mais cedo as pessoas forem vacinadas contra a dengue maior o surto de Zika. “Vacinar contra um vírus faz com que fique mais fácil para o outro se espalhar. Evidências recentes sugerem que os anticorpos do vírus da dengue (que são utilizados para a elaboração da vacina) podem favorecer a infecção pelo vírus Zika”, observa o autor do estudo e professor da Universidade de York, Jianhong Wu.

O estudo também apontou que o risco de Zika vírus só não aumenta, quando juntamente com a vacinação contra a dengue, o país realiza um trabalho de controle do mosquito Aedes Aegypti, o transmissor da dengue e do Zika.

Os pesquisadores deixaram claro que não querem com isso desencorajar o desenvolvimento e promoção da vacina contra dengue. Porém, afirmam que são necessários mais estudos para melhorar os programas de vacinação contra a dengue e reduzir o risco de Zika vírus.

Só um bairro apresenta alto risco de dengue

Saiu o resultado da primeira pesquisa de prolifereação do mosquito da dengue em Campo Mourão depois que as temperaturas voltaram a subir. No geral, deu índice de 1,01%, ou seja, praticamente o tolerável pela Saúde. Dos 1.558 imóveis pesquisados, 16 apresetaram focos do mosquito. Apenas a região do jardim Aeroporto teve índice consierado alto, com 4,76%. Em 10 bairros os índices estão abaixo de 4%, o que significa médio risco. Nas demais, foi índice zero.

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O que foi dito

“Apesar da situação não ser alarmante, é muito importante que a população não baixe a guarda, porque agora chegamos ao período do ano com temperaturas altas, além de umidade, muito propícia para o mosquito”.

Carlos Bezerra, coordenador do Comitê Gestor de Combate à Dengue.

COMBATE AO AEDES AEGYPTI É INTENSIFICADO EM PINHAIS

O mês de novembro é marcado pela intensificação da campanha de combate à dengue. Por meio da Gerência de Vigilância Ambiental, os agentes de combate a endemias visitam comércios, residências, escolas, espaços públicos, entre outros locais. Cabe ressaltar que a Lei Municipal 1485/2013 institui a última semana deste mês como a Semana de Combate à Dengue.

A Gerente da Vigilância Ambiental, Cristiane Barros, destaca que o Aedes Aegypti “É importante lembrar que o mosquito Aedes Aegypti transmite outras doenças além da Dengue, como a Febre Chikungunya e o Zika vírus. Nós intensificamos nossas ações, mas é importante que a população fique atenta o ano todo”, comenta.

Durante todo o mês, serão realizadas diversas ações como distribuição de materiais informativos, orientações e palestras nas escolas do município, hospitais, entre outros locais onde há circulação de pessoas, para que toda a comunidade seja alertada sobre os riscos da doença e também em relação às formas de prevenção e combate.

O trabalho permanente, executado durante o ano todo, consiste em visitas zoosanitárias a pontos estratégicos e residências para levantamento de índices, reconhecimento geográfico, monitoramento de armadilhas, pesquisas vetoriais especiais e delimitação de foco, como forma de auxiliar no monitoramento e controle dos vetores.

Confira algumas formas de prevenção indicadas pelo Ministério da Saúde:

-Mantenha a caixa d’água sempre fechada com tampa adequada;

-Encha de areia até a borda os pratinhos dos vasos de plantas;

-Entregue pneus velhos ao serviço de limpeza urbana ou guarde-os em local coberto, sem água e longe da chuva;

-Mantenha as garrafas, vasos vazios de plantas e baldes sempre de boca para baixo;

-Não deixe a água de chuva acumulada sobre a laje;

-Tire sempre a água acumulada nas folhas de plantas;

-Coloque lixo em sacos plásticos e mantenha a lixeira fechada. Não jogue o lixo em terrenos baldios;

-Lave, principalmente por dentro, com escova e sabão, os utensílios domésticos usados para armazenar água.

Serviço

A Gerência de Vigilância Ambiental fica na Rua Alto Paraná, nº 1.789, no bairro Emiliano Perneta (próximo à Usina de Asfalto). Dentre outras atividades, o setor atende reclamações sobre a existência de locais que favorecem o desenvolvimento de mosquito da dengue e orienta os moradores sobre boas práticas para evitar a ocorrência do mosquito. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e o contato pode ser feito pelo telefone 3912-5396.

UNIMED LONDRINA: Ações de combate à dengue são realizadas em parceria com a Prefeitura

Combater a dengue depende de ações concretas. Eliminar os recipientes que acumulam água e servem de criadouro para o mosquito é fundamental. Mas tão importante quanto isso é lembrar as pessoas da necessidade de se envolver neste processo. Com o objetivo de auxiliar na luta contra o mosquito, a Unimed Londrina se tornou parceira das secretarias Municipais de Saúde e Educação na produção de materiais educativos de combate à dengue.

