Unesp aprova projeto contra Zika e Dengue

Chamada multidisciplinar prevê um processo de interação internacional entre os grupos de pesquisas

0
13

As doenças Dengue e Zika não param de se propagarem, principalmente em Franca e na região. A quantidade de mortes tendo como transmissor um simples mosquito, há anos vem sendo alvo de pesquisas.

Nessa semana, a Unesp, juntamente com universidades da Itália e da Holanda, teve projeto aprovado para financiamento pelo Humans Frontiers Science Program (HFSP), uma das chamadas mais concorridas da Europa. A proposta ficou em quinto lugar entre as 21 aprovadas. Das 1.073 cartas de intenção enviadas inicialmente, apenas 78 foram selecionadas para a segunda fase (submissão da proposta completa) e, dessas, 21 foram aprovadas, ou seja menos de 3% das que se candidataram inicialmente.

A chamada multidisciplinar, aberta para pesquisadores de todo o mundo, prevê um processo de interação internacional entre os grupos de pesquisas envolvidos. O projeto vai focar inicialmente em Zika e depois Dengue, num processo chamado imunidade transgeracional, ou seja, o estudo da imunidade que é passada de uma geração para outra de mosquitos.
“Vamos investigar essa hipótese. A ideia geral é que, quando o vírus infecta um mosquito, transfere para o genoma dele um pedaço do genoma viral. E esse fragmento do material genético viral, chamado de NIRV (non-retroviral integrated RNA virus sequence), que passa a integrar o DNA do mosquito, é usado pelo próprio inseto para produzir moléculas que combatem o vírus quando ele é infectado novamente. Uma vez que o NIRV integrado ao genoma do inseto é específico para cada tipo de vírus que o infecta, nosso trabalho pode gerar a primeira evidência de que insetos também possuem uma resposta imune adaptativa, além da sua já tradicional e caracterizada resposta inata contra patógenos. Vamos investigar se isso de fato acontece e qual é o mecanismo que rege esse processo”, diz Jayme A. Souza-Neto, professor da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp de Botucatu.
Souza-Neto informa ainda que a proposta não podia ser feita baseada em colaborações que existiam anteriormente e que os pesquisadores necessariamente precisavam fazer algo diferente do que vinham realizando até então. “Foi necessário, portanto, propor atividades com base nas expertises de cada um, mas que fossem, porém, diferentes daquelas em rotina nos nossos laboratórios, e que de forma clara representassem a formação de um novo plano pesquisa para cada grupo. É uma grande oportunidade para incorporarmos novas tecnologias e expandir a linha de pesquisa do Vectomics, e ainda em parceria com dois jovens e promissores grupos de pesquisa europeus”.

Deixe seu Comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here