Aplicativo ajuda a mapear casos de dengue em Araraquara

Em meio a uma epidemia de dengue, uma empresa de tecnologia de Araraquara lançou um aplicativo para mapear os casos da doença e ajudar na informação da população.

De acordo com a última atualização da prefeitura, na segunda-feira (18), a cidade tem 1.668 casos, uma morte confirmada e duas suspeitas.

O app “Todos contra a dengue” é gratuito e foi lançado na quarta-feira (20) para os sistema IOS e Android.

“O objetivo é divulgar o máximo de informação sobre a doença para a população e conseguir mapear as áreas que estão com mais casos de dengue o mais atualizado possível”, afirma analista de sistemas Renê de Paula Taba Silva, um dos responsáveis pelo projeto.

Aplicativo mapeia casos de dengue em Araraquara. — Foto: Reprodução

O app é colaborativo e conta com a contribuição da população. As pessoas doentes se identificam e informam a sua localização, que entra no mapa e fica por sete dias, que é o tempo de transmissão da doença.

“Essa informação é útil para a população porque as pessoas dessas áreas [mapeadas] poderão ter mais atenção e cuidado”, afirma Silva.

Também há dicas de prevenção e de tratamento da doença e a localização dos pontos onde estão sendo realizados atendimentos dos casos da doença.

Aplicativo mapeia casos de dengue e pontos de atendimento em Araraquara. — Foto: Reprodução

O desenvolvimento do aplicativo consumiu uma semana de uma equipe de cinco pessoas da FI Sistemas, que bancou o projeto sozinha, sem patrocínio.

“Foi uma ação para ajudar a população que está vivendo essa epidemia. Uma das formas que a gente encontrou para ajudar todo mundo”, disse Silva.

Araraquara vive uma epidemia de dengue e é a terceira cidade do estado em número de casos.

Aplicativo mapeia casos de dengue em Araraquara — Foto: Reprodução

Com confirmação de leishmaniose visceral, Matão instala armadilhas para capturar o mosquito palha

Uma equipe da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) iniciou nesta quinta-feira (14), em Matão (SP), a instalação de armadilhas para capturar o mosquito palha, transmissor da leishmaniose visceral.

A cidade entrou em alerta sobre a presença do mosquito após a confirmação da doença em uma bebê de nove meses. A criança está internada no Hospital das Clínicas Criança de Ribeirão Preto.

Armadilha

A armadilha é composta por um recipiente com uma luz dentro, que atrai o mosquito palha, e um mini ventilador que puxa o inseto para dentro da rede.

O mosquito capturado é levado para análise e, em caso positivo de contaminação, é aplicado um fumacê na região em que ele foi localizado.

Na área urbana, a transmissão da doença ocorre após o mosquito palha picar um cachorro infectado e depois um humano.

A claridade atrai o mosquito palha e serve de armadilha em Matão. — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

O diretor da Vigilância Sanitária de Matão, Sérgio Luiz Lucatelli, explica que ambientes úmidos com temperaturas elevadas atraem o transmissor da leishmaniose visceral. “Eles estão principalmente nos locais onde tem resto de folhagem e resto de vegetação”.

Segundo Lucatelli, tanto os cachorros da moradia da criança contaminada, quanto os animais do canil municipal foram examinados e não foi detectada presença do protozoário.

“Ainda é necessário fazer uma pesquisa em todo o bairro para que seja detectado o animal hospedeiro”, explicou o diretor da vigilância sanitária.

Diretor da vigilância sanitária fala sobre medidas para combater o transmissor da leishmaniose visceral em Matão. — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

Sintomas da leishmaniose visceral:

  • Fraqueza
  • Emagrecimento
  • Aumento do baço e fígado
  • Comprometimento da medula óssea
  • Problemas respiratórios
Mosquito-palha costuma ser o transmissor do protozoário da leishmaniose em áreas urbanas — Foto: James Gathany/CDC

O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde informou que não foi notificado nenhum caso da doença neste ano e que o de Matão ainda está sendo investigado.

No ano passado, foram identificados 91 casos de leishmaniose visceral no estado de São Paulo e oito pessoas morreram.

11 cidades da região devem enviar relatório sobre combate ao Aedes para o Tribunal de Contas

11 cidades da região de São Carlos (SP) terão que enviar um relatório ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo com os gastos e ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. O pedido foi publicado nesta terça-feira (13) no Diário Oficial.

Segundo o documento, as prefeituras dos 250 municípios do estado que estão na lista de risco de surto de dengue, chikungunya e zika, divulgada pelo Ministério da Saúde, terão que prestar contas em até 15 dias.

Na região as cidades são:

  • Araraquara
  • Brotas
  • Conchal
  • Descalvado
  • Leme
  • Motuca
  • Nova Europa
  • Porto Ferreira
  • Rio Claro
  • Santa Cruz das Palmeiras
  • Santa Rita do Passa Quatro

O que é cobrado

Os itens que são pedidos pelo Tribunal de Contas são relacionados aos programas previstos de combate aos vírus em 2019 e declaração de recursos financeiros pessoal e material, solicitados em 2018. Os resultados obtidos com as ações também serão cobrados.