Exemplares – A Unimed Londrina entregou às secretarias 20 mil exemplares do material “Dez Minutos contra a Dengue”. Conforme a especialista em Responsabilidade Social da Unimed Londrina, Fabianne Piojetti, trata-se de um check list com atividades que devem ser feitas semanalmente para garantir que o mosquito não encontre espaço para se reproduzir. “A iniciativa de desenvolver este material foi da secretaria de Saúde e a Unimed entrou como parceira custeando a impressão e possibilitando que este projeto se tornasse realidade”, explica.

Escolas municipais – Conforme ela, um dos objetivos é distribuir estes materiais nas escolas municipais. “Já temos parceria com a secretaria municipal de Educação e acreditamos que as crianças são grandes incentivadoras do combate à dengue em casa, por isso sugerimos que elas fossem incluídas nesta campanha”, complementa Fabianne.

Cartilha – Além de custear a produção do material que será entregue para a prefeitura, a Unimed Londrina também imprimiu a cartilha sobre o combate à dengue da Unimed do Brasil para entregar aos clientes. O material traz informações sobre o uso de repelentes, os sintomas das doenças transmitidas pelo aedes aegypti e as maneiras de combater o mosquito. “Entendemos que esta é uma questão de saúde pública e que, como grande empresa, estamos fazendo nosso papel”, ressalta a especialista.

Finados terá orientação contra o mosquito da dengue

A Secretaria de Estado da Saúde aproveita o feriado de Finados, nesta quarta-feira (2), para chamar a atenção sobre a importância de reforçar os cuidados contra o Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da febre chikungunya. O alerta se deve à necessidade de redobrar as ações de prevenção nos cemitérios, considerados locais de risco para a proliferação do mosquito. A Prefeitura de Curitiba também reforça os cuidados contra o mosquito.

A recomendação é que, ao comparecer aos cemitérios, as pessoas evitem levar vasos de flores e outros objetos que possam acumular água da chuva. “Qualquer recipiente exposto ao ar livre pode se tornar um criadouro do mosquito e trazer sérios problemas à vizinhança. Neste período do ano, em que se alternam dias de chuva e de calor, o cuidado tem que ser permanente”, ressaltou o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto.

“Também orientamos que floreiras e suportes de vasos sejam furados para permitir a vasão da água e que qualquer ornamento que possa acumular água seja removido ou preenchido com areia”, afirma a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Aedes, Simone Ferreira Gusi.

Outras dicas são: evitar plantas que acumulem água nas folhas, jogar na lixeira o lixo produzido para ajeitar os túmulos, trocar a água dos vasos por terra, não deixar objeto que possa acumular água sobre os jazigos.

Segundo o último boletim informativo da Secretaria da Saúde, diversas regiões do Estado já apresentam condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do mosquito. Apesar disso, o Aedes aegypti só se prolifera se encontrar criadouros propícios para depositar seus ovos.

Zika reduz fertilidade e testosterona em camundongos machos, diz estudo

Um novo estudo com camundongos machos demonstrou que a infecção pelo vírus da zika pode ter consequências para indivíduos do sexo masculino e sua capacidade de ter filhos. Os resultados foram publicados na revista “Nature” nesta segunda-feira (31).

A pesquisa indica que o vírus tem como alvo o sistema reprodutivo masculino. Três semanas após os camundongos terem o zika injetado em seu organismo por pesquisadores, seus testículos encolheram para um décimo do tamanho, os níveis de hormônios sexuais caíram e a fertilidade foi reduzida. No geral, os roedores que tiveram o vírus eram 4 vezes menos propensos a engravidar as fêmeas.

“Realizamos este estudo para entender as consequências da infecção por zika em homens”, disse Michael Diamond, coautor do estudo. “Mesmo que nossa pesquisa tenha sido feita em camundongos – e com a ressalva de que nós ainda não sabemos se o zika tem o mesmo efeito em homens –, ela sugere que os homens podem ter níveis de testosterona mais baixos e um número menor de espermatozoides após a infecção pelo zika, afetando a fertilidade”, completou.

Até agora, a maior parte das pesquisas para compreender as infecções pelo vírus se concentrou em entender os efeitos nas mulheres grávidas, devido às consequências graves para com os bebês, como a microcefalia e outras malformações decorrentes da síndrome congênita do zika.

 À esquerda, testículo de camundongo saudável, à direita, testículo de camundongo após uma infecção pelo vírus da zika  (Foto: Prabagaran Esakky)À esquerda, testículo de camundongo saudável, à direita, testículo de camundongo após uma infecção pelo vírus da zika (Foto: Prabagaran Esakky)

O vírus permanece no sêmen por meses após o contágio. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) recomendam que os homens que viajaram às regiões endêmicas do zika usem preservativos durante pelo menos seis meses, independente de qualquer sintoma.

Após os resultados com relação aos testículos, hormônios e fertilidade, os pesquisadores ainda querem compreender se os efeitos do vírus nos camundongos machos são definitivos. “Não sabemos se o dano é irreversível, mas acredito que sim, porque as células que compõe a estrutura interna foram infectadas e destruídas”, explicou Diamond.

Os pesquisadores apontam que é necessário que sejam feitos estudos em seres humanos do sexo masculino para confirmar se realmente há um impacto na fertilidade após a infecção pelo zika.