Além disso, os dados estatísticos sobre as campanhas vacinais realizadas nas três últimas gestões da prefeitura, as metas de vacinação e as eventuais razões por não alcançar as metas deverão ser esclarecidas.

No documento devem constar ainda a quantidade de pessoas contaminadas com os vírus da dengue, chikungunya e zika nas útlimas três gestões.

Matão confirma caso de leishmaniose visceral em bebê

Matão (SP) registrou um caso de leishmaniose visceral, uma doença transmitida pelo mosquito palha. A vítima é uma bebê que pegou a doença aos sete meses e, desde 16 de janeiro, está internada no Hospital das Clínicas Criança (HC Criança) em Ribeirão Preto (SP).

A prefeitura fez exames nos cachorros – hospedeiros do protozoário – do bairro Laranjeiras I, onde mora a criança e não encontrou contaminações.

Diagnóstico difícil

De acordo com a mãe Tayná Juliana da Silva, a bebê começou a apresentar febre em 29 de dezembro. Um dia depois, começaram a aparecer manchas em todo o corpo e a febre chegou a 43ºC.

A criança foi levada ao Hospital Municipal Carlos Fernando Malzoni, onde foi diagnosticada com alergia bacteriana, medicada com antibiótico e liberada para voltar para casa.

Após sete dias dando o remédio e sem a febre abaixar, a mãe voltou ao hospital, onde outro médico atendeu a criança e fez exames de hemograma e do líquido da espinha.

Os exames não mostraram a causa dos sintomas e a menina foi internada na UTI, onde passou por mais testes, desta vez para chikungunya e dengue, mas também deram negativo.

Segundo a mãe, a bebê piorava a cada dia e começou a inchar e o número de plaquetas caiu a 15 mil. Os médicos suspeitaram de leucemia e encaminharam para o HC Criança, onde recebeu transfusões de sangue e passou por mais uma bateria de exames.

Bebê diagnosticada com leishmaniose em Matão apresentou manchas na pele e muita febre — Foto: Arquivo pessoal
Bebê diagnosticada com leishmaniose em Matão apresentou manchas na pele e muita febre — Foto: Arquivo pessoal

“Era um mistério, chegou aqui eles colheram exames, todos davam negativo e a cada dia que passava o caso dela era mais grave. Aí chamaram um hematologista que colheu o sangue do osso da medula”, contou a mãe.

Somente em 24 de janeiro, a bebê foi diagnosticada com leishmaniose e síndrome hemofagocítica. Até então, ela precisou ficar entubada e passar por diálise porque a doença afetou os rins.

“Depois que descobriu a doença, deu o medicamento certo, a mudança foi da noite para o dia”.

A bebê, agora com nove meses, saiu da UTI, mas ainda permanece internada HC Criança devido a uma infecção. Ela também terá que passar por acompanhamento por dois anos.

Mosquito nunca foi encontrado

Secretário de Saúde de Matão, João Guimarães Junqueira Neto — Foto: Reprodução EPTV
Secretário de Saúde de Matão, João Guimarães Junqueira Neto — Foto: Reprodução EPTV

A família mora próximo a uma mata e tinha o hábito de passear com a bebê apenas na rua de casa.

“Até agora a gente não entendeu como isso aconteceu”, disse Tainá que tem outro filha de 3 anos que não ficou doente.

A leishmaniose visceral também conhecido como calazar, é uma doença transmitida pela fêmea do mosquito palha que adquire o protozoário de cachorros contaminados. A doença não é contagiosa e é transmitida apenas pela picada do mosquito. A mortalidade pode chegar a 10%.

De acordo com o secretário de Saúde de Matão, João Guimarães Junqueira Neto, nunca um mosquito palha foi capturado na cidade e a partir de quinta-feira (14), a Vigilância Sanitária irá instalar armadilhas para monitorar se há a presença do mosquito.

Ele descartou o risco de surto da doença e disse que as medidas que estão sendo tomadas na cidade para prevenir a dengue também são efetivas para combater o mosquito palha.

O secretário disse ainda que os testes com os cachorros deram negativo.

“Todos os cachorros do bairro e do canil foram investigados e foram atestados como negativos para a leishmaniose”, afirmou.

Mosquito-palha costuma ser o transmissor do protozoário da leishmaniose em áreas urbanas — Foto: James Gathany/CDC
Mosquito-palha costuma ser o transmissor do protozoário da leishmaniose em áreas urbanas — Foto: James Gathany/CDC

O que é Leishmaniose Visceral

A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, aumento do fígado e baço, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular, anemia e outras manifestações.

Se não tratada, pode levar a morte em 90% dos casos.

Transmissão

Segundo o Ministério da Saúde, no ambiente urbano, os cães são a principal fonte de infecção para o vetor.

A transmissão acontece quando fêmeas dos mosquitos conhecidos como mosquito-palha picam cães ou outros animais infectados, e depois picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.

Tratamento

O tratamento está disponível pelo Sistema Único de Saúde. Os medicamentos utilizados atualmente no Brasil não eliminam por completo o parasita nas pessoas e nos cães. No entanto, o homem não tem importância como reservatório da doença.

Já nos cães, o tratamento resolve os sintomas clínicos, mas os animais continuam como fonte de infecção. Por isso, a eutanásia é recomendada de forma integrada com os tratamentos recomendados pelo Ministério da Saúde.

Epidemia de dengue faz a procura por repelentes e inseticidas aumentar em Araraquara

Epidemia de dengue faz a procura por repelentes e inseticidas aumentar em Araraquara

Segundo a gerente do estabelecimento Gisele Peres, está difícil repor os estoques. A loja precisou ampliar o leque de marcas vendidas e buscar novos fornecedores para atender a demanda.

“A gente tem se deparado com o pessoal em choque, na verdade. A primeira sensação é de susto né, então a gente vê que o pessoal está preocupado, quer prevenir e evitar”, disse.

Sensação de morte

A agente educacional Patrícia Mauro foi uma das vítimas do mosquito Aedes aegypti neste ano.

“Eu nunca imaginei que eu fosse pegar, até quando eu estava com todos os sintomas que parecia ser dengue, eu achei que deveria ser uma gripe ou alguma coisa assim. Quando a médica me falou que era dengue eu levei um baita susto”, contou.

Cresce a venda de repelentes de mosquitos com a epidemia de dengue em Araraquara — Foto: Reprodução/EPTV

Agora, Patrícia decidiu se proteger e, principalmente, evitar que o filho Pietro, de 7 anos, também pegue a doença.

“Foi terrível, uma sensação de morte mesmo. Agora eu estou tomando todo o cuidado. Acordo, passo o repelente, reaplico. A questão da hidratação também, que é muito importante”, disse.

Procura por inseticidas

Além dos repelentes, a procura por inseticidas também cresceu. Em um supermercado de Araraquara, as vendas de aerossol e aparelhos de pastilhas elétricas aumentou.

“Com essa epidemia agora as vendas vêm crescendo, todos estão tentando se proteger”, disse o gerente Antônio Marcos Batistelle.

Proteger a família

Silvio tem medo de que a família seja picada pelo mosquito — Foto: Ely Venancio/EPTV

O comerciante Silvio Zavatti é um dos consumidores que adicionaram os inseticidas na lista de supermercado.

“Eu estou preocupado né. Estou escolhendo aqui alguma coisa para proteger da dengue. A gente tem que ficar atento a essas coisas e proteger a família”, disse.

Câmara de Araraquara aprova projeto contra a dengue com multas que chegam a R$ 22 mil

A Câmara Municipal de Araraquara (SP) aprovou por unanimidade na noite de terça-feira (5) do projeto “Araraquara Contra a Dengue” que prevê multas de R$ 331,80 a R$ 22.120 para quem mantém criadouros do mosquito Aedes aegypti em casa, terreno ou indústria. O número de casos confirmados chegou a 906 nos primeiros 35 dias do ano.

O projeto institui ainda a contratação emergencial de 500 pessoas pelo período de seis meses, podendo prorrogar por mais seis. A seleção será feita por meio de processo seletivo simples, definido pela prefeitura.

“Essas pessoas vão auxiliar na limpeza de casas e terrenos e complementar a equipe de agentes de Controle de Endemias e reduzir o tempo das vistorias”, disse a secretária da Saúde, Eliana Honain.

Mudanças nas multas

Um dos itens previstos é a nova redação à Lei nº 6.926, para reajustar os valores das multas a cidadãos, empresas e indústrias que contribuem para a proliferação dos criadouros.

Para as residências com até três criadouros de porte pequeno, a multa pode chegar a R$ 331,80, que corresponde a seis vezes o valor da Unidade Fiscal do Município (UFM), que atualmente está em R$ 55,30.

Em estabelecimentos e indústrias, a multa contará 50 vezes a UFM, chegando a R$ 2.765,00. Em caso de reincidência, o valor dobra.

Alterações para infrações moderada, grave e gravíssima também estão previstas e o valor das multas pode chegar a R$ 22.120,00 para empresas reincidentes.

Polo de atendimento

A inauguração do Polo Estratégico de Atendimento aos Pacientes com Dengue, na segunda-feira (4), foi uma das iniciativas adotadas para desafogar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Por dia, são 26 novos casos confirmados e mais de 300 atendimentos de pessoas com suspeita.

O espaço funciona de segunda-feira a domingo, das 7h às 17h, na Sede da Vigilância Epidemiológica. O endereço é Avenida Ivo Antônio Magnani, 430, Fonte Luminosa.

Horário estendido

Além do Polo Estratégico de Atendimento aos Pacientes com Dengue, quatro Centros Municipais de Saúde estão funcionando com horário estendido até as 19h.

As unidades são: CMS “Dr. Genaro Granata” no Jardim Paulistano, CMS “Dr. Marcelo Edgar Druet” no Jardim América, CMS “Enfermeira Kimiko Yuta” no Jardim Iguatemi e CMS “Dr. Ruy de Toledo” no Jardim Roberto Selmi Dei I.